Um antigo conceito da psicologia, frequentemente (e erroneamente) atribuído a Sigmund Freud, mas pertencente ao filósofo William James, afirma que quando duas pessoas se encontram, seis estão presentes. Na dinâmica do relacionamento, cada uma está presente como se vê, como o outro a vê e como realmente é.
No entanto, segundo especialistas de Psicologia, o cenário contemporâneo impulsiona a necessidade de validação e as “vitrines” das redes sociais e infla esse número.
A teoria das ‘seis pessoas’
A teoria de James sobre o “Eu” (Self) propõe que a nossa identidade não é uma unidade sólida. Ela possui múltiplas camadas, divididas entre o sujeito que percebe (I) e o objeto percebido (Me), um tema central na Psicologia.
O “Me” se desdobra em três dimensões fundamentais. O primeiro é o eu material (nosso corpo e posses), seguido do eu espiritual (nossas faculdades mentais e consciência interna) e, o mais dinâmico de todos, o eu social.
James argumenta que possuímos tantas faces sociais quantos são os grupos ou indivíduos cujas opiniões nos importam. Por isso, a Psicologia ajuda a entender como adaptamos nossa personalidade de forma quase instintiva para navegar em diferentes contextos humanos.
Imagem projetada e necessidade de reconhecimento
Essa multiplicidade funcional revela que a imagem que projetamos nos outros é uma parte constituinte de quem somos, e não meramente uma encenação. Para James, o reconhecimento social é uma necessidade biológica tão vital que a ausência de um “espelho” nas pessoas ao redor poderia levar à aniquilação psíquica do indivíduo. A Psicologia aborda frequentemente este ponto.
Assim, sua teoria antecipa o interacionismo moderno ao sugerir que a personalidade é um processo fluido e relacional. Ela é constantemente moldada e validada pelas interações cotidianas. Esse processo transforma cada encontro humano em uma complexa negociação de percepções na Psicologia.
Mundo moderno: as oito faces de um encontro
Entretanto, para a psicóloga Samantha Martin Negrini, o desejo de conquistar ou impressionar o outro a qualquer custo está adicionando novos personagens a essa conta. Isso transforma o diálogo em um verdadeiro “teatro das aparências”, segundo a Psicologia moderna.
Segundo a especialista, quando os indivíduos optam por usar máscaras sociais deliberadas para garantir a aprovação do outro, a dinâmica salta de seis para oito pessoas no recinto. Como aponta a Psicologia, essas máscaras refletem adaptações comportamentais complexas.
“A conta fecha em oito quando somamos as ‘máscaras’ de cada um. Além de quem eu sou, de quem eu acho que sou e de quem o outro vê, surge o ‘quem eu quero que o outro acredite que eu seja’. É uma construção artificial, um personagem projetado especificamente para suprir a expectativa que eu imagino que o parceiro tenha”, explica Samantha Martin Negrini, especialista em Psicologia.
O risco da “fragmentação do Eu”
O alerta da profissional de psicologia recai sobre o desgaste emocional dessa estratégia, tema central em Psicologia. Manter um personagem exige uma energia psíquica monumental e, a longo prazo, pode gerar um distanciamento perigoso da própria essência.
“Quando você constrói uma persona para impressionar, cria uma dívida com a realidade que precisará ser paga mais cedo ou mais tarde. O problema de se apresentar por meio de uma máscara é que, se o outro se apaixonar, ele estará apaixonado por alguém que não existe. Isso gera uma insegurança constante: o medo de que a máscara caia e o ‘eu real’ seja rejeitado”, pontua Samantha, especialista em Psicologia.
Consequências para os relacionamentos
Para a especialista, essa “multidão” de personalidades em um encontro a dois impede a conexão real, como a Psicologia explica. Onde deveriam existir dois indivíduos vulneráveis e autênticos, existem agentes de marketing pessoal tentando fechar um negócio.
O resultado, conforme observa Negrini, é uma sociedade com relacionamentos cada vez mais efêmeros que, junto aos erros relacionados aos términos, torna as relações humanas mais difíceis. Não por acaso, a Psicologia contemporânea analisa esse fenômeno.
“Para que uma relação prospere, é preciso simplificar. É necessário desinflar essa sala, retirar as máscaras e permitir que as versões de cada um possam se integrar de forma honesta”, conclui a psicóloga, destacando um princípio da Psicologia.
