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“Túnel é viável e bem mais barato do que anunciado pelo Estado”

Orlando Augusto da Silva, presidente da Associação Brasileira do Parceiro Público-Privado (ABPPP), diz que para viabilizar a obra seria necessária apenas uma ligação seca, e que ela se faz necessária.

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14 JAN 2018Por Carlos Ratton09h53
presidente da Associação Brasileira do Parceiro Público-Privado (ABPPP), Orlando Augusto da Silva, disse que há sim condições de colocar em prática a, prometida, ligação seca.Foto: Rodrigo Montaldi/DL

O Governo Paulista já anunciou uma ponte, inaugurou a maquete dela, depois optou por um túnel, gastou dinheiro com estudos, organizou audiências públicas para discutir o local junto com a DERSA, gerou especulação imobiliária, muita discussão pública e, no final, a ligação seca entre Santos e Guarujá, ao custo estimado de R$ 3,2 bilhões, não saiu do papel, para o descontentamento de cerca de 25 mil motoristas que atravessam, diariamente, o canal do estuário santista.

A desculpa é: atualmente não há recursos públicos para a obra prometida há oito décadas, pelo menos. O consultor e presidente da Associação Brasileira do Parceiro Público-Privado (ABPPP), Orlando Augusto da Silva, disse que há sim condições de colocar em prática a, prometida, ligação seca. Confira a entrevista:

Diário do Litoral – Esse tão esperado túnel é viável?

Orlando Augusto – Não só viável, como necessário. O Poder Público não tem dinheiro para essa obra. Acabou. Não há recursos para investimentos. Neste sentido, a alternativa mais viável é a Parceria Público-Privada (PPP), por intermédio de uma licitação internacional, para uma travessia seca.

Diário – O Estado faria a PPP?

Orlando Augusto – Não, basta que os prefeitos Paulo Alexandre Barbosa e Válter Suman se unam e viabilizem a PPP. O Estado não precisa participar de nada. Só seria necessário uma autorização da Marinha, do Governo Federal. Se o Estado (não o governo) não se manifesta em providenciar o serviço público, o gestor local (município) pode providenciar um consórcio intermunicipal e efetuar a PPP. Existe lei para isso já instituída em ambos os municípios.

Diário – E os bancos internacionais?

Orlando Augusto – Só emprestam por intermédio de PPP porque quer ter garantia de recebimento. Acabou esse negócio de pegar dinheiro de bancos estrangeiros e dar calote.

Diário – Existe investidor estrangeiro interessado?

Orlando Augusto – Sim. E ele busca investir no que trará retorno financeiro, nem que seja de longo prazo. Cerca de 25 veículos pagam para atravessar o canal todos os dias. Um túnel deve pelo menos dobrar ou triplicar esse volume. Muitas pessoas não atravessam por conta da espera nas filas. Você acha que o arrecadado não interessaria o empresariado estrangeiro? É retorno em curto prazo.

Diário – A travessia seca beneficiaria não só o turismo, como os trabalhadores e comerciantes de Santos e Guarujá?

Orlando Augusto – Não tenho dúvidas disso. Ficar parado na fila custa tempo e dinheiro. Um túnel acabaria até reduzindo o valor da tarifa de travessia. Estamos utilizando uma máquina de escrever (se referindo a travessia por balsas) quando poderíamos estar utilizando um computador. O pessoal reclama da demora para atravessar, mas se houver aumento do volume de cargas no porto, a espera será muito maior. É preciso acabar com esse martírio.

Diário – O valor, mais de R$ 3 bilhões, é real?

Orlando Augusto – Não sou especialista, mas após consultar especialistas e empresários estrangeiros, tenho convicção que um túnel para atravessar cerca de 400 metros de canal custaria no máximo R$ 600 milhões. O investidor que anos atrás me consultou se interessou que o traçado fosse na Ponta da Praia. Eu não vejo também outra alternativa melhor.

Diário – Mas falou-se no final do Canal 4.

Orlando Augusto – Isso é incogitável. Não dá retorno financeiro e nem atrai investidores. Não dá para investir num projeto só para atender o porto. Em 2010, um investidor me disse que se interessou em financiar o túnel na Ponta da Praia e disse que faria a obra por R$ 400 milhões. Eu acredito que é o valor real, pois seriam R$ 100 milhões para cada 100 metros (um milhão por metro). Você acha pouco? Existe tecnologia suficiente para minimizar custos, mas é preciso vontade política.

Diário – O túnel traria desenvolvimento.

Orlando Augusto – E recursos para ambos os municípios. Só de Imposto Sobre Serviços (ISS) seria uma fortuna. As administrações não iriam gastar um tostão. Basta viabilizarem um consórcio intermunicipal, abrir licitação para uma PPP internacional e legalmente só pode ser assim. O Estado já tem os projetos prontos há anos. Túnel é viável e bem mais barato do que anunciado pelo Estado.

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