Sindicalista propõe um dia de greve para pressionar fim do fator previdenciário

Macaé, presidente do Sintracomos, quer que as centrais se mobilizem com este objetivo

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28 JAN 201412h00

“Uma bandeira de luta das centrais sindicais e dos trabalhadores, o fim do fator previdenciário, que reduz aposentadorias em até 40%, só vai ocorrer se houver uma greve geral de um dia em todo o País com este objetivo específico”. A revelação é do sindicalista santista Marcos Braz de Oliveira, Macaé, presidente do Sindicato da Construção Civil (Sintracomos), a maior categoria de trabalhadores da Baixada Santista, com cerca de 55 mil pessoas. Ele disse que já fez essa proposta numa reunião da Força Sindical e ratificou a ideia na última sexta-feira, na comemoração do Dia Nacional dos Aposentados, em solenidade na Atmas.

O líder sindical, que também é diretor da Força Sindical, esteve no Diário do Litoral, e fundamentou sua proposta.

“Nós, os trabalhadores, não podemos mais esperar que o projeto que acaba com o fator previdenciário fique parado no Congresso Nacional. Isto é um crime contra o trabalhador brasileiro”, diz Macaé. E emenda: “Se o Governo, que está lucrando uma soma considerável com o fator e com o sacrifício dos trabalhadores, não quer a extinção do fator, e todas as formas de pressão não resolvem, temos então que partir para o gesto extremo da greve nacional. Daí, sim, tenho certeza, que o assunto será resolvido”, explica o sindicalista.

Ele diz que sua proposta vai ser melhor analisada e poderá ser amadurecida neste ano, que é eleitoral. “Temos uma arma infalível nas mãos, e temos que usá-la nesses casos extremos”, concluiu o líder sindical.

Marcos Braz de Oliveira, Macaé, presidente do Sintracomos: fim do fator é bandeira de luta (Foto: Matheus Tagé/DL)

Ganho, em vez de perda

O secretário da Previdência Social, Leonardo Rolim, diz que o fator previdenciário não tem resolvido o problema das aposentadorias precoces. Para o secretário, o problema das aposentadorias precoces está na falta de cultura previdenciária da população. O benefício é visto como uma renda complementar à do trabalho, afirma.

Em 2012, aproximadamente 21% dos aposentados tinham até 59 anos — ou seja, não eram sequer idosos. Em 2002, essa parcela era de 29%.

“As pessoas que se aposentam com 55 anos, no caso dos homens, perdem em torno de 31% do benefício pelo fator previdenciário. Mas elas não veem uma perda de 30%, veem um ganho de 70%”, afirma Rolim. “Vinte por cento das pessoas que se aposentam por tempo de contribuição têm menos de 50 anos. Preenchidos os requisitos para se aposentar, já pedem no mesmo mês.”

A mudança nas regras previdenciárias causa instabilidade nos segurados, que tratam de se aposentar tão logo obtêm esse direito, com medo da situação tornar-se mais prejudicial.