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NUTRIÇÃO

Professores criam jogo de alimentação saudável na escola indígena em Peruíbe

Projeto é desenvolvido com 30 crianças e adolescentes, em parceria com a Comissão Pró-índio, na aldeia Piaçaguera

O Jogo da Alimentação Saudável foi criado em Peruíbe / Nair Bueno / Diário do Litoral

Conscientizar e brincar com as crianças da Escola Estadual Indígena Aldeia Piaçaguera, na aldeia localizada na Terra Indígena Piaçaguera, em Peruíbe, sobre a importância da alimentação saudável. Esse é o objetivo do Jogo da Alimentação Saudável ou “Tembi`u Porã Nhanhimangaá”, em tupi-guarani.

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A professora e vice-diretora da unidade, Lilian Gomes Fernandes Securella, de 55 anos, explica que a ideia surgiu no ano passado, com os professores indígenas da aldeia Piaçaguera. O apoio é da Comissão Pró-índio, de São Paulo, responsável pelas ilustrações e a impressão do jogo. 

“Nossa ideia surgiu porque na merenda escolar havia alguns alimentos não saudáveis. Tivemos um avanço, pois pedimos à prefeitura de Peruíbe para tirar os alimentos enlatados e industrializados da merenda”, salienta. 

Após várias reuniões, inclusive, em uma delas com representantes do MEC, de Brasília, eles discutiram sobre os direitos dos indígenas em ter uma alimentação tradicional. E contaram com o apoio da Comissão Pró-Índio. 

Segundo Lilian, hoje, a empresa terceirizada que fornece os alimentos já está enviando alguns alimentos saudáveis à escola indígena.   

“O objetivo principal, desde o ano passado, é que os alunos levem o jogo para casa e saibam a importância da alimentação saudável e tradicional. Nosso trabalho é para fortalecer a cultura e a língua materna”, destaca. 

O jogo mostra ilustrações e os nomes dos alimentos em português e em tupi-guarani. As crianças levam para casa e os pais, que perderam o hábito de falar na língua materna, também podem interagir com elas. Entre os alimentos estão banana, palmito, feijão, batata doce, milho, mexerica, amendoim e peixe. 

Para jogar são colocadas as cartas com as palavras em português para cima. Os participantes escolhem uma carta e sem olhar o verso devem dizer o nome do alimento em tupi-guarani. Se acertar, a criança ganha a carta e quem acumular o maior número de cartas, ganha o jogo.   

A escola também já organizou uma horta com o cultivo de diversos legumes e verduras. 

“As crianças participaram do plantio de mudas, da colheita e na preparação dos alimentos. Eles gostaram bastante da experiência”, explica Lilian. Este ano, a horta será retomada com o plantio de batata doce, mandioca, milho, alface, couve e outras hortaliças.

A Comissão Pró-Índio, segundo a professora, vai distribuir o Jogo da Alimentação Saudável em todas as 11 aldeias da Terra Indígena Piaçaguera.

LIVRO.
Outro projeto aconteceu no ano passado, na pandemia da Covid-19, para saber a opinião das crianças e adolescentes sobre os prejuízos neste período. Os professores gravaram os depoimentos em podcast e vídeochamadas e foram publicados em um livro. A impressão também foi realizada pela Comissão Pró-Índio.

Com o título “Coronavírus é um bichinho que deixa doente” - o que as crianças indígenas têm a dizer sobre a pandemia Covid-19, a publicação contou com o depoimento de 38 crianças e adolescentes, que moram em seis aldeias da Terra Indígena Piaçaguera, na faixa etária entre 4 e 15 anos, com o auxílio dos educadores. 

“Algumas respostas das crianças até nos surpreenderam, como “senti falta da escola”, “senti falta de brincar com os meus amigos”, entre outras”, completa Lilian.

As aulas na Escola Estadual Indígena Piaçaguera recomeçaram no início do ano passado. A unidade conta com cinco professores e 30 alunos, matriculados na Educação Infantil até o 9º ano do Ensino Fundamental II.

Na aldeia Piaçaguera, moram, hoje, 23 famílias e cerca de 35 crianças tupi-guarani. Eles vivem da pesca e com a venda dos artesanatos indígenas.

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