MPF denuncia seis acusados de tráfico

Bando enviava cocaína à Europa pelo Porto de Santos em contêineres. Ao longo de um ano de investigação, os policiais apreenderam 1,3 tonelada de cocaína

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22 MAI 201411h36

O Ministério Público Federal em Santos denunciou seis pessoas por tráfico internacional de drogas e associação para o crime. A ação é decorrente da chamada Operação Monte Pollino, deflagrada em março para desbaratar uma quadrilha que exportava cocaína via Porto de Santos para a Europa. Os mandados de prisão e de busca foram cumpridos no Brasil e em oito países simultaneamente. Ao todo, 12 pessoas foram presas.

Em um ano, policiais apreenderam 1,3 tonelada da droga negociada pelo grupo. As investigações tiveram início em fevereiro de 2013, quando a Justiça italiana emitiu comunicado às autoridades brasileiras sobre a atuação do bando. Formalizada a colaboração entre as polícias e os Ministérios Públicos dos dois países, confirmou-se inicialmente a existência da organização criminosa, que adquiria cocaína principalmente de produtores no Peru, transportava o entorpecente até o Porto de Santos e remetia-o em navios de carga ao continente europeu, sobretudo à Itália.

A principal forma de remessa era por meio de contêineres. Com a ajuda de funcionários dos portos, a quadrilha descobria quais navios estavam a caminho da Europa, camuflava a cocaína em bolsas de viagem e providenciava o envio junto com as mercadorias regularmente transportadas. No destino da droga, outros criminosos, ligados aos compradores, apenas recolhiam as bolsas nos contêineres e concluíam a operação.

Valores que entravam no Brasil em dólar eram convertidos para real (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Organograma

As diligências mostraram que as tarefas eram coordenadas e executadas de acordo com as funções estabelecidas a cada integrante do grupo. Dois deles exerciam a liderança, atuando na gestão operacional. Eles recrutavam os membros, distribuíam incumbências, controlavam seu cumprimento e contabilizavam os lucros.

Duas mulheres eram encarregadas do financiamento das ações. Uma em auxílio à outra, elas recebiam os pagamentos feitos por compradores da cocaína na Europa, acionavam comparsas e financiavam diretamente o envio da droga para o exterior. Os valores entravam no Brasil em dólar, sem qualquer controle do Banco Central. Há indícios de que a autora dessas movimentações estava ligada também a outros esquemas bilionários de remessa ilegal de moeda estrangeira.

O segundo escalão da organização era composto por pessoas que, embora responsáveis pela execução das tarefas, tinham a confiança e o respeito dos líderes e eram consultados em diversas ocasiões sobre as decisões a serem tomadas. Faziam parte deste subgrupo a mulher de um dos chefes do bando e um homem identificado como auxiliar direto dele.

Os denunciados integram uma ampla rede criminosa, com ramificações em diversos países e ligações com a máfia italiana Ndrangheta, que opera na região da Calábria. Há pelo menos outras 14 pessoas relacionadas à prática dos delitos que, no entanto, serão alvo de denúncias autônomas e específicas. Entre elas, estão compradores da droga na Europa.