Mudanças no vale-refeição podem aliviar preço da marmita e do prato feito

Decisão judicial mantém teto de 3,6% nas taxas das operadoras; restaurantes veem chance de segurar ou baixar preços

As mudanças fazem parte do decreto que atualiza regras do Programa de Alimentação do Trabalhador

As mudanças fazem parte do decreto que atualiza regras do Programa de Alimentação do Trabalhador | Divulgação

Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região manteve as novas regras que limitam as taxas cobradas por operadoras de vale-refeição e vale-alimentação, medida que pode ajudar a conter ou até reduzir o preço de refeições populares em restaurantes.

A avaliação é da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo, que representa mais de 500 mil estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar no estado.

Segundo a entidade, a redução das taxas deve melhorar o fluxo de caixa dos empresários e beneficiar diretamente os consumidores.

A decisão foi proferida pelo presidente do tribunal, o desembargador Carlos Muta, que derrubou liminares concedidas a pelo menos quatro operadoras de vouchers que tentavam suspender a regulamentação.

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Teto de taxa e prazo menor de pagamento

As mudanças fazem parte do decreto que atualiza regras do Programa de Alimentação do Trabalhador. A norma estabelece limite máximo de 3,6% para as taxas cobradas nas transações feitas com vales, valor bem abaixo do que era praticado anteriormente.

Antes da regulamentação, segundo representantes do setor, as taxas podiam chegar a 15%, além de incluir outras cobranças nos contratos, como tarifas de adesão, cadastro e antecipação de crédito.

Outro ponto da nova regra é a redução do prazo para repasse dos valores aos restaurantes. O tempo de pagamento, que antes podia ultrapassar 30 dias, passa a ser de até 15 dias corridos.

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Possível impacto no preço das refeições

De acordo com o diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto, os estabelecimentos mais beneficiados tendem a ser aqueles que trabalham com refeições populares, como marmitas, pratos feitos e comida por quilo.

“Sem as altas taxas das maquininhas dos vales, o empresário tem maior fluxo de caixa. Quem ganha com isso é o cliente final, que poderá pagar menos pela refeição e terá mais opções de escolha com a adesão de novos restaurantes”, afirma.

Quebra de concentração no mercado

Segundo a entidade, o decreto também cria regras para ampliar a concorrência entre operadoras de vale-refeição. Um dos pontos destacados é a interoperabilidade do sistema, permitindo que diferentes cartões funcionem em qualquer maquininha.

Para a federação, a mudança pode reduzir o poder de mercado de grandes operadoras e ampliar o acesso de pequenos restaurantes ao sistema de vouchers.

Apesar de defender menor intervenção estatal nas relações econômicas, a Fhoresp afirma que a regulamentação foi necessária devido ao desequilíbrio no setor e ao fato de as operadoras receberem incentivos fiscais do governo federal dentro do PAT.