Filme de Bolsonaro é processado por usar música de Beyoncé sem autorização

Teaser de 'Dark Horse', filme inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, usou um dos maiores hits dos anos 2000 sem autorização e chamou atenção nas redes

Enquanto o longa ganha repercussão por causa de Flávio Bolsonaro, uma música escolhida para o trailer acabou criando um novo capítulo na polêmica (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Enquanto o longa ganha repercussão por causa de Flávio Bolsonaro, uma música escolhida para o trailer acabou criando um novo capítulo na polêmica (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro, voltou a chamar atenção nos últimos dias após novas revelações envolvendo seu filho, Flávio, e o Banco Master. Mas, antes disso, o projeto já havia provocado uma polêmica internacional pouco lembrada pelo público.

No final de 2025, a equipe de Beyoncé acionou a Justiça depois que o teaser do longa utilizou sem autorização a música “Survivor”, sucesso mundial do Destiny’s Child.

Agora que o filme voltou ao debate político, muita gente descobriu pela primeira vez um detalhe que passou despercebido na época. E ele envolve justamente uma das músicas pop mais conhecidas dos anos 2000.

O detalhe no trailer que virou problema

No teaser divulgado de “Dark Horse”, cenas da trajetória de Bolsonaro aparecem embaladas por “Survivor”, faixa eternizada pelo Destiny’s Child, grupo formado por Beyoncé, Kelly Rowland e Michelle Williams.

A música acompanha imagens da campanha presidencial de 2018, do casamento com Michelle Bolsonaro e também da facada sofrida pelo então candidato durante o período eleitoral.

O problema surgiu porque a canção foi utilizada sem autorização. Na época, Anderson Nick, integrante da Beygood, organização filantrópica ligada a Beyoncé, afirmou que providências jurídicas estavam sendo tomadas.

“Obviamente a música foi utilizada sem autorização e as providências legais já estão sendo tomadas para que (o trailer) seja retirado o mais rápido possível”, declarou ele nos Stories do Instagram.

Filme voltou ao centro das atenções

Embora a controvérsia tenha acontecido em dezembro do ano passado, ela voltou a despertar curiosidade porque “Dark Horse” reapareceu no debate público recentemente, após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Reportagens publicadas nesta semana apontam que Vorcaro teria financiado parte da produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Em um dos áudios divulgados, Flávio aparece cobrando novos repasses para evitar atrasos no projeto.

Segundo as investigações divulgadas pelo site The Intercept Brasil, os valores negociados chegariam a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Parte do dinheiro teria sido enviada entre fevereiro e maio de 2025.

Flávio Bolsonaro confirmou a autenticidade do áudio e afirmou que buscava apenas patrocínio privado para um filme privado sobre o pai. Ele negou qualquer troca de favores ou uso de dinheiro público.

Produção aposta em elenco internacional

“Dark Horse” tem produção e roteiro do deputado federal Mario Frias e direção de Cyrus Nowrasteh. Gravado em inglês, o longa tenta alcançar o público internacional ao retratar Bolsonaro como um mártir político. O protagonista é Jim Caviezel, ator conhecido pelo papel de Jesus em A Paixão de Cristo.

O teaser também mostra personagens inspirados em nomes reais ligados à trajetória política de Bolsonaro, incluindo Michelle Bolsonaro e Adélio Bispo. O próprio Mario Frias aparece em cena interpretando um médico.

As gravações aconteceram entre Brasil e Estados Unidos, com parte da produção realizada em São Paulo. Flávio e Carlos Bolsonaro acompanharam algumas filmagens.

Mesmo sem estreia até agora, o filme voltou ao radar nacional por causa do momento político. E, junto dele, ressurgiu uma polêmica que muita gente nem lembrava mais, ou sequer sabia que tinha acontecido.