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São Vicente

Operação Verão: vigília pede cessar fogo na Baixada Santista

Ato é contraponto à recente declaração do governador de São Paulo que disse "não estar nem aí" para supostos abusos da PM

Carlos Ratton

Publicado em 01/04/2024 às 07:30

Atualizado em 01/04/2024 às 09:38

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Para os organizadores, 'quem morre, sofre e adoece nessa operação são trabalhadores, tanto da polícia adoecida, quanto da periferia' / Divulgação/PM

Nesta segunda-feira (1), às 19 horas, no Marco Padrão de São Vicente, próximo à biquinha, será realizada a Vigília Interreligiosa Cessar Fogo na Baixada Santista - Nós Estamos Aqui, organizada pelo Comitê Cessar-Fogo Baixada Santista e pelos movimentos sociais pelos Direitos Humanos e pela Igualdade Racial da Baixada Santista.

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O ato será um contraponto à recente declaração do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, em que ele disse "não estar nem aí" para as denúncias de supostos abusos e assassinatos cometidos pela Polícia Militar nas periferias da região.

No Dia Mundial do Humanismo, os participantes pedem reflexão e lembrança dos mais de 50 jovens trabalhadores, pais, filhos, adolescentes entre outras vítimas de "um tribunal de rua, em que o veredicto é dado pelo fuzil do Estado de São Paulo a comando do Secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite", acreditam os articuladores do movimento.

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Para os organizadores, "quem morre, sofre e adoece nessa operação são trabalhadores, tanto da polícia adoecida, quanto da população das periferias em constante sofrimento. O ato pede o fim imediato dessa operação e acolhe as dores das famílias das vítimas".

MORTES.

Só na Operação Verão, nos primeiros dois meses deste ano, já foram mortas 57 pessoas.

O número é cinco vezes maior do que o registrado nos dois primeiros meses do ano passado, de acordo com levantamento do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Em 2023, 49 pessoas morreram em confronto com a PM, enquanto só este ano o número chegou a 112 nas operações Escudo e Verão desencadeadas após a morte de dois agentes em confronto com traficantes numa favela do Guarujá.

ESCRITÓRIO.

No final da segunda missão na Vila dos Pescadores, envolvendo mais 20 entidades ligadas aos Direitos Humanos no Brasil, o ouvidor da PM paulista Claudio Silva chegou a pensar em um escritório provisório da Ouvidoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo na região para levantar depoimentos de mais familiares vítimas da Operação Verão.

Uma audiência pública está prevista para acontecer em Santos nos próximos dias. Na Capital, mais de mil pessoas compareceram. Na Vila dos Pescadores, oito pessoas que fizeram oitivas qualificadas. Outras missões devem acontecer também.

Durante a coletiva, após a segunda parte da missão, Silva disse que recebeu informações de situações de abusos contra trabalhadores, como o reviramento de marmitas, e execuções.

"Uma mulher levou um tiro na perna e, um mês depois, seu filho foi morto pela polícia. Conseguimos fazer um levantamento inicial de 19 vítimas e a maioria é negra. Cerca de 16 moravam em favelas, em nível de alto de vulnerabilidade social e pouca assistência do poder público", afirmou Silva.

O ouvidor salientou que as ações com vítimas se concentram praticamente na periferia de três cidades: Cubatão, São Vicente e Santos. "As pessoas não têm infraestrutura e estão com um sentimento de violação de direitos bem forte. Aqui mesmo (Vila dos Pescadores) fomos abordados por inúmeras pessoas relatando que foram tratadas de forma desumana pela polícia. Trabalhadores e trabalhadoras estão com medo de sair de casa. São colocados fuzis nos rostos, inclusive de crianças", disse o ouvidor.

Claudio Silva ouviu relatos do suposto assassinato de um usuário de drogas na rodovia e de um menor de 14 anos, morador do Bolsão Oito, em Cubatão, em que tudo indica houve movimentação do corpo. Também que ouviu jovens que revelaram medo de sair de casa por conta das investidas policiais. "Aliás, esse medo ocorre em todas as comunidades as quais visitamos", disse, alertando que irá produzir um novo relatório que será encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Luzia Paula Moraes Cantal (Ouvidoria Nacional de Direitos Humano - MNDHC também estava presente na missão e falou sobre violações de direitos humanos fundamentais e apagamento de indícios que impossibilitam perícia qualificada. "Há um confronto grande entre narrativas de familiares e policiais. Detectamos o caso de um jovem morto dentro de casa e o imóvel foi lavado com água e sabão antes dos peritos chegarem. Isso demostra violações de provas e dificuldade de saber o que na verdade ocorreu", disse.

OPERAÇÃO.

A Operação Verão, na verdade, é uma continuidade da Operação Escudo, desencadeada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que tem à frente Guilherme Muraro Derrite, conhecido como Capitão Derrite.

Mesmo com nomes diferentes (Escudo e Verão), as investidas dos policiais são semelhantes em termos de letalidade e ocorrem principalmente nas periferias. Elas contam com a presença de praças e oficiais lotados na Capital, por exemplo, da Rota e do 3° Batalhão de Choque, com sede na Vila Maria (zona norte).

A ações foram iniciadas após a morte do soldado da Rota Samuel Wesley Cosmo, de 35 anos, no dia 2 de fevereiro.

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