Dilma convida China a investir em petróleo e gás

Os novos acordos envolvem US$ 7 bilhões. Em abril, a estatal brasileira já havia obtido financiamento de US$ 3,5 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China

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19 MAI 201516h34

A presidenta Dilma Rousseff disse que os acordos de cooperação assinados entre Brasil e China para financiar projetos da Petrobras mostram confiança na estatal. Os novos acordos envolvem US$ 7 bilhões. Em abril, a estatal brasileira já havia obtido financiamento de US$ 3,5 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China.

“Convidei o governo chinês a participar na área de petróleo e gás de investimentos, tanto em refinarias quanto em estaleiros. [Esses acordos demonstram] Não só confiança na Petrobras, mas também ampliam a parceria que temos com empresas chinesas CNPC e COOC no Campo de Libra na extração de petróleo do pré-sal”, declarou.

A presidenta deu as declarações no encerramento da Cúpula Empresarial Brasil-China, no Itamaraty. Mais cedo, no Palácio do Planalto, ela e o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, assinaram um plano de ação conjunta entre os dois países, do qual fazem parte 35 atos. Segundo Dilma, as novas oportunidades, em setores como energia renovável, mineração, infraestrutura e manufaturas, totalizam R$ 53 bilhões, olhando sob uma perspectiva de médio prazo.

De acordo com a presidenta, a implementação do plano de ação conjunta contará com o suporte do acordo de cooperação entre a Caixa Econômica e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês). “Através do acordo, o ICBC vai disponibilizar recursos da ordem de US$ 50 bi de dólares, por meio de financiamentos e de fundos de investimentos”, disse a presidenta.

Dilma disse que os acordos de cooperação assinados entre Brasil e China para financiar projetos da Petrobras mostram confiança na estatal (Foto: Mateus Pereira/GOVBA)

Dentre os acordos, foi firmada a compra de 22 aviões da empresa brasileira Embraer para companhias aéreas chinesas. A parceria envolve o financiamento de 40 aeronaves.

Os outros 18 aviões ainda dependem de uma segunda aprovação das autoridades chinesas em uma fase posterior.

Dilma comemorou também a liberação das vendas de carne bovina brasileira para a China. O país asiático havia embargado o produto brasileiro em 2012, em razão da detecção de um caso atípico da doença da vaca louca.

Durante visita ao Brasil, em julho de 2014, o presidente chinês, Xi Jinping, chegou a anunciar o fim do embargo, mas as negociações para liberação só foram concluídas agora. Inicialmente, foram habilitados para exportar nove frigoríficos: oito de carne bovina e um de aves. Segundo o Ministério da Agricultura, será liberado um total de 26 empresas até junho.

Ao discursar  obre os acordos fechados entre os dois países, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang,  destacou que China e Brasil têm pontos em comum por serem países emergentes.“ Ambos têm a tarefa de construção econômica e melhoramento da vida do povo”, declarou. Para Li Keqiang, os países devem se unir no momento atual, em que passam por desaceleração econômica. “Devemos pensar em transformação e explorar caminhos de comércio a longo prazo”, disse. Após o Brasil, o primeiro-ministro seguirá para o Peru, Colômbia e Chile.

No Peru, a exemplo do que ocorreu no Brasil, assinará acordo sobre estudo de viabilidade para construção da ferrovia transoceânica. Trata-se de uma ferrovia ligando o Brasil ao oceano Pacífico, passando por território peruano. “O projeto da ferrovia vai incentivar o crescimento da economia brasileira e também dos países em desenvolvimento”, conclui Li Keqiang.