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Praça Júlio Prestes, ao lado da cracolândia de SP, será revitalizada

Local se transformou em ponto de aglomeração de usuários de drogas e afugenta moradores da região

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16 SET 2017Por Folhapress08h30
Ao menos a praça terá em breve uma cara novaFoto: Divulgação/Fotos Públicas

A saída da estação de trem Júlio Prestes, no centro de São Paulo, assusta quem não conhece a região. Bem próxima à entrada do terminal ferroviário está a cracolândia.

Por isso, a praça que fica ali em frente, também chamada Júlio Prestes, se transformou em ponto de aglomeração de usuários de drogas e afugenta moradores da região.

Ao menos a praça terá em breve uma cara nova. O governo do Estado vai reformar o local e promete entregá-lo até fevereiro. A reforma faz parte de uma parceria público-privada que prevê construir 1.202 apartamentos na região.

Desses, 1.130 serão subsidiados pelo governo para famílias com renda entre R$ 810 e R$ 4.344, e 72 serão postos no mercado, mas reservados a famílias com renda mensal de até R$ 8.100.

A reconstrução da Júlio Prestes (último presidente eleito da República Velha, impedido de assumir pela Revolução de 1930) está no escopo das obras para revitalizar o entorno da região.

A PPP envolve as secretarias de habitação do governo do Estado e da prefeitura, e as obras da praça serão tocadas pela construtora Canopus. O projeto apresentado prevê uma área para eventos, com capacidade para 5.000 pessoas, espaço infantil e recreativo e nova pavimentação e mobiliário urbano, além de nova iluminação e monitoramento por câmeras.

Na próxima segunda (18), o projeto será enviado a órgãos estaduais e municipais do patrimônio histórico e ao Depave (Departamento de Parques e Áreas Verdes, da prefeitura, que cuida das praças), que precisam aprová-lo.

A expectativa do governo é que em duas ou três semanas o projeto já tenha sido aprovado nesses órgãos. A partir daí começam as obras e, se tudo correr dentro do previsto, diz o secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia, a nova praça será concluída até fevereiro.

A praça vai ser a ponte entre a Sala São Paulo, espaço nobre de concertos, e a nova sede da Escola de Música Tom Jobim, do outro lado, em terreno onde ficava a antiga rodoviária –o término da construção da sede está previsto para agosto de 2019.

Cracolândia

Há 27 anos trabalhando no entorno da praça, o jornaleiro Luciano Sousa, 44, diz já ter visto outras reformas por ali e é crítico de sua efetividade.

"Para ficar mais bonito? Pode ser. Mas, se não tomar uma providência e resolver o que é a cracolândia, não adianta. É jogar dinheiro fora."
O mesmo diz Josélia Alves, 43, que há cinco anos trabalha como segurança na região. "É difícil trabalhar aqui e parece que só fica pior. O que vão fazer com os usuários? A praça vai recebê-los?".

Para a urbanista Raquel Rolnik, ex-relatora especial da ONU, os projetos urbanísticos na região têm "ignorado solenemente as pessoas e atividades que hoje ocupam esse lugar". "Em qualquer proposta de intervenção, tem de haver diálogo", diz.

O secretário Rodrigo Garcia responde: "A praça Júlio Prestes não é para acolhimento de morador de rua. Para isso, você tem os centros de acolhimento, albergues, clínicas especializadas. A praça é um espaço público para que todos possam utilizá-la".

Com a entrega dos prédios populares e com a rede de assistência social para combater o crack, a área será revitalizada, acredita o secretário.

"O morador da cidade é que ocupa esse espaço, que começa a conviver. Se não, fica um espaço ocioso. No final do ano que vem, vai ter praticamente 5.000 pessoas morando nesse complexo. Naturalmente, isso gera serviço, comércio, restaurantes. Tudo ajuda no processo de revitalização."

Três dos sete prédios com apartamentos do Complexo Júlio Prestes serão entregues até o primeiro semestre de 2018. A PPP prevê ainda uma creche e novo batalhão do Corpo de Bombeiros no local.

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