'Bolsonaro está no seu direito de deixar o PSL', afirma Júnior Bozzella

Deputado santista afirma que jamais foi bolsonarista e diz acreditar que o Governo não vai querer perder seu voto

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13 NOV 2019Por LG Rodrigues07h00
Bozzella afirma que saída de Bolsonaro do PSL não interferirá de maneira alguma na maneira do partido de agirFoto: Divulgação

O deputado Júnior Bozzella (PSL) afirma que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) está no seu direito de deixar o partido ao qual ambos pertencem para criar uma legenda própria. De acordo com o parlamentar santista, ele não acredita que o presidente tenha convocado uma reunião nesta segunda-feira (11) que tenha sido exclusiva para deputados que Jair pretende levar para o novo partido. O parlamentar de Santos diz também que não se reuniu com o presidente para debater uma transição que envolveria a saída de Bozzella para se juntar a Bolsonaro em um novo partido.

As primeiras informações sobre a suposta saída definitiva de Jair Bolsonaro do PSL surgiram durante a tarde desta segunda-feira. Segundo publicado no portal Congresso em Foco, Jair teria debatido a possibilidade com membros do PSL e marcou uma reunião para o começo da noite desta terça-feira (12) onde fez o anúncio da saída da legenda.

De acordo com a Revista Fórum, toda a bancada do PSL na Câmara dos Deputados foi convidada para a reunião com a exceção de alguns nomes da ala bivarista, como o próprio Bivar (PE), Joice Hasselmann (SP), Delgado Waldir (GO) e Júnior Bozzella (SP).

"Não tem nenhuma reunião oficial. Nenhum deputado foi chamado pelo Palácio e também não é novidade porque o presidente jamais chamou a bancada para tratar de nenhum assunto, seja da Presidência, reforma tributária, pacote anticrime, seja lá qual for a articulação que envolvesse o PSL, o partido sempre agiu de forma isolada e por si só. O presidente jamais chamou a bancada para discutir assunto nenhum", afirma o parlamentar em entrevista concedida ao Diário do Litoral na noite desta segunda-feira.

Bozzella diz ainda acreditar que Jair Bolsonaro não seria responsável por convocar nenhuma reunião e explica que tudo pode ter sido organizado por outros deputados que vivem ao lado do presidente em Brasília.

"Acho que não é nem ele. São os deputados que ficam na cabeça dele para discutir questão partidária, que acho que nem é questão hoje, temos agenda econômica, outras questões".

Sobre a saída de Jair do PSL, Bozzella enfatiza que o presidente está no seu direito de criar uma outra legenda e destaca que já se posicionou a respeito disso por meio do site 'O Antagonista'. Na nota enviada ao portal, ele afirma que: "A desfiliação do presidente da República 'não muda absolutamente nada' a atuação do partido no Parlamento".

"Agora, ele querer sair do partido, ir para outro partido é um direito que ele tem. Mas não é algo que vai mudar nossa visão de combate à corrupção, com relação a votar agendas econômicas para levar o Brasil a voltar a gerar empregos. O PSL sempre foi leal ao presidente, então ele tem outros partidos aliados e a gente é mais um aliado. Outras questões internas do partido não podem ser colocadas como prioridade, nós temos compromisso com o Brasil", afirmou ao DL.

"O fato dele ir para outro partido e querer convidar qualquer outro deputado também é um direito dele até porque eu sempre fui fiel ao partido, à legenda, eu estava no PSL há um ano e meio, antes da chegada do próprio Bolsonaro. Eu nunca fui bolsonarista, eu sempre fui uma pessoa de entendimentos liberais na economia, conservador, cristão, de família. Quando o Bolsonaro ainda não era absolutamente nada a gente foi quebrando um paradigma, fomos convencendo outras pessoas, foi um conjunto da obra, do antipetismo, éramos contra o PT, ainda somos, contra a corrupção e o Bolsonaro foi um catalisador que foi crescendo como poderia ter crescido o Alckmin, o Amoedo, mas a gente fez forças para que ele fosse o escolhido. Ele não largou com 40% nas pesquisas, nós tivemos que ir lutando a favor de alguém que reunisse ali e os componentes necessários", diz.

Bozzella aproveitou para destacar seu papel dentro do PSL em prol do Governo.

"Enquanto deputado, ele precisa valorizar o parlamento como um todo, ele precisa dos votos dos deputados para aprovar aquilo que é de interesse da nação e nós do PSL jamais cobramos nada, só lealdade. Nunca votei contra o Governo, voto 99% a favor de tudo do Governo e acho que o Governo não vai querer perder meu voto".