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'Santos é a Wall Street do café', afirma Eduardo Carvalhaes Júnior

Eduardo é a voz mais influente do universo do café no Brasil

Nilson Regalado

Publicado em 07/04/2024 às 07:02

Atualizado em 07/04/2024 às 07:52

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Em entrevista, Eduardo Carvalhaes Júnior destacou potencial de Santos / Nair Bueno / Diário do Litoral

Eduardo Carvalhaes Júnior é o herdeiro de uma dinastia envolvida com o universo do café desde o século 19. Voz mais influente do setor, Carvalhaes Júnior é o responsável pelo periódico mais longevo sobre o grão no País. Nos últimos 91 anos, o Boletim Semanal Carvalhaes antecipou tendências, ditou os rumos e registrou todas as transformações na corretagem e na exportação do café.

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De seu escritório, na Rua do Comércio, no Centro Histórico, Carvalhaes Júnior acompanhou o auge do ‘ouro verde’ em Santos e testemunhou toda a influência que o grão teve no desenvolvimento econômico e na geração de empregos na Cidade. Inclusive, a primeira cafeteria do Brasil foi inaugurada em Santos. Mas, Eduardo viu também a migração dos negócios, dos profissionais e da renda para perto das áreas produtoras, no Interior do Estado e no Sul de Minas Gerais, esvaziando a atividade em Santos.

E a receita do velho corretor de café para a Cidade continuar crescendo nas próximas décadas é atrair “as sedes das grandes empresas de São Paulo para cá”. Na visão dele, o grande atrativo que Santos precisa valorizar e oferecer a esses executivos é a qualidade de vida, o trânsito menos complicado que na Capital e a sensação de segurança que o Município oferece.  

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Confira entrevista com Eduardo Carvalhaes Júnior:

Diário do Litoral: Santos ainda é a ‘capital’ do café no mundo?
Carvalhaes: Santos continua sendo o maior porto exportador de café do mundo. Por aqui, passa 80% do café exportado pelo Brasil. Mas, o café foi para dentro da internet e já chega pronto em Santos. Hoje, grande parte dos negócios não é mais feita aqui. Com boas estradas e comunicação eficiente existem muitas empresas espalhadas em outras praças, nas regiões produtoras. Até o serviço do fiscal (federal) que lacra o contêiner saiu de Santos e foi para o Interior.

Diário do Litoral: Então, o mundialmente famoso “café tipo Santos” não existe mais?
Carvalhaes: Antes, os blends (mistura de grãos que confere personalidade própria a cada marca) eram feitos aqui. Hoje, os blends já ‘descem’ prontos. Antes, o rebeneficiamento do café era feito aqui, tirávamos os defeitos do café antes de exportar. Tínhamos uns 50 armazéns de café na Cidade que faziam isso até os anos 1970, 1980. Hoje, só temos um para situações, digamos, emergenciais. Ele recebe o café em grão, tira do caminhão e coloca no contêiner. 

Diário do Litoral: E Santos ainda consegue recuperar o protagonismo que já teve?
Carvalhaes: Apesar de termos perdido parte do protagonismo, os maiores exportadores de café mantêm escritórios aqui. Santos ainda está para o café como Wall Street está para as corretoras de investimentos. Santos ainda continua sendo referência. Ainda temos o café Floresta, que é uma torrefadora tradicional, há muitos décadas no mercado.

Diário do Litoral: E qual é o ‘blend’ ideal para Santos voltar a crescer, gerar empregos e renda?
Carvalhaes: Santos tem a qualidade de vida que São Paulo não oferece mais. Aqui, não se perde tanto tempo no trânsito para ir e voltar do trabalho, temos boa infraestrutura urbana e mais segurança que em São Paulo. E estamos a apenas uma hora de São Paulo. Então, Santos precisa atrair as sedes das grandes empresas para cá. Mas, para isso, é preciso oferecer qualidade de ensino para os filhos desses executivos e hospitais de alto nível.

Diário do Litoral: E a qualidade do café, melhorou? Antes bebíamos um café de baixa qualidade no Brasil, enquanto os melhores grãos eram exportados...
Carvalhaes: Hoje, falo e assino embaixo que isso não é mais verdade. Temos café tão bom quanto em qualquer lugar do mundo. Hoje, nosso café não perde nada para os grãos da América Central e da Colômbia (considerados os melhores do mundo devido à altitude e ao solo muito fértil, além da colheita manual que pré-seleciona os melhores grãos). Nossas cápsulas já não devem nada às da Nespresso. Agora, temos até um novo selo que atesta a qualidade acima do gourmet, que é o café especial, produzido com valores não tangíveis relacionados ao terroir, a quem produziu...

Diário do Litoral: E o que provocou essa melhora na qualidade do café servido aqui?
Carvalhaes: Os anos 1990 foram revolucionários. Saímos de 20 milhões de sacas/ano, em 1990, para 40 milhões de sacas/ano, em 2018, e dobramos as exportações. E sem aumentar a área plantada. Tivemos grandes avanços nos últimos 20 anos na gestão de marcas e na imagem do café brasileiro.

Diário do Litoral: Por quanto tempo Santos vai continuar sendo o grande ‘gate’ de saída do produtos ‘Made in Brasil’? Mais especificamente, por quanto tempo as corretoras de café da Rua XV de Novembro vão continuar contribuindo para a geração de riquezas para o País?
Carvalhaes: Desde o século 19 somos o maior produtor e exportador de café do mundo e o dinheiro do café desenvolveu a indústria, forçou a abertura de estrada, desenvolveu cidades. O café já representou 50% da balança comercial do Brasil até os anos 1960. Mas, o agro cresceu como um todo nas últimas décadas e o café se tornou o quinto maior (item exportado) do agro. Isso não significa que o café perdeu o protagonismo, como aconteceu com a borracha. Pelo contrário! Muito em breve, se o clima ajudar, 40% de todo o café consumido no mundo será produzido no Brasil.

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