Cirurgião santista alerta para pandemia de obesidade na Região e no Brasil

Ao se detalhar os números, é possível observar que a prevalência do excesso de peso no Brasil aumentou de 42,6% em 2006 para 55,4% em 2019

Divulgados no País pela Agência Brasil durante o fim de janeiro, os dados levantados são fruto do estudo 'A Epidemia de Obesidade e as DCNT - Causas, custos e sobrecarga no SUS'

Divulgados no País pela Agência Brasil durante o fim de janeiro, os dados levantados são fruto do estudo 'A Epidemia de Obesidade e as DCNT - Causas, custos e sobrecarga no SUS' | EBC

Apesar de 2030 se encontrar a oito anos de distância, uma projeção aponta que brasileiros poderão estar, na virada da próxima década, com a prevalência de excesso de peso em uma taxa de até 68%. Em outras palavras, quase sete em cada 10 pessoas. Já a taxa de obesidade pode atingir a marca de 26%, uma a cada quatro. Um especialista de Santos aponta possíveis maneiras para que a população possa evitar uma epidemia de obesidade.

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Divulgados no País pela Agência Brasil durante o fim de janeiro, os dados levantados são fruto do estudo ‘A Epidemia de Obesidade e as DCNT – Causas, custos e sobrecarga no SUS’. A pesquisa foi realizada por uma equipe formada por 17 pesquisadores de diversas universidades do Brasil e uma do Chile.

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Ao se detalhar os números, é possível observar que a prevalência do excesso de peso no Brasil aumentou de 42,6% em 2006 para 55,4% em 2019. Já a obesidade saltou de 11,8% para 20,3% no mesmo período. Apesar de não se tratar de uma condição que possa passar de paciente para paciente, o Dr. Joaquim Guimarães Neto, que é cirurgião bariátrico, explica o que leva a obesidade a ser tratada como uma epidemia.

“Apesar de não ser uma doença transmissível, a gente considera epidemia quando um número de casos de uma certa patologia ultrapassa o que a gente considera aceitável. Então como na obesidade existe um aumento progressivo no número de casos e isso resulta sempre em grandes problemas de saúde para esses indivíduos então a gente pode considerar a obesidade com uma epidemia no Brasil e uma epidemia mundial”, afirma o profissional de Santos.

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Ainda segundo o levantamento, os dados revelam que o risco associado de diversas Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) é o mais preocupante e pode levar a consequências impactantes para o SUS. O acúmulo excessivo de gordura corporal está associado com o aumento no risco de mais de 30 DCNT, em maior ou menor grau.

“A obesidade como é um problema de saúde, de ordem pública, para a gente ter um combate eficiente a ela a gente precisa que existam vários tipos de medidas para que a gente consiga ter um controle melhor. Um exemplo disso é a gente ter acesso, a população em geral, acesso a alimentos saudáveis”.

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“Nem sempre os alimentos saudáveis são disponíveis para a população mais carente, por exemplo, no que diz respeito a valores. Geralmente são alimentos às vezes até mais caros do que os alimentos industrializados. Uma conscientização também na população do que é saudável, do que não é saudável, e uma outra possibilidade seria também um estímulo à atividade física para toda população. Então esse conjunto de situações pode fazer com que uma sociedade, um país, uma região, tenha melhora em relação à obesidade”, explica Guimarães Neto.

Especialista no procedimento, o profissional explica que a cirurgia bariátrica, entretanto, deve ser tratada apenas como a última possibilidade de tratamento para qualquer paciente.

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“A cirurgia bariátrica, na verdade, ela sempre é o último recurso de um indivíduo para que a gente consiga ajudá-lo a perder peso. Essencialmente, o tratamento clínico sempre é o indicado pra que a gente consiga a princípio tentar melhorar as condições de saúde desse indivíduo em relação à obesidade. Quando esse recurso se esgota e esse indivíduo tem um quadro de obesidade mais avançada, como obesidade grau dois, ou obesidade mórbida, aí a gente passa a considerar a possibilidade da cirurgia bariátrica”.

Ele destaca ainda que a cirurgia gera mudanças sutis no organismo do paciente contanto que o mesmo não ‘abuse’ da dieta.

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“A cirurgia bariátrica, na verdade, ela, depois de realizada, vai fazer com que o indivíduo que foi submetido a cirurgia, faça exatamente tudo que ele deveria fazer mesmo sem ter operado. Então isso vai fazer com que esse indivíduo tenha uma mastigação mais adequada, uma distribuição da dieta ao longo do dia e evite alimentos mais calóricos. Toda vez que esse indivíduo não realiza o que a cirurgia impõe a ele, ele sente algum desconforto e aí ele acaba se ‘autocorrigindo’ e com isso ele acaba perdendo peso”.