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Há 80 milhões de anos, dinossauros viviam em cidade do interior de São Paulo

Uma nova pesquisa revelou não apenas a presença desses animais pré-históricos na região, como também descobertas inéditas sobre doenças que afetaram esses gigantes do passado

Fábio Rocha

Publicado em 16/09/2025 às 08:10

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Conjunto de fósseis de saurópodes, os famosos dinossauros pescoçudos, foram identificados / Palaeotaku/Wikimmedia Commons

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Você pode nunca ter ouvido falar de Ibirá, no interior de São Paulo, mas a pequena cidade está ganhando destaque no cenário científico internacional, e por um motivo digno de cinema: ela foi, há cerca de 80 milhões de anos, o lar de enormes dinossauros. 

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Uma nova pesquisa revelou não apenas a presença desses animais pré-históricos na região, como também descobertas inéditas sobre doenças que afetaram esses gigantes do passado.

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Em um novo estudo publicado na prestigiada revista científica The Anatomical Record, pesquisadores apoiados pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) identificaram um conjunto de fósseis de saurópodes, os famosos dinossauros pescoçudos, no sítio paleontológico Vaca Morta, localizado em Ibirá. 

Os fósseis pertencem a seis indivíduos do período Cretáceo, e trazem à tona informações inéditas sobre a saúde desses animais.

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A equipe de cientistas encontrou marcas claras de osteomielite, uma infecção óssea grave que pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. 

Dica do editor: Cidade do interior de SP já foi habitada por dinossauros e é possível ver fósseis.

De acordo com Tito Aureliano, primeiro autor do estudo e pesquisador da Universidade Regional do Cariri (URCA), do Ceará, essa é uma das primeiras evidências documentadas de infecções em saurópodes. 

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“Existiam poucos achados de doenças infecciosas em saurópodes, o primeiro tendo sido publicado recentemente. Os ossos que analisamos são muito próximos entre si no tempo e de um mesmo sítio paleontológico, o que sugere que a região ofereceu condições para que patógenos infectassem muitos indivíduos naquele período”, afirmou Aureliano.

Os fósseis analisados datam de aproximadamente 80 milhões de anos atrás e não apresentam sinais de regeneração óssea, ou seja, os dinossauros provavelmente morreram enquanto ainda sofriam com a doença. 

As lesões encontradas vão desde a medula até a parte externa dos ossos e possuem uma textura esponjosa, altamente vascularizada, característica da osteomielite. 

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Veja esse vídeo sobre os dinossauros:

Essas evidências ajudaram a diferenciar o problema de outras doenças ósseas comuns em fósseis, como o osteossarcoma ou a neoplasia óssea, ambos tipos de câncer.

O estudo também contou com o apoio do Instituto de Estudos dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste Brasileira (IEHYPA-Sudeste), além do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), vinculado ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

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Ibirá: a “cidade dos dinossauros”

Com essas novas descobertas, Ibirá se consolida como um dos principais pontos de interesse paleontológico do Brasil. 

Localizada na região de São José do Rio Preto, a cidade já era conhecida entre pesquisadores pela riqueza de fósseis encontrados em seu subsolo, mas a nova pesquisa reforça sua importância científica a nível global.

Os saurópodes encontrados ali eram herbívoros de grande porte, com longos pescoços e caudas, e faziam parte da fauna que habitava o Brasil durante o Cretáceo Superior, em uma época em que o clima, a vegetação e os ecossistemas eram completamente diferentes dos atuais.

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Com informações da Agência FAPESP.

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