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Saúde

Mongaguá: moradores reclamam da falta de remédios em casa

Um exemplo é a dona de casa Maria Lopes, de 57 anos, conhecida como Maju, moradora no bairro Agenor de Campos, e que tem uma filha cadeirante

Prefeitura reconhece que município não dispõe do serviço de entrega. / Nair Bueno/Diário do Litoral

Munícipes de Mongaguá reivindicam à secretaria municipal de Saúde o atendimento da entrega do remédio em casa às pessoas com deficiência ou acamadas. Isso porque a maioria das famílias não tem disponibilidade para ir buscar na farmácia da rede municipal que fornece os medicamentos de uso contínuo aos moradores.

Um exemplo é a dona de casa Maria Lopes, de 57 anos, conhecida como Maju, moradora no bairro Agenor de Campos, e que tem uma filha cadeirante.

Para ela, o serviço é importante, já que a filha é cadeirante e há um ano ela estava acamada. "Não tenho como ir buscar a medicação na farmácia, pois não há ninguém para ficar com ela".

A sua filha Ana Luiza Lopes Gomes, de 19 anos, teve uma forte crise de sinusite e acabou sendo diagnosticada com meningite, em 2015. "Ela chegou a ficar com morte cerebral por quase 36 horas, mas ela acordou. E ficamos cinco meses internadas em um hospital em São Paulo".

Em abril de 2016, Ana Luiza teve alta e voltou para Mongaguá. A mãe diz que ela foi bem atendida pela rede municipal de Saúde, com fraldas, alimentação por sonda, ambulância e atendimento médico em casa. Hoje, a cada três meses, ela recebe uma visita do médico.

Neste período de pandemia, ficou ainda mais difícil e arriscado de Maju sair de casa com a filha cadeirante, além de ter pego a Covid-19. "Somente eu testei positivo da família, com sorte Ana Luiza e minha outra filha e netos não pegaram o vírus".

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Ela vai até o posto de saúde para pegar a receita da medicação para a filha. "A farmácia é bem distante, pois fica no bairro Vera Cruz. Se tivesse no posto de saúde de Agenor de Campos, o acesso seria bem mais próximo".

Ana Luiza faz ainda fisioterapia, mas é uma conhecida de São Paulo que a ajuda pagar uma profissional em casa. "Estou vivendo com o auxílio e a doação de familiares para manter a casa e pagar o aluguel, já que não posso sair para trabalhar".

O auxílio doença à filha por meio do INSS, segundo Maju, ainda não saiu. A mãe também não recebe a sua aposentadoria porque não tem a idade para receber o benefício. "Já foi feita a última perícia do INSS e tudo indica que vai sair o auxílio, após seis anos".

A cuidadora de idosos Priscila Fontes do Prado, de 32 anos, do bairro Vila São Paulo, conta que sua sogra tem Alzheimer e não pode ir na farmácia. "A locomoção dela é difícil até para fazer os exames no posto e não posso deixar ela sozinha".

Lembra ainda que foram aprovados os projetos de lei Remédio em Casa, em junho de 2018, e o que trata da criação do Banco de Medicamentos, em março de 2018, ambos de autoria do ex-vereador Luciano Lara. Apesar de terem sido aprovados pela Câmara do município, não foram sancionados e nem executados.

Acessibilidade

A falta de acessibilidade nas ruas do bairro e no centro de Mongaguá é outro problema.

"Ana Luiza sempre pede para dar uma volta até a pracinha do bairro, mas o calçamento da rua é horrível e não tem acessibilidade", diz Maju. Segundo ela, até no centro da Cidade é difícil andar com a cadeira de rodas.

A jovem teve que fazer os óculos em uma ótica, no centro.

Prefeitura

A prefeitura de Mongaguá reconhece que o município não dispõe do serviço de entrega domiciliar. Diz que há estudos técnicos e orçamentários para tal implantação, mas sem previsão de data. Mas que está em fase final de implementação as farmácias satélites, que serão instaladas nas nove Unidades de Saúde da Família, descentralizando o serviço.

Diz ainda que o interessado deve comparecer à Farmácia Central, na avenida São Paulo, 3.570 no Vera Cruz, munido da documentação pessoal, prescrição médica, comprovante de residência em nome próprio e Cartão SUS, para realizar o cadastro e ser inserido no sistema de dispensação do Município.

Sobre a falta de acessibilidade, afirma que as vias que possuem desenhos específicos como áreas comerciais, orla da praia e praças, à medida que são realizadas melhorias, há implantação de estruturas para acessibilidade. Nas demais vias, a responsabilidade pela calçada fica a cargo do próprio morador. E que os ônibus do transporte público passam por fiscalização periódica.

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