Policial civil traz novas tendências da SWAT para a Baixada Santista

Investigador do 3º Distrito Policial de Santos (Ponta da Praia), Orlando Rollo fez curso de 16 dias no Texas, nos EUA, e já compartilha técnicas

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03 JUN 2019Por Gilmar Alves Jr.08h33
Uso de fuzil para cima, de acordo com Rollo, é nova tendência mundialFoto: Reprodução/Facebook

Após fazer um curso da SWAT, grupo de polícia dos Estados Unidos altamente especializado em operações especiais, o investigador Orlando Rollo, do 3º Distrito Policial de Santos (Ponta da Praia), começou a se reunir com colegas de corporação para difusão de novas tendências para aplicação na Baixada Santista e até em outras regiões do Estado de São Paulo.

"Vou me reunir com policiais operacionais e policiais que são professores da Academia de Polícia Civil de São Paulo (Acadepol)", disse Rollo em entrevista ao Diário do Litoral na quinta-feira (30).

Uma das tendências que chamou atenção do policial civil durante o curso, realizado entre 24 de abril e 9 de maio no estado do Texas, é a de uso de fuzil para cima, na posição "autopronto", durante operações. "Quando eu entrei na polícia 17 anos atrás, essa posição era considerada completamente errada. Pessoal usava a arma para baixo, que é a chamada posição sul".

"No Iraque (recentemente), as forças armadas americanas se adaptaram melhor à posição para cima, então virou a nova tendência mundial", diz o policial civil.

Técnica de arrombamento com uso do equipamento aríete para cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão (Foto: Reprodução/Facebook)

Conforme Rollo, em um combate onde o policial está em posição topográfica inferior a um criminoso, como no caso de uma ação em morro, por exemplo, a arma para cima dá condições de uma resposta mais rápida.

O investigador também informa que aprendeu técnicas de contenção de atiradores em massa, cujas ações são recorrentes nos Estados Unidos. Desde 1999, ao menos 221 mil jovens foram expostos a situações de violência armada em colégios americanos, segundo um levantamento do jornal Washington Post divulgado em março deste ano.

Rollo observa que no Texas, por exemplo, há plantas das escolas em todas as viaturas. Ele avalia que uma medida semelhante no Estado de São Paulo seria importante para uma resposta mais eficiente na hipótese de uma ocorrência deste tipo, citando o massacre de Suzano, que teve 10 mortes, incluindo os dois atiradores, em março deste ano.

Treinamento para intervenções e resgate de reféns em ônibus e veículos tubulares, como metrô e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) (Foto: Reprodução/Facebook)

Mandados

Uma das atividades que o policial mais tirou proveito foi a de técnicas de arrombamentos táticos de portas. No Brasil, este tipo de ação é utilizado, por exemplo, quando o alvo do cumprimento do mandado oferece risco.

"O mais comum no Brasil, infelizmente, é o famoso pé na porta. Só que o pé na porta, taticamente, operacionalmente, é totalmente errado. Porque você vai dar com o pé na porta, pode se lesionar, nem sempre vai abrir a porta e ainda perde o equilíbrio para entrar no local que pode ter o combate", diz.

Rollo diz que o aríete, um dos equipamentos utilizados pela SWAT, garante um ótimo resultado.

Israel

Orlando Rollo afirmou que cogita fazer um outro curso no exterior, com as forças especiais de Israel.

"Tem uma doutrina operacional e tática um pouco diferente da americana. Então eu vou acumular ainda mais conhecimento", afirma o investigador.

Ele frisa que fez o curso nos Estados Unidos em seu período de férias na Polícia Civil e diz que tem intenção de ir para Israel no próximo ano.

O investigador tem 41 anos e está na Polícia Civil desde 2002. É vice-presidente do Santos Futebol Clube licenciado.

Antes de integrar o 3º DP, fez parte do Grupo de Operações Especiais (GOE) e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). É bacharel em Direito, tecnólogo em Segurança Pública e faz pós-graduação em Investigação Criminal e Psicologia Forense.

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