Prefeitura de Santos vai aguardar o TST para exigir banheiros no VLT

Justiça decidiu que estações têm que oferecer banheiros a funcionários e usuários

Apesar de já estar decidido, em segunda instância, que as estações do Veículo Sobre Trilhos (VLT) terão que oferecer banheiros a funcionários e usuários do modal santista, a Prefeitura de Santos irá aguardar a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) – instância mais elevada de julgamento para temas que envolvem o direito do trabalho no Brasil – para possivelmente exigir da BR Mobilidade o cumprimento da decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) – 2ª Região.

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“O referido assunto encontra-se sub judice e próximo de uma decisão definitiva. O processo, que envolve a empresa BR Mobilidade Baixada Santista, subordinada à Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), do Governo do Estado de São Paulo, e o Ministério Público do Trabalho, tem sido acompanhado pela Prefeitura”, informa em nota.

A empresa já revelou que irá recorrer da sentença – porém, o TST não possui histórico de mudar decisões de outras instâncias do Judiciário.

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Ou seja, havendo ou não desdobramento, as pessoas continuarão sem banheiros e ainda não serão construídos nas estações da segunda fase do VLT.

Vale lembrar que, na última terça-feira (28), o Secretário Executivo dos Transportes Metropolitanos, Paulo Galli, se reuniu com o prefeito santista e diretor-presidente da EMTU, Marco Antônio Assalve, para tratar do avanço das obras da segunda fase do VLT. Após a reunião foram realizadas visitas aos canteiros de obras. A questão dos banheiros não foi divulgada como parte em discussão no encontro, mesmo existindo um processo em andamento exigindo os sanitários.

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EXCLUSIVO.

Conforme publicado com exclusividade no último sábado (2) pelo Diário, o Ministério Público do Trabalho venceu a ação movida em 15 de dezembro de 2017. O acórdão ocorreu em 7 de maio último. A BR Mobilidade, responsável pelo modal, ainda terá que pagar R$ 50 mil de indenização pela prática de dano moral coletivo.

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A ação é resultado do trabalho do procurador Rodrigo Lestrade Pedroso, da Procuradoria Regional do Trabalho 2ª Região, que incluiu a falta de banheiros no inquérito 625/2017 e depois processo sobre irregularidades trabalhistas envolvendo o equipamento administrado pela Empresa Metropolitana de Transporte Urbano (EMTU) e a BR Mobilidade. Lestrade não está mais à frente da ação, que está sendo conduzida por outro procurador José Pedro dos Reis.

É LEI.

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Conforme a ação, a falta de sanitários aos trabalhadores fere a Norma Regulamentadora 24 (NR-24), do Ministério do Trabalho e Emprego. Na ocasião, Lestrade informou que “se existe trabalhadores prestando serviços de forma continua nas estações, a NR-24 exige banheiros para atendê-los. Além, o princípio da dignidade da pessoa humana, previsto na Constituição, impõe que a empresa providencie sanitários”, afirma.

Rodrigo Pedroso revelava que, no mínimo, deveria ter uma alternativa, como banheiros químicos, já que não se tomou o cuidado de, na construção das estações, providenciar sanitários. “A Prefeitura poderia ter exigido, mas prefiro pensar que as empresas que administram os equipamentos é que deveriam tomar a iniciativa de construí-los”, disse.

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O deputado estadual Caio França (PSB) se manifestou favorável à instalação de sanitários em Santos e São Vicente, ainda que sejam banheiros químicos.

“É uma falha de planejamento que não deve se repetir na expansão da segunda fase. A essencialidade é indiscutível no atendimento aos funcionários da empresa e também aos usuários e turistas, já que temos que considerar que o VLT é um tipo de modal que atrai a atenção dos visitantes e não deixa de ser um atrativo turístico”.

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O deputado Paulo Corrêa Júnior (Patriotas) afirma que não tem como ficar contra algo que irá beneficiar funcionários e usuários.

“Ter banheiro é algo básico. Não precisava chegar a este ponto. Já deveria estar no projeto desde o princípio. Vou protocolar requerimentos de informações, cobrando respostas e soluções, mesmo sabendo que já há uma questão judicial”, afirma.

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Vereadores querem que Rogério Santos se antecipe

Muitos parlamentares santistas, inclusive alguns ex-vereadores, no caso de Antônio Carlos Banha Joaquim (MDB), questionaram a falta de banheiros desde a implantação do VLT. Ontem, no entanto, alguns atuais encontrados pela Reportagem acreditam que já seria hora do prefeito Rogério Santos se antecipar e, o mais breve possível, se reunir com a BR Mobilidade no sentido de preparar a implantação de banheiros nas antigas estações e nas próximas que surgirão com resultado da segunda fase d VLT.

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“Além de ilegal, é desumana a falta de banheiros nas estações do VLT, condenando funcionários e passageiros a situações desconfortáveis e humilhantes. Desde o meu retorno à Câmara em 2017, tenho sido procurada por trabalhadores do sistema com essa queixa, o que me levou a cobrar várias vezes da empresa e da Prefeitura uma solução para o caso”, afirma a ex-prefeita e atual vereadora Telma de Souza (PT).

Para Telma, a decisão judicial vem em boa hora, mas diante da possibilidade de recurso por parte da EMTU e da BR Mobilidade, é preciso que o Município não se omita e cobre que as providências sejam tomadas imediatamente. “É preciso que o mesmo erro não seja cometido na segunda fase do VLT, cujas obras estão adiantadas”, declara Telma, acrescentando que irá questionar os responsáveis na sessão de hoje.

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O vereador Francisco Nogueira, também do PT, completa: “já que não o fez quando da implantação da primeira fase do VLT, deve se reunir com a empresa e estabelecer um acordo. Banheiros aos funcionários e usuários é, com toda a certeza, uma demanda legítima para melhorar as condições de quem utiliza o serviço”.

A vereadora e advogada Débora Camillo (PSOL) também é da opinião que a Prefeitura deveria ter exigido que as estações do Veículo Leve Sobre Trilhos disponibilizassem banheiros aos funcionários e usuários, mesmo antes da ação do Ministério Público do Trabalho.

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“É um absurdo que postura seja aceita passivamente. O povo santista e os trabalhadores e trabalhadoras da estação merecem dignidade, a disponibilização de banheiros é requisito mínimo para funcionar”, afirma a parlamentar santista.

A vereadora Audrey Kleys (PP) informa que desde 2018 – Administração Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) – vem cobrando banheiros no VLT, principalmente para idosos, junto a EMTU. “Uma pena que a decisão de fazê-los não tenha sido por bom senso”.