Exigência pode retardar abertura do Centro Português

O Corpo de Bombeiros de Santos quer duas portas de emergência em prédio centenário tombado pelo Condepasa e ainda a pintura de uma obra de Benedito Calixto com tinta contra fogo

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11 JAN 201402h47

O prédio centenário que abriga a sede cultural do Centro Português de Santos, na Rua Amador Bueno, 188, no Centro, tombado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), não pode ser reaberto porque o Corpo de Bombeiros de Santos está exigindo duas novas portas de segurança no imóvel e ainda a pintura de uma obra de Benedito Calixto com tinta contra fogo.

A informação foi conseguida extraoficialmente por um simpatizante do Centro e pessoas ligadas à Administração da entidade, mas a corporação não se manifestou. Procurado várias vezes, o presidente do Centro, empresário José Duarte de Almeida Alves, não quer se manifestar sobre o assunto, mas a reportagem descobriu que ele já pediu um prazo de quatro meses aos bombeiros para cumprir as exigências fundamentais para a expedição do laudo e liberação do imóvel. 

A abertura das portas deve abrir precedentes com relação a preservação histórica e a segurança. O trabalho de restauração das paredes do prédio foi coordenado e executado pela artista plástica Andrea Naline e seu auxiliar Demontier Meireles.

Procurada ontem, a Prefeitura de Santos, por intermédio da Secretaria de Infraestrutura e Edificações, informou que a liberação do imóvel para eventos só é possível com a apresentação de documentos que atestem a segurança do imóvel, entre os quais o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.

Centro Português de Santos surgiu em 1895 no Centro da Cidade (Foto: Luiz Torres/DL)

Ou seja, ao poder público municipal cabe fazer cumprir as exigências previstas nas legislações estaduais referentes à segurança. Qualquer denúncia referente ao funcionamento de locais públicos pode ser feita à Ouvidoria Pública Municipal pelo telefone 0800-112-056.

História

O Centro Português de Santos surgiu em 1895. A ideia foi reunir os portugueses que moravam na Cidade e manter culturas literária, científica, profissional e social, além de honrar o tradicionalismo e amparar os portugueses mais humildes e desprotegidos.

No Centro, é possível encontrar móveis de época, livros que contam a história lusitana, além de clássicos da literatura portuguesa, como, a edição de Os Lusíadas, do escritor Luís Vaz de Camões, dedicada a Dom Pedro II, pelo editor Emílio Biel. O livro encanta com suas gravuras feitas à mão e os detalhes em ouro nas bordas das páginas.

Um dos grandes atrativos do Centro Português é o seu teatro. Inaugurado em 12 de abril de 1908, o Salão-Teatro teve como solenidade um sarau-dramático-dançante, com o que mais havia de representativo da colônia portuguesa da época. O espaço foi restaurado e deverá ganhar o nome do empresário Armênio Mendes.