Cubatão exigirá indenizações para pescadores atingidos pelo incêndio na Alemoa

Município conta com apoio do Ministério da Pesca, que enviou técnicos à Cidade para avaliarem a extensão dos prejuízos causados àqueles trabalhadores

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08 ABR 201516h33

A Prefeitura deu início, nesta quarta-feira (8), a uma série de ações destinadas a compensar a Cidade pelos impactos negativos causados pelo incêndio que ocorre há duas semanas no parque industrial do bairro da Alemoa, em Santos. Entre tais ações inclui-se a coleta de dados que permitam ao Município exigir, da empresa Ultracargo, responsável pelos tanques incendiados, indenizações para as mais de 200 famílias de pescadores prejudicadas pelo acidente.

O Ministério da Pesca ajudará a administração municipal em tal objetivo. Durante a manhã, técnicos do órgão participaram de reunião com a prefeita Marcia Rosa, representantes de associações de pescadores, secretários municipais e líderes das associações comunitárias da Vila dos Pescadores. Este núcleo, situado às margens do Rio Casqueiro, é o que concentra o maior número de famílias que dependem da pesca artesanal em Cubatão. Ali, poucos dias após início do incêndio, apareceram cerca de três toneladas de peixes mortos, possivelmente contaminados pelos produtos químicos vazados dos tanques atingidos pelas chamas.

Os técnicos do Ministério da Pesca vieram a Cubatão por determinação do ministro Helder Barbalho, atendendo a pedido da prefeita Marcia Rosa. Na terça-feira, eles percorreram as áreas afetadas e entrevistaram moradores. "Ficamos impressionados com a dimensão do acidente, principalmente em seu aspecto social", afirmou Josué Bezerra de Freitas Neto, responsável pela Coordenação Geral de Planejamento e Ordenamento da Pesca Artesanal Marinha.

A Prefeitura deu início a uma série de ações destinadas a compensar a Cidade pelos impactos negativos causados pelo incêndio (Foto: PMC)

Ele encaminhará, ainda hoje, uma nota técnica a Brasília, ressaltando a necessidade de ajuda imediata aos pescadores impedidos de exercerem suas atividades em decorrência da contaminação química das áreas em que atuam. "Apoiamos a iniciativa da Prefeitura de exigir a indenização e, em nosso relatório final, enfatizaremos a necessidade de, em curto prazo, os pescadores terem algum tipo de auxílio do Governo Federal", afirmou Josué Bezerra. O relatório geral dependerá da obtenção de mais informações, entre elas os dados técnicos relativos aos índices de contaminação da fauna marinha.

Durante a reunião, os representantes do Ministério comprometeram-se a ajudar na regularização profissional daqueles que ainda não têm a carteira de trabalho expedida pelo órgão, a fim de que possam reivindicar auxílios agora e indenizações futuras. A prefeita Marcia Rosa indicou funcionários municipais para comporem, com representantes da categoria, uma comissão mista para tratar destas questões. 

O maior - Os pescadores participantes do encontro destacaram a importância do apoio político e jurídico que a Prefeitura está oferecendo à categoria. Francisco Tobias Barros, um dos fundadores da Vila dos Pescadores, disse que, nos 55 anos em que vive e trabalha na região, nunca viu um acidente deste tipo. "Lembro-me do incêndio da Ilha Barnabé, na área portuária, e de outros incêndios no próprio bairro, mas nenhum deles matou tantos peixes e atingiu área tão grande".

Para Francisco, o que preocupa mais é a incerteza sobre quando poderão retornar às suas atividades. "Se não tiverem ajuda, as famílias vão passar muitas necessidades", disse.