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Conselho de Técnicos em Radiologia deve fiscalizar Baixada Santista

Técnico de Raio X acionou Conselho Regional por conta, segundo ele, de abusos cometidos contra profissionais

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07 DEZ 2018Por Carlos Ratton07h40
Gilberto de Oliveira denunciou situação também ao Ministério do Trabalho, que deve abrir inquéritoFoto: Nair Bueno/DL

O Conselho Regional de Técnicos em Radiologia de São Paulo deverá iniciar um trabalho de fiscalização nas clínicas, laboratórios, hospitais e unidades de saúde da Baixada Santista por conta de abusos trabalhistas. O Conselho foi acionado pelo técnico de Raio X Gilberto de Oliveira. O profissional, que trabalhava em Santos para uma terceirizada que fornece mão de obra técnica para empresas da região, ainda acionou o Ministério do Trabalho, que também deverá abrir inquérito para apurar a situação.

Em entrevista ao Diário, ela revelou que há profissionais que chegam a trabalhar 12 horas por dia quando, no máximo, só poderiam trabalhar cinco em função da insalubridade e periculosidade as quais estão expostos. Equipes que deveriam ser formadas por, no mínimo sete técnicos, são montadas com três profissionais.

“A terceirizada que eu trabalhava só possuía nove técnicos e oferecia serviços para empresas de Santos, Praia Grande e Cubatão. Alguma coisa está errada, não?”, questiona.        

Por semana

À Reportagem, Oliveira ratificou que os profissionais que lidam com radiação só podem trabalhar 24 horas na semana (cinco horas por dia). “No máximo, um técnico pode trabalhar 120 horas/mês. Mas eu e outros colegas de trabalho já fizemos 320 horas/mês. Além disso, não há horário de almoço e nem descanso. Também não oferecem vale-transporte, adicional noturno, de insalubridade, férias e ainda salários indignos para o grau de risco: R$ 2.500,00”, afirma o técnico.

O técnico lembra os perigos do contato. “Todos sabem que exposição à radioatividade pode gerar câncer. Exames periódicos para nós estavam sendo exigidos uma vez por ano, quando o certo seria a cada seis meses. Está tudo errado na Baixada Santista. Poucas empresas trabalham correto. Posso arriscar dizer que de 10, duas ou três trabalham corretamente. No papel está tudo correto, na prática, tudo errado”, afirma Gilberto de Oliveira.

Medo

Gilberto de Oliveira completa revelando que a situação ainda não foi exposta por conta do desemprego.

“As pessoas têm medo de denunciar e ter as portas fechadas. Não aguentei mais e resolvi denunciar porque o que vem ocorrendo é ­desumano”.

Riscos ainda existem

Estudos apontam que os riscos pelo manuseio constante de máquinas que realizam diagnósticos por meio de imagens, dentre elas radiografias convencionais ou digitais, diminuíram muito, mas ainda existem. Eles foram publicados com intuito de mensurar os efeitos da radiação ionizante advinda do “Raio X”, e suas implicações no corpo humano a longo prazo.

Raio X pode prejudicar o organismo humano, de forma que os danos causados por eventos físicos, químicos e biológicos podem atingir tecidos e órgãos, afetando o funcionamento do corpo inteiro. A radiação é acumulativa e ao longo do tempo pode alterar as células do DNA e causar um câncer.

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