Morre, aos 52 anos, o DJ santista Wagner Parra

Ele passou mal durante o projeto Vitrolada, que ocorria na noite de ontem, no Torto MPBar. Parra foi socorrido, mas faleceu devido a uma parada cardíaca

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11 FEV 201509h51

A cena cultural santista está de luto. Morreu, na noite da madrugada de hoje (11), o DJ e sonoplasta Wagner Parra. Ele passou mal durante o projeto Vitrolada, que ocorria, no Torto MPBar, em Santos. Após ser socorrido, Parra foi levado às pressas ao hospital da Unimed, porém após parada cardíaca, não resistiu.

Após velório, realizado à tarde, o corpo de Wagner Parra foi cremado, às 19 horas, no cemitério Memorial, em Santos.

O proprietário do Bar do Torto, Michel Pereira, publicou uma nota lamentando o falecimento de Parra. “Amigos, nossa próxima Vitrolada vai ser direto do céu, onde nosso DJ Wagner Parra mora desde esta madrugada. Juntem todas as energias positivas para que seja um momento de paz. Logo mais avisamos sobre a despedida”.

Julinho Bittencourt é músico e amigo de longa data do DJ. Ele recordou o começo da amizade com Parra. “Éramos amigos desde sempre. O Wagner era um menino pobre naquela época. Trabalhava de office boy em várias empresas. Ele entrou na Faculdade de Comunicação, mas não concluiu. Estudamos na mesma época.  Ele largou tudo e começou essa história de buscar discos e vender. Ele entrava no bar com uma caixa cheia de LP’s e vendia para nós. Desde moleque”.

O músico ressaltou que o amigo era reconhecido pelo conhecimento em relação à música e pelo vasto acervo, de mais de 30 mil discos. “O cara era uma referência e não só de Santos. Tem muito lojista de São Paulo que passava uma vez por semana ou a cada 15 dias para pegar coisa com ele. Ele tinha muito bom gosto. Tudo que eu gravava e produzia, eu levava para ele. Ele conhecia o negócio, sabia do produto. Ele enxergava coisas que o músico não vê. Tinha uma sensibilidade além da música”.

Julinho também lembrou da personalidade do sonoplasta. “Ele era um apaixonado. Não fazia nada que não gostasse. Não adiantava você querer contratar o Wagner para tocar música eletrônica porque ele não ia, mesmo que fosse para ganhar muito dinheiro. Ele era teimoso. Tinha militância política, musical. Ele era um cara fora do eixo. Não se enquadrava em esquema nenhum. Uma perda que não tem tamanho. Para mim, um dos maiores amigos que tive na vida”.

Amante de discos, Wagner Parra era dono da “Disqueria Santos”, que ele definia como “loja de resistência”. Com um acervo de 30 mil discos, ele foi personagem do Papo de Domingo, na edição do dia 21 de setembro do ano passado do Diário do Litoral. Em sua última entrevista para o Diário do Litoral, o DJ, crítico do cenário cultural da Cidade, ironizou a situação em que se encontra a Concha Acústica. “Santos volta ao tempo que os escravos não podiam usar seus instrumentos de percussão, porque a elite branca se incomoda”, disse.

Morreu, na noite da madrugada de ontem (11), o DJ e sonoplasta Wagner Parra (Foto: Matheus Tagé/DL)

Repercussão

A morte de Wagner Parra também repercutiu nas redes sociais.

Confira alguns relatos:

“Ao mestre das Vitrolas, obrigado por nos fazer dançar e apreciar a boa música, garimpada na ponta dos dedos e pelos ouvidos refinados deste homem da arte e cultura, alma boníssima, humor ímpar e caro amigo de uma Santos de outrora! DJ Parra, o céu está em festa”. (Fabio Alexandre Nunes, o Professor Fabião – secretário de Cultura de Santos)

“Estou consternada com a notícia, mas é assim que quero lembrar do amigo e companheiro Wagner Parra: feliz e com um sorriso no rosto, como nesta ocasião, quando tive a honra de ser convidada para uma das já famosas Vitroladas do Torto, projeto que ele tocava com tanta alegria. DJ por profissão, era profundo conhecedor de música e tinha um repertório latino dos mais aguçados. Sem vaidades, gostava de transmitir conhecimento e era um atento observador da cidade de Santos. Ainda muito jovem, foi praticamente um dos fundadores do PT em Santos, sempre idealista e fiel a seus princípios, até o fim. Vai deixar saudade. Já faz muita falta. Companheiro Wagner Parra! Para sempre presente!” (Telma de Souza – deputada estadual)

“Morre Wagner Parra, militante cultural de Santos, que conheci em 1980, quando estudava jornalismo na Faculdade de Comunicação da Unisantos. Por um período curto, compartilhamos a mesma trincheira, mas depois buscamos outras companhias e caminhos, muitas vezes para tentar alcançar os mesmos objetivos, especialmente no que dizia respeito à Democracia e a Justiça Social. Nunca faltei com respeito ao Parra, mesmo quando discordava dele! Me solidarizo com a sua companheira Cláudia e desejo que descanse em paz!” (Raul Christiano – ex-secretário de Cultura de Santos)

“Vou sentir muita falta das nossas conversas, comparando as ‘cavalices’ que fazíamos com os clientes. Mas ainda assim, ele é querido o bastante para que a notícia de sua partida repentina seja o talk of the town hoje, e podem acreditar, mesmo aqueles que diziam não ir com a cara dele, estão bastante chateados. Para o bem ou para o mal, isso é deixar a sua marca, e acho que ela ainda ficará por muito tempo”. (Johnny Hansen – vocalista e guitarrista da banda H.A.R.R.Y.)

"Um grande amigo, mestres das Vitrolas, que me mostrou o que era a boa música uma perda irreparável pra música, pra cidade e que fará muita falta em nossas vidas" (André “Pinguim” Ruas – baterista da banda Bula).

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