Dia da Terra: Por que a ONU diz que a humanidade declarou ‘guerra à natureza’

Mudanças climáticas, perda de espécies e poluição até no fundo do mar. O que é a tripla crise que ameaça a humanidade

Estudo revela que a atividade humana reduz drasticamente a presença de espécies em ecossistemas, enquanto relatórios da ONU apontam para um aquecimento global irreversível/Pexels

Em 2009, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o Dia Internacional da Mãe Terra, celebrado anualmente em 22 de abril. Com isso, a escolha da data demonstrou a preocupação global com a degradação ambiental e as mudanças climáticas, consolidando um movimento que começou décadas antes.

Continua após a publicidade

No entanto, passados 17 anos dessa resolução, as aflições acerca das condições do planeta continuam no centro dos debates mundiais, exigindo ações mais drásticas e imediatas.

Vale destacar que, embora a ONU tenha oficializado a data recentemente, os Estados Unidos celebraram o Dia da Terra pela primeira vez em 1970.

Na ocasião, impulsionadas por crises como derramamentos de óleo e a poluição desenfreada dos rios e do ar, cerca de 20 milhões de pessoas – na época, 10% da população americana – foram às ruas protestar.

Continua após a publicidade

Com isso, esse episódio se tornou o maior evento cívico do planeta até então e resultou na criação de leis de proteção e agências ambientais fundamentais.

Saiba mais

Afinal, os humanos são os culpados?

De acordo com o texto, no relatório Fazer as Pazes com a Natureza, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alerta: “A humanidade declarou uma guerra à natureza, que é tão insensata quanto suicida. Ao reconhecê-la como uma aliada indispensável, podemos liberar o engenho humano para a sustentabilidade”.

Além disso, mais de 200 pesquisadores, membros da colaboração internacional DarkDivNet, participaram de um estudo investigando a presença ou não de plantas em 5.500 locais. A pesquisa foi coordenada pelo professor Meelis Pärtel, do Instituto de Ecologia e Ciências da Terra da Universidade de Tartu, na Estônia.

Continua após a publicidade

Segundo esse estudo, em regiões com pouco impacto humano, os ecossistemas normalmente apresentam mais de um terço das espécies potencialmente adequadas.

A ausência dos outros dois terços deve-se a fatores naturais, como a dispersão limitada. Por outro lado, em regiões fortemente impactadas por atividades antrópicas, os ecossistemas contêm apenas uma em cada cinco espécies adequadas.

A Tripla Crise Planetária

Para organizar o enfrentamento aos danos causados pela atividade humana, a ciência divide a crise atual em três frentes principais:

Continua após a publicidade

Primeiramente, as Mudanças Climáticas: O relatório do IPCC de 2021 ratifica que o aquecimento global antropogênico é um fato inegável. Contudo, a humanidade ainda está distante de cumprir as metas do Acordo de Paris (limitar o aumento da temperatura a 1,5°C).

Como resultado, com o aquecimento já superando 1°C, observam-se mudanças drásticas nas zonas climáticas, elevação do nível do mar e eventos extremos mais frequentes.

Em segundo lugar, a Perda de Espécies: Cerca de um milhão de espécies de fauna e flora estão sob ameaça de extinção. Conforme o IPBES, a biodiversidade declina a um ritmo sem precedentes na história humana, acelerando o desaparecimento de seres vivos e gerando impactos socioeconômicos graves em escala global.

Continua após a publicidade

Por fim, a Poluição: A contaminação atingiu níveis alarmantes, com a descoberta de microplásticos e detritos químicos a 10 mil metros de profundidade no Oceano Pacífico. Além disso, anualmente, 400 milhões de toneladas de metais pesados e resíduos industriais chegam às águas, comprometendo a saúde dos ecossistemas e a sobrevivência global.