Em obra, Ponte Pênsil comemora cem anos

A ponte está em reforma há quase um ano. Promessa inicial da Prefeitura era que obra terminaria hoje, data do centenário

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21 MAI 201410h18

Ao contrário do anunciado em 2013 pela prefeitura de São Vicente, de entregar a Ponte Pênsil Saturnino de Brito, restaurada à população em seu centenário, um dos principais pontos turísticos da Cidade segue em obra e com os constantes problemas reclamados pelos cidadãos, de insegurança e assaltos. Para os pedestres entrevistados pela reportagem do DL, nos 100 anos de sua construção, não há muito a comemorar.

Alvo de reclamação dos moradores das imediações e dos pedestres que utilizam a ponte, os assaltos continuam acontecendo com frequência. A queixa é que não há policiamento no local, piorando a situação no período da noite e nos finais de semana. Em mais de uma hora no local, a equipe do DL não viu nenhuma viatura da polícia passando pelas vias de acesso a ponte, que está interditada para carros. Jason Bispo, bombeiro civil aposentado, relata que no último sábado por pouco não foi assaltado, por dois indivíduos na entrada da ponte, sentido Praia Grande.

“Vinham dois caras de bicicleta, quando um disse: ‘olha o relógio do tio’. Fingir que não ouvi e comecei a andar rápido. A sorte que encontrei um conhecido e fiquei conversando com ele, que é segurança e estava de uniforme. Tenho certeza que eles iam me roubar”. Bispo conta que presenciar um assalto, principalmente a turistas, na ponte não é raridade. Ele conta que no mesmo dia que quase sofreu um assalto, um casal de turistas foi roubado por quatro adolescentes. Os objetos roubados geralmente são correntes de pescoço, celular e relógio. “A insegurança é muito grande a qualquer hora do dia. É assalto demais. Eles roubam mais correntinha, celular, relógio”, afirmou Jason Bispo.

Complementa o testemunho de Jason, o motorista Antonio Vieira, que estava pescando. Com poucos pertences, Antonio conta e mostra que sempre vai sem celular e carteira ao local, e que guarda o relógio no bolso, enquanto exerce seu passatempo, em dias de folga. Ele reclama da insegurança nas imediações e principalmente na ponte. E sobre algo a comemorar nos 100 anos do principal cartão postal da Cidade, o motorista diz que “não tem o que comemorar. A reforma será boa, ficará melhor, mas a insegurança aumentou desde quando começou a obra. De manhã e de noite tem assalto aqui”, reclamou.

Obra está em atraso e seria entregue hoje. Por medidas de segurança, DER informa que será concluída em novembro (Foto: Matheus Tagé/DL)

Centenário em obras

A obra de revitalização da Ponte Pênsil é de responsabilidade do Departamento de Estradas e de Rodagem (DER), que em nota esclareceu que as obras serão concluídas em novembro. A previsão inicial divulgada pela prefeitura de São Vicente visava o aniversário do centenário da ponte, comemorado hoje. Naquela ocasião, em notícia publicada em sua página na internet, a prefeitura afirmou que “os vicentinos festejarão, em meados do próximo ano, o centenário do cartão postal da Cidade, com a entrega da Ponte Pênsil, totalmente revitalizada”.

Porém, o prazo de entrega foi prorrogado pelo DER, devido a questões de segurança, de acordo com informações da empresa que realiza as obras. Em nota, enviada ao Diário do Litoral, a assessoria de imprensa do DER disse que “a prorrogação do prazo foi necessária, pois a empresa responsável pelas obras constatou a necessidade de readequação da peça de sustentação dos cabos, danificada pelo tempo”. Em anúncio feito em fevereiro deste ano, a previsão de entrega era setembro.

História

Construída em 1914, a Ponte Pênsil Saturnino de Brito (engenheiro responsável pela construção da ponte) é uma referência para a construção de pontes do gênero, sendo a primeira estrutura pênsil construída no Brasil, de madeira e sustentada por cabos de aço. Com 183 metros de cumprimento e 23 de altura, ela é um dos pontos turísticos mais visitados de São Vicente e oferece, aos turistas e transeuntes, uma bela vista da praia do Gonzaguinha e do Ilha Porchat.

Em 1982, a ponte foi declarada patrimônio histórico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).