Neymar vive segundo revés em Copa e vê melhor do mundo distante

O jogador, que saiu do Barcelona para o PSG pelo sonho de ser o melhor jogador do mundo, deixa a Rússia após o Brasil cair ainda nas quartas de final

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06 JUL 2018Por Folhapress19h29
Neymar passou os três meses antes do Mundial em recuperação de uma lesão no pé direitoNeymar passou os três meses antes do Mundial em recuperação de uma lesão no pé direitoFoto: Divulgação/MoWa Press

Neymar não conseguiu ser o protagonista que se esperava nesta Copa do Mundo, a segunda de sua carreira. O jogador, que saiu do Barcelona para o PSG pelo sonho de ser o melhor jogador do mundo, deixa a Rússia após o Brasil cair ainda nas quartas de final.

Em sua segunda eliminação de um Mundial, o atacante volta para casa com dois gols marcados, 23 faltas sofridas e uma assistência. Ele não foi nenhuma vez escolhido para ser capitão e colecionou polêmicas ao longo dos 25 dias em solo russo. Criticado, se irritou com a Globo e usou as redes sociais para responder.

No Mundial passado, quando também era a esperança da conquista do hexacampeonato, Neymar se machucou nas quartas de final contra a Colômbia e não jogou na derrota por 7 a 1 contra a Alemanha, na semi. A Copa do Qatar, em 2022, terá o camisa 10 do Brasil mais velho, com 30 anos de idade.

Neymar passou os três meses antes do Mundial em recuperação de uma lesão no pé direito que o obrigou a realizar procedimento cirúrgico no quinto metatarso, após se machucar em confronto entre PSG e Olympique Marselha.

A CBF concentrou atenções no seu atacante. O médico da confederação, Rodrigo Lasmar, esteve à frente do tratamento do jogador e colaborou no seu processo de recuperação.

Na operação, Neymar teve um parafuso colocado no pé, que serviu para aproximar os fragmentos do osso separados pela fissura para facilitar a cicatrização. Desde então, a comissão técnica dizia que o trabalho que seria feito era ter o craque bem nas oitavas de final.

Depois de 98 dias fora, o jogador voltou a atuar na véspera da Copa, em amistosos contra Croácia (vitória por 2 a 0) e Áustria (triunfo por 3 a 0). Marcou gol nos dois jogos e animou Tite.

Na Rússia, contudo, penou diante da Suíça na estreia, quando sofreu 10 faltas - um recorde de infrações em um mesmo atleta em uma única partida de Copa desde 1998 -e deixou o estádio mancando. Reclamou das pancadas e levou alguns dias para se recuperar.

Também foi mal na segunda partida, diante da Costa Rica. Recebeu cartão amarelo por reclamação, e ainda ficou marcado por ter simulado um pênalti. O árbitro do duelo chegou a marcar, mas logo depois anulou, com auxílio do VAR (árbitro de vídeo). Mesmo com desempenho abaixo do esperado, conseguiu marcar seu primeiro gol da Copa, o segundo da vitória por 2 a 0.

Contra a Sérvia, melhorou e finalizou sete vezes a gol, mais do que nos outros jogos, quando somou seis chutes. Deu a assistência para o gol de Thiago Silva, em cobrança de escanteio, mas não brilhou.

Queixas e simulações marcaram as atuações do atacante. Foi criticado por ex-jogadores estrangeiros, que reclamaram que o brasileiro tentava enganar árbitros e prejudicar rivais.

"É absolutamente patético. Ninguém duvida das suas habilidades, é um jogador magnífico. Ainda assim, é realmente patético quando começa a rolar como se estivesse em agonia. Por que ele acha que precisa fazer isso?", questionou o britânico Alan Shearer.

Veículos de imprensa estrangeiros atacaram o brasileiro. O periódico USA Today afirmou que "Neymar é um constrangimento ao futebol".

Contra o México, o jogador fez sua melhor exibição, como os médicos previam, e foi eleito o melhor em campo ao fazer o primeiro e participar do segundo gol do Brasil. Mas não repetiu o feito diante da Bélgica.

E se não convenceu pelo futebol, o craque virou assunto em quase todos os jogos do Mundial, por motivos diferentes. Além da simulação do pênalti, ele descoloriu o cabelo, reclamou muito com os árbitros e caiu muitas vezes durante as partidas, provocando reclamações de adversários.

Sem brilhar, o atacante Neymar entrou em rota de colisão com a Globo durante o Mundial. O estopim foram as críticas, principalmente do narrador Galvão Bueno, após os dois primeiros jogos, que levaram até o pai do jogador a tentar colocar panos quentes.

A assessoria da Globo afirmou que "narradores e comentaristas têm liberdade para citar ou comentar qualquer lance do jogo". Em nota, completou: "As análises, assim como toda a cobertura da Globo, são feitas de maneira imparcial e sem distinção entre os jogadores". Procurado, Neymar não respondeu às perguntas da reportagem.

Entre uma e outra irritação, postou em rede social um desabafo, onde menciona que "falar, até papagaio fala". O jogador é fã do piloto brasileiro Ayrton Senna, que se referia ao narrador Galvão Bueno como "papagaio" -eles mantinham relação de amizade.

A eliminação, agora, o deixa distante do troféu de melhor jogador do mundo em 2018. Seus principais concorrentes, Cristiano Ronaldo e Messi, caíram nas oitavas de final.

O português marcou quatro gols, mas perdeu pênalti decisivo diante do Irã e esteve apagado contra Portugal. O argentino, por sua vez, balançou as redes só uma vez e não resolveu na queda diante da França.

Por outro lado, Ronaldo conquistou a Liga dos Campeões como protagonista, enquanto Messi levou o Campeonato Espanhol com sobras.

Neymar foi campeão francês, mas sem jogar nos dois meses finais por conta da lesão. E, agora, volta a Paris, onde decide se continua no PSG ou se transfere para o Real Madrid.