Muito se fala sobre as tradicionais previsões atribuídas à Baba Vanga, porém, um material para lá de curioso voltou a circular recentemente entre os internautas: uma revista em quadrinhos dos anos 1980 do eterno apresentador Gugu Liberato (1959-2019).
Segundo o perfil @amordepiiii, no Instagram, a narrativa da edição nº 2, publicada em 1988, apresenta uma trama sobre uma doença global capaz de provocar mutações genéticas e causar colapso social. O enredo, embora ficcional, passou a ser comparado por internautas a eventos recentes, como a pandemia de COVID-19.
Além do tom apocalíptico, as histórias trazem elementos simbólicos e psicológicos. O vilão Juca Maleão, por exemplo, é retratado como um antigo amigo do protagonista que se corrompe pela inveja, funcionando como uma espécie de “duplo”, conceito associado à ideia de sombra na psicanálise, ligada a Sigmund Freud.
Dualidade e referências filosóficas
Em um dos arcos, o antagonista tenta substituir o herói assumindo sua identidade, reforçando a dualidade entre lados opostos de um mesmo indivíduo, uma abordagem que também dialoga com conceitos presentes no Bhagavad Gita.
Apesar das leituras mais profundas, as revistas refletem características de sua época e incluem elementos hoje considerados problemáticos, especialmente na representação feminina. A única personagem recorrente, por exemplo, é retratada como uma fã obcecada pelo protagonista.
Crítica à sociedade do espetáculo
Outro ponto que chama atenção é uma trama em que o personagem inspirado em Gugu é assaltado, perde seus bens e passa a ser ignorado e maltratado ao não ser reconhecido, situação que levanta críticas à chamada sociedade do espetáculo, onde a imagem pública se sobrepõe à identidade real.
O conjunto das histórias mistura entretenimento, exagero e reflexões sobre identidade e aparência, aproximando-se de discussões filosóficas como as de Fiódor Dostoiévski, sobre o papel do indivíduo comum na sociedade. Mais do que previsões literais, os quadrinhos revelam um retrato cultural da época, que hoje ganha novas interpretações à luz de acontecimentos contemporâneos.
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