Suspeito de participar de atentado contra Solange Freitas é preso em Santos

Ele estava licenciado e foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo

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18 NOV 2020Por Da Reportagem15h13
O atentado ocorreu na Avenida Prefeito José MonteiroFoto: Gilmar Alves Jr./DL

Um policial militar rodoviário de licença, suspeito de envolvimento no atentado a tiros contra a candidata à Prefeitura de São Vicente Solange Freitas (PSDB), foi capturado pela Corregedoria da corporação na manhã desta quarta-feira (18), em Santos. A Justiça já havia decretado prisão temporária de 30 dias do homem a pedido do Setor de Homicídios da 3ª Delegacia da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) regional.

O policial foi ouvido no Setor de Homicídio, teria negado o crime, conforme as primeiras informações, e depois foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Mais informações em instantes.

O caso

A reta final da corrida eleitoral de primeiro turno pela Prefeitura de São Vicente foi marcada, na quarta-feira (11), por uma tentativa de homicídio a tiros em que figuram como vítimas a candidata Solange Freitas (PSDB), de 50 anos, o candidato a vice, Gil dos Santos (PSDB), de 46, e três pessoas que atuam na campanha deles, sendo dois homens e uma mulher. Todos estavam dentro de um Volkswagen Tiguan blindado, que evitou um desfecho trágico: cinco disparos do atirador, que usou um revólver, não ultrapassaram o vidro dianteiro direito e ninguém ficou ferido.

A tentativa de homicídio ocorreu por volta das 10h30, em um retorno na Linha Vermelha (Avenida Minas Gerais), na Vila São Jorge, e foi praticada por um homem em uma moto Honda PCX. Imagens de monitoramento captaram o crime e a fuga do motociclista, que imprimiu alta velocidade, deixando a Linha Vermelha e acessando a Rua São Jorge.

Solange estava no banco de trás, entre o candidato a vice e uma colaboradora da campanha. Na frente estavam os dois colaboradores. O grupo tinha saído de uma padaria na Linha Vermelha e pretendia se deslocar para um ato da campanha na Feira Livre da Vila São Jorge.

As cinco vítimas já foram ouvidas pelo delegado Renato Mazagão Júnior, titular da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) regional e que acumula a titularidade do Setor de Homicídios da 3ª Delegacia da divisão. Ele colheu os depoimentos na Delegacia de São Vicente.

Mazagão mantém sigilo na investigação para não prejudicar os trabalhos.

A dinâmica em que o delito foi praticado traz diversos aspectos a serem elucidados. Um dos principais, conforme apurou o Diário do Litoral, é que se o criminoso tivesse exclusivamente o propósito de executar Solange Freitas não teria dúvidas de onde ela estaria no carro.

 
  • Carro do suspeito que foi capturado nesta quarta-feira (18) (Nair Bueno/DL)

Crime político, diz Solange

Bastante abalada após prestar depoimento na Delegacia de São Vicente, Solange Freitas disse aos jornalistas que para ela trata-se de um crime político. "Não tem um outro motivo que não fosse esse", declarou.

Solange optou por não mencionar nomes, mas diz que desde que saiu da TV para iniciar sua trajetória no processo político, há pessoas que tentam de alguma maneira fazê-la desistir.

"Eles tentam minar a gente de uma forma psicológica, fazendo tentar desistir", disse a candidata.

"A gente confia no trabalho da polícia. Tenho certeza absoluta que vão descobrir quem foi e acho que o que vai prevalecer é a democracia", afirmou.

Solange mencionou, ao ser questionada, problemas que enfrenta ao ser impedida de entrar em comunidades. "Mas o que aconteceu hoje foi demais. Passou do limite do esperado. A gente vem há quase sete meses recebendo, não digo ameaças, mas eles estavam tentando fazer de tudo para a gente desistir desse processo eleitoral. Com muitas mentiras, fake news", diz a candidata.

"Não foi um ataque só a Solange, foi um ataque à democracia, foi um ataque aos eleitores de São Vicente", frisou a candidata.

Ela narrou detalhes do momento da ocorrência. "Eu estava no WhatsApp e nem vi (a chegada do criminoso). Eu só escutei o barulho e quanto eu escutei o barulho, o colaborador que estava dirigindo falou: abaixa, abaixa, abaixa. E aí foi o susto na hora, aquela choradeira e a gente esperou a polícia chegar para sair do carro", disse.

Ao ser indagada pelo DL sobre os próximos dias de campanha diante do grave episódio, Solange disse que iria para casa e pensar os próximos passos. "Sei que a gente não vai desistir".