Estônia, Letônia e Lituânia pedem tropas permanentes da Otan

Os chefes da Defesa dos três países apresentaram o pedido em uma carta conjunta enviada nesta semana à Otan, segundo um porta-voz militar lituano, capitão Mindaugas Neimontas

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14 MAI 201516h31

Três países do Báltico, Estônia, Letônia e Lituânia pediram que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) envie uma brigada permanente aos seus territórios, enquanto lidam com uma Rússia cada vez mais assertiva. Os chefes da Defesa dos três países apresentaram o pedido em uma carta conjunta enviada nesta semana à Otan, segundo um porta-voz militar lituano, capitão Mindaugas Neimontas.

Os países bálticos faziam parte da União Soviética, mas retomaram a independência com o colapso da Cortina de Ferro, há duas décadas. O trio tem se mostrado preocupado com a intervenção da Rússia na Ucrânia e com a crescente atividade de forças russas em exercícios militares na região do Mar Báltico. As forças da Otan, incluindo dos EUA, têm reforçado seus exercícios no Báltico e em outras nações do Leste Europeu, diante da crise ucraniana.

O pedido das nações do Báltico é por um batalhão com entre 700 e 800 soldados em cada um dos três países. As tropas ficariam na região em esquema rotativo. O embaixador da Rússia para a União Europeia, Vladimir Chizhov, disse que o pedido era motivado "mais por política local que por uma situação genuína de segurança".

No encontro de hoje, a Otan e a União Europeia comprometeram-se a aprofundar a cooperação sobre ameaças que vão além dos conflitos tradicionais. A intenção é reforçar os esforços conjuntos, por exemplo, em técnicas que incluem propagandas e operações encobertas, como as que a Otan alega que Moscou realiza na Ucrânia.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que Otan e UE querem garantir que estão desenvolvendo estratégias complementares e eficazes diante de "ameaças híbridas contra qualquer um de nossos membros". Ele falou na conclusão da reunião de dois dias da Otan na província turca da Antália, no Mediterrâneo.

A chefe da política externa da UE, Federica Mogherini, participou do último dia do encontro, falando aos membros da aliança sobre o conflito na Ucrânia, bem como sobre ameaças terroristas e os esforços do bloco para combater o tráfico de pessoas oriundas da Líbia.

Canção pela Paz

No jantar da quarta-feira, organizado pela Turquia, autoridades militares da Otan e funcionários da UE cantaram juntos a canção "We Are The World". Em uma pausa nas discussões sobre a instabilidade no Oriente Médio e na Ucrânia, as autoridades aceitaram o convite de uma banda turca para cantar "a última canção pela paz", durante o evento.

Os ministros das Relações Exteriores da Grécia, Nios Kotzias, e da Turquia, Mevlut Cavusoglu, cantaram abraçados, ao som da música de 1985. Stoltenberg e Mogherini também fizeram parte do coro.