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Santos

APS lançará chamamento para usina de hidrogênio neste semestre

Autoridade Portuária diz já ter "quatro ou cinco" empresas interessadas em investir na Usina de Itatinga para produzir combustível menos poluente em Santos

Nilson Regalado

Publicado em 02/02/2024 às 06:35

Atualizado em 02/02/2024 às 17:58

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O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini / Nair Bueno/DL

O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, anunciou que a APS deverá publicar ainda neste semestre o chamamento para empresas interessadas em investir na modernização da Usina de Itatinga. O aporte de “R$ 200 milhões a R$ 300 milhões” é fundamental para viabilizar a produção de hidrogênio verde (H2V) no Porto de Santos. O chamado ‘combustível do futuro’ será viabilizado a partir da energia hidrelétrica gerada na Vila de Itatinga, em Bertioga. Segundo Pomini, “quatro ou cinco empresas já formalizaram o interesse no negócio” através de protocolo de intenções. O acordo será formatado na modalidade de Parceria Público-Privada (PPP).

Neste momento, os técnicos da APS trabalham no termo de referência, em seguida, uma consultoria contratada deverá propor a modelagem jurídica e econômica da transação. “O mundo está procurando energias alternativas e o Porto de Santos tem de se destacar na agenda da sustentabilidade”, resumiu Pomini durante visita à redação do Diário do Litoral no final de janeiro.

Para viabilizar o H2V será necessária a revisão completa dos 35 quilômetros de cabos que interligam a Usina Hidrelétrica de Itatinga ao Porto. “O maior custo para produção do hidrogênio verde é a energia, e nós temos uma hidrelétrica à disposição, ou seja, não precisamos construir nenhuma estrutura nova, o que reduz o custo”, salientou o presidente da Autoridade Portuária.

Os portos do Nordeste têm anunciado nos últimos meses investimentos bilionários para produção do hidrogênio verde, considerado fundamental na transição energética rumo a uma navegação menos poluente e livre dos gases que provocam as mudanças climáticas. Porém, em todos os casos, há a necessidade de licenciamento ambiental e construção, também, de usinas fotovoltaicas (energia solar) ou eólicas (eletricidade gerada pelos ventos) para produção da energia limpa que promoverá a eletrólise da água, que dá origem ao H2V em um processo isento da emissão de gás carbônico.

Itatinga gera, atualmente, 15 megawatts. Mas, segundo o presidente da Autoridade Portuária, só metade disso é usado no Porto porque, sem investimentos em novos cabos e subestações, “alguns operadores não querem nossa energia por conta das oscilações”. A outra metade é injetada na rede de abastecimento da CPFL. Ainda de acordo com Pomini, a usina poderia gerar até 20 megawatts com as devidas atualizações tecnológicas.

POLUIÇÃO DOS TRANSATLÂNTICOS.

A APS também quer diminuir a poluição causada pelos navios de cruzeiro, ofertando o H2V nos berços de atracação do futuro terminal de passageiros, a ser erguido do Valongo.

Segundo Pomini, os transatlânticos são “um dos maiores contaminantes do Porto depois das dragas” que fazem o aprofundamento do canal de navegação.

Isso se deve ao fato de que os navios de cruzeiro, mesmo atracados, têm de manter em operação, 24 horas por dia, toda a estrutura de climatização das cabines e ambientes internos. Por transportarem grandes quantidades de alimentos e bebidas, essas embarcações também requerem energia para refrigeração dessas provisões.

E a fonte dessa energia é o óleo de navegação, altamente poluente para o ar que os santistas respiram. Esse combustível à base de petróleo também é responsável pelo aquecimento global, que provoca as mudanças climáticas.

PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA.

“Vamos alimentar o cais de passageiros com outro tipo de combustível. Somos o único porto do mundo que tem uma usina hidrelétrica. E isso significa energia barata e confiável, algo fundamental para produção do hidrogênio verde”, adiantou o presidente.

Mas, diferente do que foi anunciado no início dos estudos para viabilização do H2V no cais santista, o investimento em Itatinga e em suas linhas de transmissão deve ficar entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões, portanto abaixo dos R$ 500 milhões previstos.

“Vamos entregar a geração da energia elétrica para o mercado, mas eles precisam saber qual será a formatação”, explicou Pomini. “Eles estão interessados no lucro, nós no serviço de qualidade, na inovação e na sustentabilidade. Nossa posição é muito atraente para o mercado”, completou o presidente da APS.

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