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Bola ao Léo

Botafogo: A maior pipocada do futebol brasileiro

A bola pune. Já diria Muricy Ramalho. Um time que tanto encantou no primeiro turno e ganhava jogos sem fazer esforço, viu sua vantagem de 13 pontos se esfacelar em um estalar de dedos. Não apenas perdeu a liderança, perdeu também a segunda, a terceira e a quarta posição.

Além dos 13 pontos de vantagem perante ao Palmeiras, a equipe chegou a abrir 20 pontos de vantagem para o Atlético-MG, 15 pontos de vantagem para o Flamengo e 14 pontos de vantagem para o Grêmio. O Botafogo chega para a 38ª rodada atrás de todos, com a chance de vaga no G-4 sendo considerada uma zebra.

O Glorioso não conquista um Campeonato Brasileiro desde 1995, ainda sob o comando do atacante Túlio Maravilha. Desde então, foram raras até mesmo as vezes que o clube conseguiu garantir vaga na Libertadores. A última grande campanha foi em 2013, com Seedorf sendo o grande destaque da equipe que acabou na quarta posição e garantiu presença na Libertadores. Dez anos depois, talvez nem o quarto lugar seja possível.

Perder um título após ter vantagem não é novidade. O São Paulo de 2020-21 de Fernando Diniz chegou a abrir 7 pontos de vantagem e não foi campeão. O Palmeiras de 2009 também abriu uma margem na liderança e acabou fora da Libertadores, na quinta posição. Mas jamais foi visto algo como este ano. 13 pontos de vantagem. Sofrer virada contra Palmeiras e Grêmio em casa de formas inaceitáveis. Isto sem citar o vexame contra o Coritiba, tomando um gol logo após fazer o seu. Esta partida foi algo inacreditável.

Diego Costa, centroavante do clube, foi bem preciso em sua entrevista pós-jogo contra o Cruzeiro - um empate que tirou de vez a chance de título do Fogão, ainda com uma rodada de antecedência. O atacante falou sobre a sensação de "oba-oba" que surgiu após o primeiro turno ganho com sobras. Como o próprio atleta disse, a torcida tem o direito de comemorar do jeito que achar melhor. Ainda mais quando é a apoiadora de um clube que passou por tantos problemas anos anteriores e poderia enfim soltar o grito da garganta. Mas os jogadores não, eles são profissionais.

Será um eterno "e se", principalmente para a torcida botafoguense, mas também para as demais, o tópico Luís Castro. Se o treinador permanecesse para comandar a equipe que vivia ótima fase, que dava shows seguidos no Nilton Santos e até fora dele, será que teríamos o campeão carimbado? Ninguém poderá afirmar com certeza o que teria ocorrido, afinal, fica apenas na hipótese.

O Botafogo teve personagens marcantes e que exemplificam a queda de rendimento. Tiquinho Soares foi o melhor jogador do 1º turno, e após passar por uma lesão, e com problemas pessoais, viu seu desempenho em campo despencar. Perdeu a artilharia do torneio, e perdeu o pênalti que carimbou a virada do Palmeiras em um jogo histórico.

Lucas Perri, que chegou a ser convocado para a seleção, foi o herói do gol rodadas atrás. Mas recentemente, protagonizou diversos lances questionáveis. Adryelson, zagueiro da equipe, também chegou a ser convocado, e foi outro que praticamente não desempenhou mais nenhuma boa partida com a camisa alvinegra. 

Temos ainda Marlon Freitas, que irritou a torcida com aquela "piscadinha" no jogo contra o Palmeiras, e o lateral Rafael, que conviveu com lesões na temporada, jogou pouco, mas fazia questão de sempre aparecer zombando dos rivais e celebrando a liderança do time da estrela solitária. Apareceu fazendo memes elogiando o Botafogo, cansou de criticar o Bruno Lage, e na má fase, praticamente só foi visto respondendo críticas de torcedores nas redes sociais.

Tantos nomes citados são necessários para tornar explícito que a culpa não foi de um ou dois jogadores. Para perder o título mais ganho da história, foi necessário muito empenho (ou falta dele). Cláudio Caçapa foi o último a passar pela equipe e ainda fazer o time render, mesmo que por poucos jogos. Lage mexeu no time, Lúcio Flávio foi decepcionante, e Tiago Nunes parece perdido chegando nesta reta final.

Palmeiras merece elogios por ter buscado um título que parecia impossível. Felipão merece uma salva de palmas de pé, por ter assumido um time esfacelado e chegar a brigar pelo título até a última rodada. Grêmio de Suárez, Flamengo de Tite, até mesmo o RB Bragantino de Pedro Caixinha, todos merecem elogios. Mas o foco desta coluna não é falar dos "heróis", mas sim da equipe que mais decepcionou sua torcida.

Flamengo perdeu tudo que disputou no ano, mas tem uma expectativa de melhoria para 2024. Fluminense viveu a melhor temporada de sua história e ainda pode acabar também com um Mundial em sua estante. E até mesmo o Vasco, que ainda briga para não cair, deve estar mais feliz do que a torcida botafoguense. É, aquela frase que afirma que "tem coisas que só acontecem com o Botafogo", nunca fez tanto sentido.

O campeonato "mais maluco da história" chega na última rodada com o campeão encaminhado, o G-4 estabilizado e com o Z-4 quase definido e sem a nota de corte tão alta como esperada. O futebol surpreende até quando a surpresa simplesmente não acontece.

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