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Aluguel de cômodos é opção de renda em época de crise

Aplicativo de hospedagem une quem quer anunciar com quem procura estadia sem burocracias

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17 JUL 2017Por Vanessa Pimentel11h00
Em busca de renda extra, Sandrine passou a alugar o quarto da própria casa. Alternativa deu tão certo que o imóvel foi adaptado para acomodar melhor os hóspedesFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Em tempos de crise econômica, o que não faltam por aí são dicas do que fazer para conseguir um dinheiro extra. Alugar imóveis sempre esteve entre essas opções, porém, se antes era necessário enfrentar a burocracia da aprovação dos documentos e longos contratos, a tecnologia dos aplicativos acabou com essas dificuldades.

E foi através de uma plataforma online que André Poli viu a oportunidade de ajudar a mãe a garantir um dinheirinho a mais no fim do mês. Ele conta que no ano passado, depois da separação dos pais, a situação financeira se tornou motivo de preocupação.

“Eu fui morar um tempo nos Estados Unidos e meu quarto ficou vago, daí eu e minha mãe conversamos e decidimos que iríamos alugar o espaço. No início ela ficou um pouco preocupada, mas quando viu que o site era seguro e mostrava a avaliação do hóspede antes de autorizar a hospedagem, ficou mais confiante”, explica André.  

De acordo com ele, o primeiro hóspede foi um casal que queria conhecer a cidade de Santos. A experiência foi tão positiva que eles se tornaram amigos e até hoje, mesmo com André já de volta ao Brasil, o quarto continua anunciado no site Airbnb, uma plataforma digital que liga pessoas que desejam anunciar seu espaço para hospedagem a pessoas que buscam uma estadia.

Desde então, a família já hospedou gente do Brasil todo e até de outros países, que vêm a cidade por diversos motivos. “Tem gente que vem a trabalho, daí fica uma noite só. Outros vêm para passar feriados ou finais de semana. Quando o hóspede vem de fora do país, a gente se vira no ‘portunhol’ e dá tudo certo”, brinca.

O apartamento, localizado no canal 2, oferece um quarto, mas o hóspede tem direito a usar os cômodos em comum, como banheiro e cozinha e a diária sai por R$150. “O quarto fica só para o visitante e eu fico no quarto da minha mãe”, conta André.

O agrônomo Maykon Clemente possui um apartamento na orla de Praia Grande, na Vila Tupi, e em busca de renda extra também viu no aluguel do imóvel, uma opção para economizar.  No caso dele, não só um cômodo, mas todo o apartamento fica disponível para quem aluga. Ele conta que durante os fins de semana vai para Santos e como a família é do interior, viaja para lá no fim do ano, por isso o apartamento ficava fechado por mais de 20 dias.

“Foi aí que surgiu a ideia de anunciá-lo e faço isso desde dezembro do ano passado. O valor que ganho me ajuda a pagar as contas do apartamento, como IPTU e condomínio. É muito prático, sem contrato e a reserva é feita pela internet. Deixo as chaves na portaria e um termo de responsabilidade. Nunca tive problema, ao contrário, acho legal poder dividir um espaço que antes ficava fechado e oportunizar que outras pessoas conheçam nosso litoral”, diz Maykon.

A frequência e a diária variam de acordo com a época. “Como agora é inverno e estamos em baixa temporada, cobro R$80”, explica o agrônomo. Porém, com a crise, ele conta que a concorrência aumentou e como Praia Grande é uma cidade turística, muita gente está oferecendo hospedagem.

“Para me diferenciar, deixo à disposição uma horta caseira com vários temperos que os hóspedes podem usar à vontade, além de Wi-fi, Netflix, check out até às 17h e animais de estimação”, detalha.

Crise e oportunidades na região

Se a crise é vista por uns como um momento difícil, para outros ela faz jus ao clichê e, de fato, traz uma oportunidade de mudar e aprender. Guilherme Arroyo Brandão pertence ao segundo perfil e segundo ele, sua família também.

Tanto que passaram a hospedar na própria casa, em São Vicente, turistas de todo canto do mundo com o objetivo de conhecer outras culturas e aprender novos idiomas.

“Começamos a fazer isso pela vontade de interagir e ajudar. Como eu moro com meus pais e minha irmã, a família toda se envolve. Já teve choro em despedida, casal que voltou ao Brasil para nos visitar, é uma experiência que acrescenta muito não só na troca de cultura, como no trato com as pessoas”, explica ele.

Já a francesa que reside no Brasil, Sandrini Billard, oferece um dos quartos do apartamento onde mora, na Ponta da Praia, em Santos, há cinco anos, também pelo aplicativo Airbnb.

Segundo ela, o uso compartilhado de cômodos em casa é algo comum na França. “Minha primeira hóspede foi uma menina húngara que veio a Santos para fazer intercâmbio e ver o namorado que trabalhava em navio. Ela ficou por três meses. Adoro essa experiência de conhecer pessoas. Já comi pratos de vários países que foram preparados dentro da minha cozinha!”, brinca Sandrini.

O filho, de 16 anos, também aproveita o contato para treinar o inglês. Alugar o quarto deu tão certo para eles, que Sandrini reformou a sala e transformou uma parte em mais um quarto. A diária sai por R$160, com café da manhã.

Durante a visita da Reportagem, Sandrini mostrou as fotos dos hóspedes, agora amigos, que já passaram pela sua casa, inclusive jornalistas da Costa Rica que vieram ao Brasil para cobrir as Olimpíadas.

E se as crises podem mesmo trazer novas oportunidades, Sandrine pode ser considerada parte deste ponto de vista. “Namoro há três anos um americano que veio passar uns dias em Santos com o filho e a gente está junto desde então. Sempre brinco que, no meu caso, o amor bateu na minha porta”, declara.

Renda Extra

Um relatório divulgado mês passado pela empresa Airbnb Brasil mostrou que em 2016, 20% dos anfitriões brasileiros disseram ter usado a renda para manter o lar (declarando que o dinheiro ajudou a evitar despejo ou perda do imóvel). O impacto econômico da plataforma já chega a R$2 bilhões para o país.

Ainda de acordo com o diagnóstico, o ganho anual de quem alugou o imóvel ou quarto pela Airbnb chegou a R$6.070 no ano passado e essa renda extra torna-se uma fonte importante para fechar as contas.

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