Alta do dólar não preocupa, diz secretário do Tesouro

'O Banco Central tem instrumentos para lidar com isso. Por enquanto, não preocupa', avaliou o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Facundo de Almeida Junior

Comentar
Compartilhar
16 MAI 2018Por Agência Brasil14h25
A alta do dólar vem ocorrendo mesmo com ajustes na atuação do Banco Central no mercado de câmbioFoto: Arquivo/Agência Brasil

A alta do dólar, por enquanto, não preocupa por ser um movimento de curto prazo, avaliou o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Facundo de Almeida Junior, hoje (16), após participar de reunião da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

“O Banco Central tem instrumentos para lidar com isso. Por enquanto, não preocupa. É bem diferente de 2002 e de outros anos. Naquela época, tinha o problema da dívida pública. Não é caso agora”, disse.

Mansueto de Almeida lembrou que, em 2002, com a alta dólar, a dívida líquida do setor público disparou porque o país tinha nível baixo de reservas. Agora, argumentou, o país é credor líquido em moeda estrangeira, ou seja, tem mais ativos do que dívidas no exterior. A dívida pública cai quando há alta do dólar, porque as reservas internacionais, o principal ativo do país, são feitas de moeda estrangeira.

“Quando o dólar sobe, a dívida líquida cai, porque o Brasil hoje é credor líquido em dólar. É bem diferente de 2002, quando disparou o dólar. A divida líquida disparou porque Brasil era devedor líquido em dólar e tinha um nível de reserva baixo”, afirmou.

Segundo Mansueto, o dólar está se valorizando em relação a várias moedas de países emergentes e ao euro. “Essa coisa de volatilidade é muito de curto prazo, muito de atuação de mercado”, disse. Um fato adicional, acrescentou o secretário, é que o déficit em conta-corrente é “muito pequeno”, abaixo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. “É um resultado muito menor do que entra de dinheiro como investimento externo”, destacou.

Banco Central
O secretário acrescentou que o Tesouro sempre conversa com Banco Central. “A questão de taxa de câmbio e juros é com o Banco Central; fiscal é Fazenda e Planejamento. Então, cada um na sua área de atuação. O que há, e o que é comum, é um bom e excelente diálogo dentro da equipe econômica”, afirmou o secretário.

Hoje (16), às 13h, o dólar estava cotado a R$ 3,68, com alta de 0,55%. Ontem, pelo terceiro pregão consecutivo, o dólar fechou em alta, cotado a R$ 3,66. A última vez que o dólar ultrapassou esse valor foi no dia 7 de abril de 2016, quando encerrou o dia vendido a R$ 3,694.

A alta do dólar ocorre mesmo com ajustes na atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Na última sexta-feira (11), após o fechamento do mercado, o banco anunciou ajustes nos leilões de contratos de sawps cambiais, equivalentes à venda de dólares mercado futuro. O BC passou a fazer leilões com vencimento em junho e antecipou operações adicionais. Com os ajustes, ontem o BC iniciou ontem a oferta diária de rolagem integral de 4.225 contratos, com vencimento em junho. Além disso, passou a fazer a oferta adicional de 5 mil novos contratos ao longo do mês e não apenas ao final como estava previsto.

Ontem, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia afirmou que a alta do dólar nos últimos dias é um movimento internacional de fortalecimento da moeda dos Estados Unidos e que isso tem ocorrido em todos os países emergentes. "O Brasil não está imune a isso", afirmou Guardia, defendendo a manutenção da estratégia de ajuste fiscal do país.

Diário da Copa

RUSSIA 2018
Faltam
dias para a Copa

Colunas

Contraponto