Filha de Jundiaí reencontra pai desaparecido nas ruas em Itanhaém; vídeo

Severino da Silva, de 55 anos, que estava desaparecido há um mês, foi encontrado na praça do bairro Gaivota pela equipe do Centro Pop

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01 MAI 2021Por Nayara Martins17h40
A filha Laura, que mora no município de Várzea, próximo à Jundiaí, conta que o pai sumiu há cerca de um mês.A filha Laura, que mora no município de Várzea, próximo à Jundiaí, conta que o pai sumiu há cerca de um mês.Foto: Nayara Martins/DL

Um reencontro marcado por muita emoção entre pai e filha. Esse foi o final feliz após Laura Cristina Aparecida da Silva, de 25 anos, ter reencontrado o pai Severino Gonzaga da Silva, de 55 anos, que estava morando nas ruas de Itanhaém, após um mês. 

O resgate foi feito na manhã de sexta-feira (30), na região do bairro Gaivota, pela equipe de técnicos de abordagem de rua do Centro de Referência para Pessoas em Situação de Rua, o Centro Pop do município, da Secretaria de Assistência Social. 

A filha Laura, que mora no município de Várzea, próximo à Jundiaí, conta que o pai sumiu há cerca de um mês. “Demorei três dias para procurar porque ele sempre some e aparece pois está em casa de parente”. Segundo ela, desta vez ele saiu de casa e falou que queria voltar à praia. A família já morou em Itanhaém, mas foi embora porque perdeu a casa devido às enchentes.

“Já havia feito as buscas em todos os locais, na delegacia, nos hospitais, na TV e até fui no IML, mas sabia que ele estava vivo. Ele veio procurar a antiga casa onde morou em Itanhaém, no bairro Gaivota”. Explica que resolveu ir embora para recomeçar a vida em Várzea, próximo à Jundiaí, no interior de São Paulo.

“Meu pai é andarilho e ele sempre gostou de fazer uns bicos e pagar latinha para vender. Por isso ele voltou na casa onde moramos, em Itanhaém, e achou a agenda do meu filho. Já tinha perdido as esperanças de achar o meu pai”, conta.

 Afirma que quando a assistente social Maria Janete Andrade, conhecida como Mari, do Centro Pop, ligou e avisou sobre o seu pai ela veio para a cidade na noite de sexta-feira. Ela explica que está morando em um barraco de madeira com o marido e três filhos. “Estou desempregada, mas estamos tentando construir uma casa maior de bloco”. 

A ideia de Laura é poder viver em melhores condições com o pai. Ela espera que o pai se recupere, pois ele é dependente de álcool e já tentou interná-lo em algumas clínicas de recuperação na região de Jundiaí.

Medo

Há cerca de um mês morando nas ruas, Severino Gonzaga da Silva, de 55 anos, diz que teve medo de dormir e ser atacado por alguém com um pedaço de pau. Conta que veio de Jundiaí para Itanhaém a pé porque estava com saudades e veio a procura da antiga casa no Gaivota. 

“Estava lá pegando latinha para conseguir algo para comer e não ficar parado”. Ele disse que os técnicos do Centro Pop o encontraram na praça do Gaivota, na manhã de sexta-feira (30). 

“Pretendo ir embora para com minha filha e não fazer mais a família sofrer. Saí de lá a pé e demorei um dia e meio até chegar em Santos, mas só consegui pegar uma carona de Santos pra Itanhaém”, completa.

Acolhimento

A assistente social Maria Janete Andrade, a Mari, explica que o Centro Pop atende, em média, de 40 a 50 moradores por dia e conta com uma equipe de abordagem de rua que saem todos os dias para fazer a busca ativa, de manhã e à tarde. O local oferece café da manhã, almoço, e um lanche da tarde, além de receber kit higiene, banho e roupas limpas.

“Ontem pela manhã eles foram ao bairro do Gaivota e encontraram entre os moradores de rua, o Severino, que ainda não era conhecido. Ele veio para almoçar e durante o atendimento ele mencionou a filha Laura e ele demonstrou muito amor e até chorou ao falar dela”, salienta. 

Ao procurar em seus pertences, numa sacola de latinhas, Maria achou um caderno do neto e a foto da filha com o pai. No caderno havia alguns telefones e, por meio desses contatos, que a assistente conseguiu falar com a filha Laura.   

“Fizemos uma chamada de vídeo entre o pai e a filha bastante emocionante. Chegamos a um final feliz”, destaca.  

Ele estava com os pés machucados, pois veio a pé de Jundiaí. Após o almoço, Severino foi encaminhado para a Casa de Acolhimento Phoenix, atrás do Centro Pop. Mari explica que Severino voltou a Itanhaém por ter um vínculo com a Cidade, mas também tem carinho pela família. 

“Percebemos que existe um laço muito forte de amor entre os dois, isso é a grande recompensa do nosso trabalho. Trabalhamos com o fortalecimento de vínculo familiar, mas, às vezes, a família não aceita mais”.

Segundo Mari, neste período de pandemia houve um aumento de moradores de rua no município. Itanhaém, hoje, possui cerca de 230 moradores de rua. Desse total 48% são do município e o restante de outras cidades. Em 2019 eram cerca de 80 pessoas em situação de rua.

O atendimento inicial é feito pelo Centro Pop e, após, são encaminhados à Casa de Acolhimento Phoenix, da organização social Vida Livre, que recebe até 25 pessoas. O objetivo é avaliar cada caso e dar continuidade ao atendimento para procurar contato com a família, por um prazo de até seis meses.

O Centro Pop aceita doações de roupas e de produtos de higiene pessoal. Funciona na rua Vítor Meireles, 51, no bairro Belas Artes, em Itanhaém.