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Cidade da Criança busca parceria para realizar sonhos em Praia Grande

Complexo histórico da cidade tem potencial para se tornar o maior polo esportivo-educacional da região

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22 JUL 2017Por Carlos Ratton10h00
A sede administrativa da Cidade da Criança está entre as muitas edificações que precisam de poucas reformasFoto: Diário do Litoral

Enquanto muitos municípios brasileiros não têm um equipamento e nem área para montar um empreendimento que proporcione educação, esporte e lazer para crianças e adolescentes carentes e seus familiares, Praia Grande possui um espaço que poderia se tornar um dos maiores polos esportivos, educacionais e culturais da Região Metropolitana da Baixada Santista: a Cidade da Criança.    

Localizado no Jardim Solemar II, o complexo que tem uma área de 600 mil metros quadrados (200 mil metros quadrados de área ocupada e 400 mil metros quadrados de área preservada) chegou a ser considerado pela Unesco referência internacional no atendimento a adolescentes na década de 70. Atualmente, graças ao esforço do presidente Elio Rodrigues da Silva – que conseguiu regularizar toda a documentação do imóvel, a Cidade de Criança de Praia Grande está apta a retomar sua função: a formação.

Para isso, porém, segundo Elio Silva, seriam necessários um aporte de cerca de R$ 10 milhões de investimentos públicos ou privados, para recuperar suas edificações, melhorar os acessos, o saneamento básico e comprar maquinários.

“Colocamos a ‘casa em ordem’ e estamos abertos a investimentos. Temos potencial, numa primeira fase pós-preparação geral dos imóveis, a passar de 80 a 200 crianças assistidas, desenvolvendo atividades esportivas e extracurriculares, além de profissionalizantes, num momento de falta de oportunidades”, afirma o presidente.

Elio Rodrigues adiantou que a Diretoria Social já iniciou um trabalho de pesquisa de demanda, inclusive para atender os pais e mães das crianças que necessitarem de capacitação técnica para reingressar no mercado de trabalho. “Nosso estatuto já dizia que podemos promover ações para as crianças e também seus familiares”, revela.

Comodato

Segundo o presidente, havia um contrato de comodato firmado com a Prefeitura de Praia Grande que previa assistência operacional à Cidade da Criança.

“Estamos tentando uma audiência com o prefeito Alberto Mourão (PSDB), para colocar o equipamento à disposição do Município para receber parcerias que visem transformar a vidas das crianças e adolescentes da região. Precisamos conclamar o empresariado para que olhe para a Cidade da Criança”, argumenta o presidente que acredita que nada melhor que o prefeito Mourão para ser o porta-voz dessa empreitada não só com os empresários, mas com o Governo do Estado.

“Cursos de Maquiagem, cabeleireiro, depilação e manicure seriam facilmente iniciados em curto prazo. Temos um estudo que aponta que aqui caberia a implantação de cursos técnicos estaduais e federais. Basta o governador Geraldo Alckmin e a primeira-dama Lú Alckmin nos fazer uma visita para perceberem o potencial da Cidade da Criança. O avião está na rampa pronto para decolar”, completa o presidente­, que mantém o mesmo otimismo de quando assumiu a direção da entidade.

Com vários galpões, o complexo teria condições de realizar dezenas de cursos (Foto: Diário do Litoral)

O sonho da Diretoria Social

Um aporte financeiro, que proporcionaria a assistência de milhares de crianças e adolescentes de Praia Grande e região, é o objetivo da Diretoria Social da Cidade da Criança, composta por Cláudia e Lourival Andrade Júnior. Junto com o presidente, eles insistem no sonho de proporcionar uma vida melhor às crianças carentes.

Cláudia Creta foi a campo para entender as necessidades da comunidade e percebeu a falta de qualificação de mão-de-obra, principalmente na área da construção civil, que é o forte da Cidade.

“Como posso aceitar que um patrimônio histórico desse (Cidade da Criança), de 72 anos, esteja se perdendo por falta de investimento e divulgação. Nossa história não está sendo contada e isso impede investimentos. Temos um Instituto Neymar, que merecidamente tem tudo de bom e de melhor, e não olhamos da mesma forma para a Cidade da Criança. Somente no entorno moram cinco mil pessoas”, revela Cláudia.

A diretora acredita que o complexo, após retomada suas atividades de forma mais efetiva, tem potencial para atender mais de duas mil crianças.

“Temos um prefeito empreendedor e excelentes empresas em Praia Grande. Podemos montar inúmeros cursos para todas as famílias carentes da região. Podemos criar oportunidades de sobrevivência. Temos muitas ideias, mas precisamos de investimentos também de Santos e região”, finaliza.

O campo de futebol oficial, vestiários e aquibancadas estão entre os vários equipamentos esportivos que, com pequenas reformas, mudariam a vida de crianças (Foto: Diário do Litoral)

Um desperdício gigantesco

Imagine um campo de futebol oficial com vestiários e arquibancadas; uma quadra esportiva; oito pavilhões com 200 metros quadrados cada; alojamentos; um conjunto de seis casas e oito pequenos apartamentos, uma usina elétrica, uma lagoa com superfície de quatro mil metros quadrados; uma igreja e uma sede de 400 metros quadrados, com um consultório dentário montado, entre outros imóveis. Tudo pronto para ser reestruturado e colocado à disposição da população. É difícil não se revoltar ao ver um local tão grande sendo tão subaproveitado.

Um plano diretor, aprovado anos atrás pela diretoria da Cidade da Criança, chegou a vislumbrar a transformação de parte do local em um grande equipamento turístico, com setor de esportes, composto por um campo de futebol; uma quadra poliesportiva; um campo de futebol society e uma quadra de tênis. Um de alimentação e outro de recreação, que englobariam um restaurante; quiosques; sorveteria; loja de souvenir; piscina; pedalinho; pesca; nado recreativo; arborismo; trilhas ecológicas e outros e ainda um setor de hotelaria, com objetivo de gerar renda à entidade.

O Plano também contemplava uma fazenda, com horta, poço, estábulo, lago e viveiro; uma escola técnica, que ministraria cursos de informática; petróleo e hotelaria; e um setor Administrativo. A Prefeitura ocuparia o setor destinado à educação municipal, e o restante do espaço abrigaria os setores religioso; ilha técnica; geração de renda; horto florestal; industrial e projetos especiais.

Anos de expectativas  

Fundada em 1960, com apoio de empresários e beneméritos da Baixada Santista, a Cidade da Criança, quando começou a funcionar, contava com maquinário industrial moderno, com o qual os jovens passavam por cursos profissionalizantes como mecânica, tipografia, marcenaria, fábrica de sapatos. Através do curso de panificação, por exemplo, a entidade chegou a fornecer 1.500 pães diariamente à Santa Casa de Santos.

Nas últimas décadas, com a rigorosidade das leis de defesa da criança e do adolescente e os vários altos e baixos da economia brasileira, a entidade passou a ter dificuldades para sobreviver e só conseguiu um fôlego econômico após vender parte da área para a Prefeitura de Praia Grande construir uma escola.  

Em 2001, havia um projeto de recuperação do complexo educacional, em que a Cidade da Criança seria transformada numa vila olímpica, com auditório e fazenda experimental. A proposta não saiu do papel porque o empreendimento não despertou a atenção dos investidores regionais.

Em 2005, o prefeito Alberto Mourão havia anunciado um projeto que previa investimentos de R$ 4 milhões ao longo de uma ano na Cidade da Criança. A ideia era transformar o complexo em uma escola de período integral, com laboratórios, teatro, prática esportiva e ensino para o trabalho. Ele também havia prometido reformar os antigos salões e o anfiteatro, de forma que, enquanto uma turma de estudantes estivesse na sala de aula, a outra estaria aprendendo uma profissão ou praticando uma atividade esportiva ou cultural. Tudo ficou só no sonho dos admistradores.

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