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Cotidiano

Sindicato dos Estivadores pode perder sede

Já há até uma ação de despejo em andamento, mas a ordem ainda não foi dada pela Justiça

Imóvel deverá ser entregue ao proprietário do prédio, que o arrematou em leilão trabalhista há nove anos (2012) / Divulgação

Os trabalhadores mais tradicionais do Porto de Santos poderão ficar sem espaço para discutir seus problemas e reivindicar direitos trabalhistas. A sede do Sindicato dos Estivadores de Santos, localizada à Rua dos Estivadores, 101 - Paquetá, Santos, deverá ser entregue ao proprietário do prédio, que o arrematou em leilão trabalhista há nove anos (2012).

Já há até uma ação de despejo em andamento, mas a ordem ainda não foi dada pela Justiça. Segundo apurado pelo Diário junto ao proprietário do prédio, Laércio Luiz Longo, o Sindicato estaria devendo cerca de R$ 2,5 milhões em aluguéis. O imóvel vem sendo alugado por cerca de R$ 21 mil mensais.  

Além de ser considerada a casa de muitas gerações, o prédio também abriga um grande acervo da história da categoria e estaria avaliado em R$ 2,3 milhões. Longo tomou posse do imóvel em 2013 e, no dia 13 de janeiro desse ano, fez um acordo com o Sindicato, que pagou três meses e depois parou de pagar o aluguel.

"Em fevereiro de 2014 eu entrei com a ação de despejo. No ano seguinte, foi feito um novo acordo. Pagaram dois aluguéis e depois suspenderam novamente. Em 2018, parcelei em 72 vezes, mas descumpriram o acordo. E assim vem ocorrendo até hoje. O Sindicato já perdeu o imóvel em Campos do Jordão, na ordem de R$ 700 mil, para pagar a dívida.

HISTÓRIA.

A luta dos estivadores de Santos começou em 1897, quando uma das escotilhas do vapor Salinas cedeu fazendo despencar um fardo pesando mais de uma tonelada juntamente com 14 estivadores. Como resultado da tragédia, um trabalhador morto e outros 13 gravemente feridos.

Além de dar início ao movimento operário no porto, já administrado pela Companhia Docas de Santos, comandada por Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle, o acidente foi o estopim para a fundação daquele que, anos mais tarde, se transformaria no maior e mais importante sindicato dos estivadores do país.

Depois de muitas greves que marcaram o período e o nascimento do movimento de classes, em 1 de dezembro de 1910, foi fundado o Sindicato dos Estivadores por um grupo de trabalhadores do Porto de Santos.

O Sindicato não se manifestou sobre a questão.

 

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