A tragédia anunciada publicada com exclusividade ontem pelo Diário do Litoral preocupou bastante alguns vereadores de Santos. Conforme publicado, o andar superior e a passarela que divide os dois blocos do Centro Cultural da Zona Noroeste (sambódromo) estão comprometidos.
O mais grave é que, conforme revelado pela Prefeitura de Santos, a Secretaria de Educação mantém em funcionamento, durante o ano letivo, na parte inferior do prédio, o Núcleo de Educação Integral da rede municipal de ensino, com a promoção de atividades artísticas, esportivas e pedagógicas para 533 alunos de cinco escolas.
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O vereador Sérgio Santana (PL) foi direto à questão: “Irei requerer informações sobre a matéria e pedir a interdição imediata até que um laudo possa ser apresentado”.
O laudo a qual o parlamentar se refere foi revelado pela agente cultural Yara Peres e o diretor do Sindicato dos Servidores Municipais de Santos (Sindserv-Santos), Cássio Canhoto. O documento, segundo informam, alerta que o andar superior precisa de reformas estruturais, por isso está há dois anos sem uso.
DEFESA CIVIL.
A vereadora Telma de Souza (PT) está acionando a Defesa Civil para garantir a segurança. “Os alunos e funcionários da unidade escolar não podem ficar sob risco e ter suas vidas ameaçadas por imperícia. Por isso, estou acionando o órgão para que informe a real situação do equipamento público e, se houver, risco, que determine o seu fechamento imediato, tranquilizando as famílias e os colaboradores da unidade. Vale lembrar ainda, que, dentro de dois meses, teremos o Carnaval, e a estrutura recebe milhares de pessoas e a segurança deve ser priorizada”.
O vereador Fabrício Cardoso (Podemos) revela que, em setembro último, apresentou requerimento sobre as condições do espaço, inclusive cobrando um posicionamento com relação à existência de laudos que indiquem a necessidade ou não de interdição do local. “Mas ainda não recebi resposta da Administração sobre o assunto. É uma situação delicada, que seguirei acompanhando e cobrando as ações necessárias”, disse.
AO LOCAL.
A vereadora Audrey Kleys vai ao local para conferir a segurança. “Conversei com a secretária de Educação, Cristina Barletta, que me garantiu que está acompanhando a situação e, com o laudo da Defesa Civil em mãos, que as áreas utilizadas pelas crianças não correm qualquer risco. Como presidente da Comissão de Educação da Câmara, visitarei o local na próxima semana, com técnicos da Prefeitura”, afirma.
COMUNIDADES.
Esta semana, um grupo de artistas, funcionários e moradores fizeram uma manifestação, na Praça da Paz Universal, no Jardim Castelo, na Zona Noroeste, em defesa da reabertura e plenas condições de funcionamento não só do Centro, como o Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU das Artes). Há anos eles reivindicam.
Segundo apurado, a sala de cinema Toninho Dantas está totalmente abandonada e as bibliotecas Silvério Fontes e Hermínio José, essa última servindo de depósito, não estão funcionando. Há praticamente dois anos que os equipamentos culturais não são utilizados.
EQUIPAMENTOS.
O Complexo Cultural, que envolve também o Sambódromo Passarela do Samba “Dráuzio da Cruz”, instalado ao redor da Avenida Afonso Schmidt, no bairro do Jardim Castelo, possui capacidade para 10 mil espectadores. O custo da construção do Sambódromo ficou orçado em aproximadamente R$ 1,9 milhões e no projeto original não havia a edificação do Centro Cultural da Zona Noroeste, este foi incorporado ao Sambódromo somente em 2013.
O CEU, por exemplo, possui biblioteca, um espaço para cursos, um de Informática (com 10 computadores), três quadras esportivas e, ainda, um cineteatro de 125 lugares que, desde o início da pandemia, se tornou, como outros espaços – sala multiuso e quadra poliesportiva – local para realização de testes Covid, tendo uma policlínica a 30 metros de distância. O Espaço Brincante está parado por tempo indeterminado.
O CEU faz parte da reurbanização da praça, orçada em R$ 4,1 milhões (R$ 3,5 milhões do Governo Federal e o restante em contrapartida da Prefeitura) e incluiu também uma quadra poliesportiva, área para jogos de mesa, pista de skate, quadra de areia para vôlei de praia, espaço para crianças e equipamentos de ginástica.
PREFEITURA.
A Prefeitura de Santos esclarece que a Defesa Civil apontou a necessidade de intervenções preventivas no bloco central (passarela) do Centro, mas que não há risco de colapso. Esta área do imóvel não é utilizada pelos alunos.
A Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi) está elaborando licitação para contratar empresa que fará o escoramento, com previsão de execução no mês de janeiro. No próximo ano, também será contratado projeto executivo para a recuperação estrutural do prédio.
