Sampaio, do PSDB, critica postura do ministro Cardozo

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados disse que irá requerer uma audiência pública para esclarecer a participação de Cardozo no envio à PF de um documento contendo denúncias contra tucanos

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23 NOV 201318h58

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (SP), disse que irá requerer uma audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle para esclarecer a participação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do presidente do Cade, Vinícius Carvalho, no envio à Polícia Federal de um documento contendo denúncias contra tucanos. Secretários do governo de São Paulo são acusados de ligação com esquema de cartel das licitações de metrô e trens em São Paulo.

No site do PSDB paulista, Sampaio critica a participação do ministro no episódio e a classifica como "inaceitável". "Ao admitir que encaminhou o documento à Polícia Federal, o ministro demonstra claramente que integrou essa trama vergonhosa e sórdida com o uso de órgãos do governo federal para perseguir e atacar adversários políticos", afirmou no site tucano. "Há em curso uma ação ordenada que, para mim, tem dois objetivos claros: minimizar o impacto da prisão dos mensaleiros e jogar gasolina na fogueira contra o PSDB em São Paulo."

O deputado diz que Cardozo foi o destinatário da denúncia - que Sampaio qualifica como "forjada" - porque o ex-diretor da Siemens, Everton Reinheimer, pediu um emprego na Vale. "Nem o Cade, a Polícia Federal ou Ministério Público teriam condições de fazer essa indicação (para o cargo). Isso leva a crer que o denunciante foi até ao ministro porque sabia que, para ser atendido, teria de procurar o partido ou alguém do governo", disse.

Cardozo afirma que repassou o documento à PF "no estrito cumprimento do dever legal, para as devidas investigações".

No site do PSDB paulista, Sampaio critica a participação do ministro no episódio e a classifica como

Reportagem exclusiva publicada na quinta-feira pelo Estado revelou que o ex-executivo da Siemens Everton Rheinheimer afirmou ter "documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, (Geraldo) Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM". No mesmo documento, Rheinheimer disse que o atual secretário da Casa Civil do governo Alckmin, Edson Aparecido (PSDB), teria recebido propina de multinacionais suspeitas de participar do esquema. Os secretários Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos), Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico) e José Aníbal (Energia) também são citados pelo ex-diretor.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pediu acesso aos documentos em posse da Polícia Federal antes de tomar qualquer atitude em relação a acusações contra seus auxiliares.