Ministro do Trabalho acredita em mudanças no projeto da terceirização

Dias ressaltou que conseguiu alterações no texto original após evitar que a pauta fosse levada antes para votação na Câmara

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08 ABR 201500h28

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse hoje (7), que acredita em mudanças no texto do Projeto de Lei (PL) 4330/2004, que estende a terceirização para as atividades-fim das empresas. O ministro disse ter recebido notícias sobre discussões em torno do assunto.

“No ano passado, nós conseguimos constituir uma comissão com o Congresso, representações patronal e dos trabalhadores, e com o governo [para discutir o texto do PL], e avançamos bem. Restaram três itens, que era a questão da atividade-fim, da corresponsabilidade e representação sindical”, disse Dias. “Eu sei que durante o dia hoje, nos debates que ocorreram, houve avanços nas duas últimas questões. Estava mais difícil a questão da atividade-fim. Mas acho que o Congresso, que é sábio, vai fazer esse debate e aprofundar essa discussão”, completou.

Dias ressaltou que conseguiu alterações no texto original após evitar que a pauta fosse levada antes para votação na Câmara. “O projeto original era muito ruim para os trabalhadores. A gente conseguiu não fazer votar no ano passado, no sentido de melhorar”. Ele também demonstrou preocupação em uma precarização das relações de trabalho, caso o projeto seja aprovado.

“A grande preocupação nossa é a precarização do trabalho. Tem que ter garantias, porque a terceirização é um fato que existe. Então, temos que legalizá-la, a fim de que não haja insegurança nem dos empregadores nem dos trabalhadores, mas ela não pode ser um instrumento de precarização do trabalho”.

A votação do PL gerou manifestações contrárias em várias cidades do Brasil. Centrais sindicais argumentaram que o trabalhador perderá garantias caso o projeto seja aprovado. A posição da Central Única dos Trabalhadores (CUT) é que o projeto retira direitos da classe trabalhadora e dá aos setores patronais segurança jurídica para manter e ampliar a precarização das relações e condições de trabalho.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o projeto é bom para todos. “Da maneira como está, bem amarrado, [o projeto] dá segurança jurídica para as empresas e segurança de trabalho aos trabalhadores. Isso vai gerar emprego e estabilidade”.

A urgência para a votação da PL foi aprovada esta noite pela Câmara. O presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), marcou sessão extraordinária para a manhã desta quarta-feira (8) a fim de discutir e debater o projeto. Segundo ele, a votação está prevista para a sessão ordinária na parte da tarde.