A disputa pelo Governo de São Paulo em 2026 ainda está longe de mobilizar a maior parte do eleitorado. Pesquisa realizada pelo Instituto Badra em 62 municípios paulistas mostra que 83% dos entrevistados não conseguiram apontar espontaneamente um candidato ao Palácio dos Bandeirantes.
Apesar do elevado índice de indefinição, o governador Tarcísio de Freitas aparece na liderança dos cenários eleitorais testados pelo instituto. Além disso, surge como favorito neste momento da pré-campanha.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre os dias 28 e 31 de maio. Ele revela que, embora alguns nomes já despontem na corrida estadual, a maioria dos paulistas ainda não demonstra uma preferência consolidada para a sucessão do governo paulista.
No cenário espontâneo, quando os entrevistados respondem sem receber uma lista de candidatos, apenas 5,7% citaram Tarcísio de Freitas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aparece em segundo lugar, com 2,6%, seguido pelo deputado federal Kim Kataguiri, que registra 1,3%.
Os números, porém, são ofuscados pelo tamanho da indefinição do eleitorado. Segundo a pesquisa, 46% afirmaram que não votariam em ninguém, enquanto outros 37% disseram não saber em quem votar. Somados, os dois grupos representam 83% dos entrevistados.
O resultado indica que a corrida estadual ainda está em estágio inicial. Também mostra que uma parcela significativa dos eleitores não acompanha de perto as movimentações políticas para 2026.

Tarcísio lidera pesquisa estimulada
Embora a espontânea mostre um eleitorado amplamente indeciso, o cenário muda quando os entrevistados recebem uma lista com possíveis candidatos.
Nesse caso, Tarcísio de Freitas lidera com 36,7% das intenções de voto. Fernando Haddad aparece em segundo lugar, com 29%, reduzindo a distância para 7,7 pontos percentuais.
Na sequência surgem o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, com 11,2%, e Kim Kataguiri, com 8,8%.
O cenário aponta vantagem para o atual governador, mas também demonstra que a disputa ainda possui espaço para mudanças. Outro ponto é o elevado contingente de eleitores que ainda não demonstram preferência definida.
‘Preferidos’ também são rejeitados
A pesquisa também mediu a rejeição dos principais nomes cogitados para o Governo de São Paulo.
Haddad aparece como o candidato mais rejeitado, citado por 30% dos entrevistados. Em seguida está Tarcísio, com 24,8%.
Kim Kataguiri registra rejeição de 10,9%, enquanto Paulo Serra soma 9,5%.
Os números mostram que os dois líderes da pesquisa também enfrentam níveis relevantes de resistência entre os eleitores. Esse fator poderá influenciar o comportamento do eleitorado durante a campanha.
Disputa pela Assembleia Legislativa
Além da corrida pelo Executivo estadual, a pesquisa avaliou possíveis cenários para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

O levantamento estimulado para deputado estadual coloca o atual parlamentar Caio França na liderança, com 16,1% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece Ana Carolina Serra, com 15,5%, seguida por Bruna Furlan, que registra 12,3%.
Também figuram entre os nomes mais lembrados o deputado estadual Tenente Coimbra, com 6,3%, e o deputado estadual Carlos Giannazi, com 6,2%.
A composição da próxima legislatura será fundamental para a governabilidade do Estado. Isso porque os deputados estaduais são responsáveis por votar projetos do Executivo, aprovar o orçamento estadual e fiscalizar as ações do governo.
Cenário segue aberto para 2026
Embora Tarcísio de Freitas apareça em posição de vantagem neste momento, os dados da pesquisa sugerem que o cenário eleitoral paulista ainda está longe de ser definido.
O elevado índice de indecisão observado na pesquisa espontânea demonstra que a maior parte dos eleitores ainda não escolheu um candidato. Além disso, muitos sequer acompanham a disputa de forma ativa.
Com mais de um ano até as eleições, a tendência é que o quadro continue sofrendo alterações. Isso deve ocorrer à medida que candidaturas sejam oficializadas, alianças sejam formadas e a campanha ganhe espaço no debate público.
Por enquanto, a principal marca da corrida pelo Governo de São Paulo não é a liderança de um candidato. Mas sim a indefinição de uma parcela expressiva do eleitorado paulista.
