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Após perder o bebê, mulher com sintomas de coronavírus morre em Santos

Ela deu entrada no hospital Guilherme Álvaro com sintomas sugestivos da Covid-19; exame ainda não foi divulgado

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22 MAR 2020Por Jeferson Marques11h15
Mulher estava internada no hospital Guilherme Álvaro.Foto: Arquivo/Diário do Litoral

Uma mulher de 43 anos faleceu na madrugada deste domingo (22) no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, com sintomas sugestivos da Covid-19. Ela era moradora de São Vicente e precisou ser transferida ao hospital após seu quadro de saúde ter agravado muito, conforme relataram familiares ao Diário do Litoral. Ela estava grávida de três meses e a criança acabou falecendo na última sexta-feira (20), segundo os parentes, por falta de oxigenação devido a pneumonia da mãe.

Muito abalada uma familiar disse à Reportagem que a mulher já sofria com quadros de asma e bronquite há muitos anos. "Ela fumava e as vezes tinha algumas complicações com crises asmáticas. Mas dessa vez foi muito diferente, pois a febre não diminuia nem a base de remédios", conta a moça.

A mulher, que morava em São Vicente, viajou para São Paulo há algumas semanas para ajudar parentes. Lá, dias depois, começou a se sentir mal e retornou para a cidade, passando por atendimentos no Centro de Referência, Emergência e Internação (CREI) de São Vicente, até o momento que precisou ser transferida para Santos. "Na minha opinião demoraram muito para entender a gravidade do problema. Ela só piorava. Nunca vi uma crise asmática tão forte e uma febre que não cessava", lembra a familiar.

A família relatou, ainda, a preocupação com a Covid-19 e se eles também poderiam estar contaminados. "Perguntamos aos médicos, depois que ela faleceu, o que deveríamos fazer se ela realmente estivesse com o coronavírus. Mas eles disseram que só faríamos exames se tivessemos sintomas dentro de até sete dias e que era necessário aguardar a confirmação do material colhido dela", explica. 

Ainda muito emocionada, a moça lembra que a equipe médica alegou como causa da morte uma pneumonia muito forte, agravada pelo tabagismo, que resultou em uma parada cardiorespiratória. "Foi o que eles falaram, mas estamos desconfiados que possam estar escondendo algo para não criar pânico", comenta.

O Diário do Litoral tentou saber de detalhes oficiais sobre o caso desde o seu inicio, mas a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo disse, por telefone, que adotou um novo protocolo e não está mais repassando informações sobre casos particulares devido ao número de pacientes que estão com suspeita de coronavírus, e reforçou que as equipes médicas estão prestando todo o apoio e empregando todas as medidas e esforços possíveis para ajudar na recuperação de todos os internados.