Famílias do Caminho da Divisa pedem socorro

Moradores lutam há um ano para recuperar seus barracos e não conseguem ajuda da Prefeitura

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10 DEZ 201216h00

Cerca de 180 famílias —250 crianças — estão há aproximadamente um ano tentando, com a Prefeitura de Santos, auxílio no sentido de recuperar os barracos em que moram no lugar conhecido como Caminho da Divisa, próximo da Favela da Vila Gilda, uma das maiores da Cidade.

De estrutura precária, composta por vielas que levam a casebres de madeira sobre a maré, no bairro Castelo, o Caminho da Divisa é uma afronta se comparado ao novo perfil de Santos, onde a cada dia sobe um prédio de luxo, próximo à orla.
 
Segundo a moradora Paula Renata de Jesus, os barracos sofreram intervenções recentes da maré e das fortes chuvas, comprometendo, principalmente, o piso e telhados. “Estamos tentando a bolsa-auxílio há meses e a Regional da Zona Noroeste (Prefeitura) não consegue sequer madeirite. A maioria das pessoas está desempregada e sem condições de arcar com a reforma dos barracos”, afirma Paula.
 
Outra inconformada com a situação é Andrea Ferreira dos Santos. “As pontes utilizadas para levar as pessoas das vielas às casas estão sob risco de desabar. As crianças estão correndo perigo e, na regional, só mandam a gente aguardar”. 
 
Famílias estão sem bolsa-auxílio da Prefeitura e correndo riscos sobre pontes que dão acesso às suas moradias que ameaçam desabar (Foto: Luiz Torres/ DL)
 
Segundo moradores, acidentes são diários em vários pontos da comunidade. Os verdadeiros labirintos dificultam a visão, principalmente à noite. Há pedaços de madeira soltos e empenados, as pontes são completamente desniveladas. A acessibilidade dos moradores está sob responsabilidade do Departamento da Administração Regional da Zona Noroeste que, conforme apurado pelo Diário do Litoral, vem dando as costas para a população, apesar do apelo da Defesa Civil, que já condenou a maioria das habitações. O secretário de Serviços Públicos, Carlos Alberto Tavares Russo, também estaria ciente da situação.
 
O vereador Antonio Carlos Banha Joaquim (PMDB) acompanhou a reportagem. Banha não se conforma com a situação e está preocupado com a segurança dos moradores, principalmente as crianças. “Isso precisa ser equacionado urgentemente. Ninguém merece passar um sufoco desses. Caso isso não se resolva, vou encaminhar a situação ao Ministério Público, com álbum de fotos tirado no local”. 
 
Incêndio
 
Vale a pena lembrar que, em agosto do ano passado, um incêndio destruiu 24 barracos no Caminho da Divisa. A Prefeitura teve que erguer um alojamento em um galpão para abrigar as pessoas e muitos donativos foram encaminhados até que a situação fosse restabelecida. 
 
Prefeitura
 
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Santos, por intermédio da Assessoria de Imprensa, respondeu de forma genérica, alertando que realiza a análise técnica dos riscos de desabamento das moradias em palafitas ocupadas por famílias cadastradas nos programas de habitação de interesse social do Município.
 
Após tal análise, em conformidade à disponibilidade de recursos, são autorizados os reparos emergenciais nas moradias, que funcionam na prática como alojamentos provisórios, já que as famílias cadastradas aguardam acesso às habitações definitivas, que estão sendo construídas pela Prefeitura por meio do
 
Programa Santos Novos Tempos. Desde 2005, o programa já entregou 1.300 unidades habitacionais, e outras 950 estão em construção. A Administração ressalta que o Santos Novos Tempos — maior programa de desenvolvimento urbano e social já realizado no Município — também oferece cursos de capacitação e qualificação profissional e promove o encaminhamento dos moradores das palafitas para empregos e postos de trabalho.

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