Passarela na Zona Noroeste precisa de isolamento total

Funcionário público levanta questões diárias sobre equipamento

Reportagem viu pessoas passando por baixo porque o escoramento não atinge as calçadas sob a passarela, conforme revelou o funcionário

Reportagem viu pessoas passando por baixo porque o escoramento não atinge as calçadas sob a passarela, conforme revelou o funcionário | Nair Bueno/DL

Na última segunda-feira (3), o Diário publicou uma questão que vem causando preocupação desde o ano passado: o comprometimento do andar superior e a passarela que divide os dois blocos do Centro Cultural da Zona Noroeste (sambódromo).

Continua após a publicidade

E novamente questionada, a Administração esclareceu que, com o término dos serviços de escoramento realizados pela Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi), seria possível iniciar as atividades na sala de cinema Toninho Dantas e nas duas bibliotecas Silvério Fontes e Hermínio José.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Continua após a publicidade

No entanto, há quem acredite que é preciso uma atenção maior. Um funcionário público que mora na região e que é obrigado a passar pelo equipamento para ir trabalhar entrou em contato após ler a reportagem e enviou textos e imagens mostrando sua preocupação. A Reportagem optou por não identificá-lo por razões obvias.

O Centro Cultural está com alto risco de desabar. Hoje, passei por lá e as trincas aumentaram. Pessoas ouviram até barulho. As crianças ainda continuam lá. A Prefeitura não está tomando providências. Apenas colocou os andaimes e nunca mais apareceu. Fotografei a trinca mais marcante da junção da passagem. Ela já aumentou. Os azulejos acima estão com trincas entre eles e já apresentam infiltração”, afirma.

Continua após a publicidade

O funcionário público fez mais observações. Entre elas, que o isolamento feito no entorno do escoramento não elimina os riscos.

“Minimizaram, mas não removeram o risco. Pessoas passam a pé e de bicicleta pelas calçadas laterais dos ferros de escoramento. As calçadas estão livres. Para não correr riscos, as pessoas têm que subir a Rua Haroldo de Camargo em direção ao hipermercado e fazer a volta. Ou descer a rua e pegar um desvio que foi feito. É uma boa caminhada nas duas opções. E ainda há atividades com crianças que saem por um lado e vão pela rua. Mesmo isolando, elas não se isentam dos riscos pois podem querer cortar caminho e, se a parte central colapsar, pode acabar puxando as laterais em que as crianças ficam”, finaliza.

Continua após a publicidade

NÚCLEO

A situação é grave e ainda requer preocupação. Conforme revelado pela própria Administração, a Secretaria de Educação mantém em funcionamento, durante o ano letivo, na parte inferior do prédio, o Núcleo de Educação Integral da rede municipal de ensino, com a promoção de atividades artísticas, esportivas e pedagógicas para 533 alunos de cinco escolas.

Continua após a publicidade

Não é difícil imaginar mães e crianças passando pelas calçadas sob a passarela escorada para encurtar caminho, mas a Administração garante que não há riscos.

Parlamentares de Santos chegaram a sugerir a interdição do imóvel. Um laudo atestou o comprometimento da estrutura superior, que não está sendo utilizada há anos pela Secretaria de Cultura. Segundo apurado junto a agentes culturais da Zona Noroeste, a sala de cinema nunca foi utilizada e as bibliotecas servindo de depósito.

Continua após a publicidade

O Complexo Cultural, que envolve também o Sambódromo Passarela do Samba “Dráuzio da Cruz”, instalado ao redor da Avenida Afonso Schmidt, no bairro do Jardim Castelo, possui capacidade para 10 mil espectadores. O custo da construção do Sambódromo ficou orçado em aproximadamente R$ 1,9 milhões e no projeto original não havia a edificação do Centro Cultural, incorporado ao Sambódromo somente em 2013.

PREFEITURA

Continua após a publicidade

A Prefeitura esclarece que o local nunca apresentou e continua não oferecendo nenhum risco de “desabar” ou risco para funcionários e público, conforme vistorias da Defesa Civil. “O prédio, possui Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e está na validade”, lembra.

Afirma que todo o restante do prédio, que já está ou entrará em uso, tem o aval da Defesa Civil, que apontou a necessidade de intervenções preventivas apenas no bloco central (passarela) e atestou que não há risco de colapso na estrutura.

Continua após a publicidade

“Esta área do imóvel não é utilizada pelos alunos da Educação Integral e nem por outras pessoas – encontra-se devidamente isolada”, garante em nota.

CORREÇÃO

Continua após a publicidade

Diferentemente do que foi publicado anteriormente nesta matéria, o prédio não estará totalmente recuperado em meados de dezembro. A Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi) abriu licitação para contratar uma empresa que vai elaborar o projeto da obra. Este processo licitatório (para o projeto) demora cerca de 90 dias para ser concluído, caso não haja interposição de recursos. Depois disso a empresa contratada terá 4 meses para preparar o projeto da obra. Todo esse processo deve demorar até novembro – ou seja, o que deverá estar pronto até o fim do ano será o projeto, não a obra.

Com o projeto pronto, a Prefeitura vai saber o custo estimado da recuperação estrutural e o tempo necessário para a execução. Tendo recursos, a Administração vai abrir uma nova licitação, desta vez para contratar a empresa que fará a obra. O processo licitatório vai demorar mais 90 dias, caso não haja recursos. Ou seja, se tudo correr bem, a expectativa é de que o reforço estrutural tenha início no primeiro trimestre de 2024, com prazo de execução que será definido pela empresa que fará o projeto.