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Santos

Justiça dá ordem de despejo ao Sindicato dos Estivadores

Foi dado prazo de 30 dias para que o Sindicato dos Estivadores de Santos deixe a sede localizada no bairro do Paquetá

Imóvel deverá ser entregue ao proprietário do prédio, que o arrematou em leilão trabalhista há nove anos (2012) / Divulgação

Como foi adiantado pelo Diário do Litoral em reportagem publicada em 22 de junho, a Justiça acatou a ação de despejo e deu prazo de 30 dias para que o Sindicato dos Estivadores de Santos deixe a sede localizada à Rua dos Estivadores, 101 - Paquetá.

O imóvel é do empresário Laercio Luiz Luongo, que o arrematou em leilão trabalhista há nove anos (2012).

A situação, segundo Longo, é por conta de anos de aluguéis devidos e acordos não cumpridos pelo sindicato e a saída pode ser coercitiva - aplicada com ajuda de autoridades policiais para garantir que as pessoas intimadas, no caso a Direção do Sindicato, cumpra a ordem judicial determinada pelo juiz.

"Lamento muito o desfecho, mas não tivemos outra solução, já que a outra parte foi contrária a qualquer tipo acordo ou a busca de uma negociação para evitar que chegasse a essa situação", afirma Laércio Luongo.

ATRAPALHAR.

A situação vai atrapalhar a vida dos trabalhadores mais tradicionais do Porto de Santos, que poderão ficar sem espaço para discutir seus problemas e reivindicar direitos trabalhistas.

Segundo apurado pelo Diário junto ao proprietário do prédio, o sindicato estaria devendo cerca de R$ 2,5 milhões em aluguéis. O imóvel vem sendo alugado por cerca de R$ 21 mil mensais.

Além de ser considerada a casa de muitas gerações, o prédio também abriga um grande acervo da história da categoria e estaria avaliado em R$ 2,3 milhões. Luongo tomou posse do imóvel em 2013 e, no dia 13 de janeiro desse ano, fez um acordo com o sindicato, que pagou três meses e depois parou de pagar o aluguel.

"Em fevereiro de 2014 eu entrei com a ação de despejo. No ano seguinte, foi feito um novo acordo. Pagaram dois aluguéis e depois suspenderam novamente. Em 2018, parcelei em 72 vezes, mas descumpriram o acordo. E assim vem ocorrendo até hoje. O sindicato já perdeu o imóvel em Campos do Jordão, na ordem de R$ 700 mil, para pagar a dívida", revelou meses atrás à
Reportagem.

HISTÓRIA.

A luta dos estivadores de Santos começou em 1897, quando uma das escotilhas do vapor Salinas cedeu fazendo despencar um fardo pesando mais de uma tonelada juntamente com 14 estivadores. Como resultado da tragédia, um trabalhador morreu e outros 13 ficaram gravemente feridos.

Além de dar início ao movimento operário no porto, já administrado pela Companhia Docas de Santos, comandada por Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle, o acidente foi o estopim para a fundação daquele que, anos mais tarde, se transformaria no maior e mais importante sindicato dos estivadores do País.

Depois de muitas greves que marcaram o período e o nascimento do movimento de classes, em 1 de dezembro de 1910, foi fundado o Sindicato dos Estivadores por um grupo de trabalhadores do Porto de Santos. O Sindicato não se manifestou sobre a questão.

SINDICATO.

A Direção do Sindicato foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Anteriormente, o presidente do sindicato, Bruno José dos Santos, se manifestou em nota tranquilizando a categoria.

"A nova diretoria assumiu uma entidade sindical insolvente, sem prestação de contas dos últimos 12 anos, pelo menos, motivando uma série de medidas, entre as quais uma judicial contra o ex-presidente para prestação de contas de suas gestões à frente da entidade e aquelas necessárias para a manutenção da sede e resguardo de sua história", disse Santos.

O presidente finalizou a nota garantindo o compromisso da Diretoria eleita exclusivamente com os interesses coletivos da categoria, por intermédio do empenho necessário e transparência exigida no reerguimento do Sindicato.

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