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Agendamento de caminhões é foco em fórum

Medida é colocada como fundamental para evitar antigos problemas nas estradas da Região

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11 FEV 201512h14

O aprimoramento do sistema de agendamento de caminhões para os terminais do Porto de Santos foi o ponto principal do 1º Fórum Operação Safra, realizado ontem, em Santos.

O evento, considerado a primeira reunião para controle e acompanhamento do Plano de Competências, contou com a participação de representantes da Secretaria de Portos (SEP), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério dos Transportes, entidades federais, estaduais, administrações municipais, concessionários rodoviários, ferroviários e hidroviários, associações, sindicatos, embarcadores, armadores e terminais portuários.

O diretor-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Angelino Caputo e Oliveira, destacou a importância do agendamento para a redução dos gargalos rodoviários que existiam na Região. “Ano passado foi de aprendizado. Nós demoramos um tempo até estabilizar o agendamento. O agendamento tem duas partes. Uma é escolher a janela que você quer chegar com seu caminhão e o outro é acertar a janela. A precisão do agendamento foi conseguida ao longo do tempo. Começamos com 20% e no fim de 2014 nós atingimos quase 90% entre expectativa e horário efetivo de chegada do caminhão. Nós temos que aprimorar. Isso vai passando por níveis de maturidade”.

Este ano começa a funcionar, em caráter de teste, o Portolog. O sistema busca sincronizar a chegada dos veículos e das cargas nos terminais, acompanhando o trajeto desde a origem até o Porto de Santos. “É um sistema mais robusto e nacional, não é só para o Porto de Santos. A partir do segundo semestre, nós devemos ter um nível de automação ainda maior, com a automação da leitura dos caminhões ao longo das vias. Vai ser colada uma etiqueta inteligente na carroceria dos caminhões que, ao passar, uma antena lê e sabe onde o caminhão está”.

Atualmente, o controle dos caminhões é feito pelo Sistema de Reconhecimento Ótico (OCR), onde uma câmera filma a placa e um software consegue ler, identificar e descobrir qual caminhão é aquele. Os sistemas funcionam, no início do período da safra, de forma paralela. Se não houver nenhum problema, o Portolog passará a operar o agendamento, sendo que o antigo servirá como backup.

Representante da Secretaria Especial de Portos (SEP), o secretário de Políticas Portuárias Fábio Lavor Teixeira destacou a importância da Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, para o melhor funcionamento do agendamento.

Encontro reuniu diversas entidades do setor portuário (Foto: Luiz Torres/DL)

“A ideia é que a Ecovias participe do ordenamento do tráfego, garantindo que os caminhões fiquem estacionados tanto lá em cima quanto no Ecopátio, e que só desçam para a Baixada no momento adequado. Esse é um dos principais fatores de sucesso que tivemos ano passado. Você consegue ordenar  o acesso dos caminhões ao Porto de Santos, garantindo assim que uma eventual sobrecarga de caminhões fique retida no planalto. Eles só descem à medida que o terminal tenha capacidade de receber as cargas”, explicou o secretário.

Para Eliezer da Costa Giroux, vice-presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem papel fundamental para que o agendamento seja cumprido. “Ela é o órgão competente para fazer essa fiscalização. A ANTT vai ter um papel fundamental para que ela fiscalize o motorista para que ele se agende e cumpra esse horário agendado. Isso é muito importante”.

Fórum discute soluções

O Fórum Operação Safra também discutiu outros temas relacionados à temporada de grãos. Segundo o superintendente do Ministério da Agricultura em São Paulo, Francisco Sérgio Ferreira Jardim, é necessário conversar sobre ações para diminuir gargalos ainda existentes.

“Essa reunião é justamente para identificar os gargalos e ter ações importantes sobre isso. A questão do agendamento foi uma das ações importantes para a gente possa ter um fluxo que não venha trazer problemas. Algumas empresas já estão trabalhando com contêiner de soja. Estufando contêiner fora da região de Santos. Isso também é um facilitador. Algumas políticas estão sendo montadas”, explicou Jardim.

Luis Claudio Santana Montenegro, diretor de planejamento da Codesp, falou sobre a importância do fórum. “Fizemos um trabalho conjunto de organizar o fluxo que entra e sai do Porto do Santos. Essa organização mostrou um resultado muito importante no ano passado. Nós não tivemos problemas com filas. A ideia é que o fórum seja um marco do início dos trabalhos desse ano. A gente começa essa mobilização muito forte para trabalhar em duas frentes. Uma é a organização, tratando do agendamento e do acesso, e outra com contingências, qualquer coisa que aconteça de forma inesperada, estamos mobilizados para responder rapidamente”.

Logística pode alterar características do Porto de Santos

A logística para o transporte de grãos pode alterar o tipo de exportações realizadas no Porto de Santos. De acordo com Miguel Mário Bianco Masella, secretário de Política dos transportes do Ministério dos Transportes, a pasta tem investido em novas saídas para escoar a soja oriunda do Centro-Oeste para portos da região Norte. 

Para o secretário, isso pode trazer novas movimentações para o Porto. “São Paulo continua sendo o principal porto do País. Na medida em que você tem a produção de soja, que é um produto primário, dirigido para os portos do Norte, vai sobrar mais espaço para produto industrial, que são cargas conteinerizadas de maior valor”.

No entanto, Masella garante que as medidas adotadas pelo ministério não irão prejudicar o Porto de Santos. “A carga de Santos vai vir para Santos. O que não tem cabimento são as cargas do Amazonas virem para Santos. O que virá para Santos é a área natural de influência do Porto, como Mato Grosso do Sul, Goiás e Triângulo Mineiro”.

Já sobre a questão do agendamento, o secretário acrescentou que, além de diminuir os gargalos rodoviários na Região, a medida reduziu o preço do frete. “Como o caminhão não perde mais tempo na fila, ele pode fazer mais viagens e com isso baixa o frete. Ele caiu de 5% a 10% em relação ao ano anterior”. 

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