Centro de Convenções de São Vicente sofre com abandono

Equipamento sofreu incêndio no dia 24 de abril; vereadores devem encaminhar denúncia ao MP

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27 MAI 201511h00

Equipamentos de ginástica e material de escritório (incluindo documentos) da Prefeitura abandonados, água jorrando de cano devido ao furto de uma torneira, cabines primárias de energia sem fiação e até equipamentos que poderiam ser usados por pessoas portadoras de deficiência largados. Esse é parte do cenário encontrado na manhã de ontem no Centro de Convenções de São Vicente, atingido por um incêndio no último dia 24 de abril.

Quem constatou essa situação no equipamento, localizado no Parque Bitaru, foram os vereadores Pedro Gouvêa (PMDB), Léo Santos (PSB) e Perivaldo Oliveira Santana, o Perivaldo do Gás (PSB). Eles vão relatar ainda esta semana o que classificam como “total estado de abandono” ao Ministério Público do Estado (MPE) de São Paulo e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

“Parecia cena de guerra”, comentou Pedro Gouvêa. Ele explica a razão de encaminhar o caso não apenas ao MPE, mas também ao TCE: “Há um claro desperdício de dinheiro público”, diz ele, calculando que as perdas materiais podem chegar a R$ 4 milhões.

Para Léo Santos, “o incêndio pode ter sido um acidente, mas a Prefeitura não poderia permitir esse descaso com o patrimônio público”. Ele considera insuficiente o deslocamento de apenas um vigilante para tomar conta do equipamento.

Segundo a Prefeitura, o Centro de Convenções permanece interditado desde o incêndio (Foto: Fotos: Sérgio Carmo/Divulgação)

O que também chamou a atenção de Pedro Gouvêa foi o fato de o Centro de Convenções estar sendo usado para “guardar” caminhões de som e um trio elétrico particulares. “Não pode. O espaço é público. Quero acreditar que a Prefeitura não tenha um trio elétrico. Isso é particular”.

A falta de segurança, assinala Gouvêa, permite a invasão de ladrões que levaram do local a fiação das cabines primárias de energia.

O vereador do PMDB se mostrou indignado com o abandono de equipamentos de locomoção para portadores de deficiência usarem na praia, e com os equipamentos de ginástica que poderiam estar sendo usados nas unidades de Ensino do Município.

“A sujeira é impressionante. Dá para ver que, desde o incêndio, a Prefeitura não encaminhou nenhuma equipe para fazer a limpeza. Há salas e corredores até com fezes humanas”, relatou Pedro Gouvêa.

Vereadores vão relatar o abandono do local para o Ministério Público e para o TCE (Foto: Divulgação)

Prefeitura reconhece estrutura comprometida

Procurada pelo Diário do Litoral, a Prefeitura de São Vicente informou, por meio da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer (Sesportur), que o local se encontra interditado logo após o incêndio. A Administração Municipal reconhece que “a estrutura está comprometida e oferece riscos, fazendo com que a sede da Sesportur fosse transferida para o Ginásio Poliesportivo Dondinho”.

A nota enviada à Redação informa que o Auto de interdição do local (004/2015 - 3151 - A) decreta a interdição do equipamento “sob o risco iminente de desabamento”.

Segundo a Administração Municipal, “as cadeiras e outros equipamentos que se encontravam no local estão sendo encaminhados para o pavilhão coberto do Parque Ecológico Voturuá”.

Quanto ao vazamento de água, a Assessoria de Imprensa garantiu que o registro foi fechado e o problema sanado.

Hospital

Questionada sobre o projeto para a destinação da área, a Prefeitura mantém a ideia de construir um hospital regional. “Proposta ratificada pelos demais municípios da Região Metropolitana, e apoiada pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, em várias ocasiões. O mesmo, inclusive, já se comprometeu com 50% dos recursos necessários à construção e também do posterior custeio. Tal proposta aguarda no momento a manifestação do Governo do Estado, quanto  aos 50% restantes”.

A Guarda Civil Municipal respondeu que a vigilância da área é feita regularmente por três guardas (dois à noite e um durante o dia), durante 24 horas, além de ronda com intervalos de uma hora.