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Automotor

As apostas da indústria automobilística na Agrishow

No embalo da boa fase da agropecuária no Brasil, setor automotivo aproveita a vitrine dagrishow 2022

Em 2019, a última edição presencial da Agrishow, foram fechados negócios na ordem de cerca de R$ 2,9 bilhões / Divulgação

A Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), realizada anualmente na cidade paulista de Ribeirão Preto, voltou a ser presencial em 2022, após dois anos em formato virtual por causa da pandemia do coronavírus. A 27ª edição da maior exposição de tecnologia agropecuária da América Latina, de 25 a 29 de abril, reuniu cerca de 800 expositores. Ao lado de tratores, implementos agrícolas, sistemas de irrigação e afins, a indústria ligada ao transporte de cargas e de passageiros teve grande destaque e ocupou parte expressiva dos 440 mil metros quadrados ocupados pela exposição. E não é para menos. Afinal, com a elevação dos preços do dólar e das principais “comodities” agropecuárias, o setor do agronegócio ligado à exportação tornou-se um consumidor “vip” não apenas de caminhões, mas de outros veículos de elevado valor agregado – principalmente picapes e utilitários esportivos. Prova disso pode ser vista no dia da abertura do evento, no gigantesco engarrafamento para acessar o Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste (Centro de Cana), local da Agrishow. Provavelmente, foi uma das maiores aglomerações de picapes de alto luxo já vistas no Brasil.

No setor de caminhões, o agronegócio representa algo entre 40 a 50% das vendas no Brasil, dependendo da marca. No caso da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que liderou as vendas nacionais de caminhões em 2021, os “grandalhões” das linhas de extrapesados Constellation e Meteor acabaram um pouco ofuscados por um “colega de vitrine” bem menor. Trata-se do Delivery 11.180 4x4, único caminhão leve com essa configuração na categoria no Brasil.  Com ângulos de entrada e saída maiores, o veículo traz bloqueio entre os eixos para mais eficiência em terrenos acidentados e de baixa aderência. Também conta com controle de tração, função essencial para a aplicação. Outro recurso do veículo é a roda livre na tração dianteira, tecnologia que permite um menor consumo de combustível e maior durabilidade do diferencial quando a tração integral não se faz necessária. O eixo trativo dianteiro, desenvolvido pela Volkswagen Caminhões e Ônibus em parceria com a Dana, conta com uma caixa de transferência Marmon Herrington com dupla velocidade. O Delivery 11.180 4x4 tem peso bruto total de 10,7 toneladas, podendo transportar até cinco vezes mais carga do que as picapes 4x4. A agilidade é reforçada pelos 175 cavalos de potência e torque máximo de 61 kgfm em uma ampla faixa de rotações.

Principal concorrente da Volkswagen na disputa pela liderança do mercado brasileiro de caminhões, a também alemã Mercedes-Benz tem uma ampla linha de modelos vocacionais ligados ao agronegócio, nas linhas Actros, Axor e Atego. A vedete da marca da estrela de três pontas na Agrishow é o Axor 3131 com direção autônoma, desenvolvido em parceria com a Grunner. O modelo fora-de-estrada já opera vinte e quatro horas por dia na colheita da cana-de-açúcar no interior de São Paulo, região considerada a maior produtora do país. “Esse Axor 3131 se destaca pela tecnologia e conectividade, que desenvolvemos em conjunto com a Grunner. A direção autônoma é controlada por um sistema que inclui piloto automático, GPS e georreferenciamento, sendo utilizada exclusivamente nos trechos mapeados da fazenda onde é feita a colheita”, explica Archim Puchert, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina.

            Na Scania, os caminhões movidos a gás e/ou biometano que são os atuais “xodós”. Assim, os pesados R 500 6x2, R 540 6x4, G 410 6x4 XT, todos abastecidos com GNV ou GNL, ocupavam os lugares mais nobres do estande da marca sueca. Mas a grande atração da empresa na Agrishow 2022 é um modelo movido a diesel. Trata-se de um P 280 8x4 com automação nível 2, que inclusive foi apresentado em ação aos visitantes para testes de direção, na área de test-drive do evento. Foi a primeira aparição pública do canavieiro autônomo da Nova Geração de caminhões da Scania. O robusto eixo traseiro tem capacidade máxima de tração (CMT) para 150 toneladas. O peso bruto total (PBT - soma dos pesos do caminhão, do implemento e da carga em ordem de marcha) chega a 50 toneladas.

No segmento de picapes e utilitários esportivos, embora todas as marcas que comercializam modelos nos dois segmentos estivessem presentes, os estandes que mais juntaram gente foram o da Nissan e o da Ford. No da marca japonesa, o foco das atenções era a nova Frontier. A Nissan aproveitou o evento para anunciar que a renovada picape está chegando agora às concessionárias brasileiras. O modelo também pode ser visto e testado em uma pista preparada junto ao estande da marca. Com preços de R$ 230.190 a R$ 314.590, a nova Frontier agora ela tem seis versões. Além das configurações S, Attack e XE, disponíveis no modelo anterior, há as novas opções SE, Platinum e a diferenciada Pro-4X. As duas últimas dividem o topo da linha com foco em públicos distintos.

Já no estande da Ford, o modelo que mais atraia os olhares não estava disponível para testes e sequer está à venda no Brasil – pelo menos por enquanto. A Ford anunciou na Agrishow que lançará a F-150 no Brasil em 2023. E um exemplar branco da versão Lariat, posicionado no centro do estande, juntou muita gente em volta. A picape grande complementará a linha da marca no país – atualmente composta apenas por modelos importados, com as picapes Ranger (trazida da Argentina) e Maverick (do México), os utilitários esportivos Bronco (do México) e Territory (da China), as versões Minibus e Furgão da Transit (do Uruguai) e o cupê esportivo Mustang Mach 1 (dos Estados Unidos). Todos os modelos compareceram ao estande da marca na Agrishow e as picapes (exceto a F-150) e os SUVs estavam disponíveis para testes. A F-150 é o principal modelo da Série F, linha de picapes mais vendida dos Estados Unidos há 45 anos e o veículo líder de vendas do mercado norte-americano nos últimos 40 anos. Atualmente na décima quarta geração, a picape comemorou, em fevereiro deste ano, o marco de 40 milhões de unidades produzidas. A F-150 já é vendida na Argentina, Colômbia, no Chile, Peru e Equador, sendo o modelo líder no segmento de picapes grandes na América do Sul.

Na Chevrolet, a atração era a versão Z71 da picape S10, apresentada no início do ano. Porém, na prática, um vistosíssimo cupê Camaro vermelho, posicionado na entrada do estande, era quem mais servia de cenário para as “selfies” dos visitantes. Marcas como Toyota, Mitsubishi, Volkswagen, Jeep, Fiat, Peugeot e Land Rover, sem novidades tão recentes para apresentar, aproveitavam para exibir seus produtos para os grandes capitalistas do setor agropecuário brasileiro, que atualmente é responsável por cerca de 27% no PIB do Brasil. Em 2019, a última edição presencial da Agrishow, foram fechados negócios na ordem de cerca de R$ 2,9 bilhões. Neste ano, a expectativa é que sejam gerados mais de R$ 5 bilhões.

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