Anvisa emite proibição imediata e retira medicamentos do mercado; confira a lista

Agência identificou falhas de qualidade e erros de rotulagem em medicamentos usados no tratamento de hipertensão, insuficiência cardíaca e câncer de mama

Remédio Halaven, suspenso pela Anvisa

Medicamento Halaven (mesilato de eribulina) 0,5 mg/ml é utilizado no tratamento de câncer de mama e outros tipos de tumores avançados (Divulgação)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão imediata da comercialização, distribuição e uso de lotes de medicamentos utilizados no tratamento de hipertensão, insuficiência cardíaca e câncer de mama. A decisão consta na Resolução nº 2.238/2026, publicada nesta segunda-feira (2) no Diário Oficial da União.

A medida afeta medicamentos amplamente utilizados por pacientes em todo o país. Ela inclui ainda a proibição de um lote de água para infusão intravenosa. Além disso, prevê a apreensão de um produto vendido como medicamento à base de óleo de pequi.

Um dos produtos atingidos pela decisão é o medicamento Halaven (mesilato de eribulina) 0,5 mg/ml. O medicamento é destinado ao tratamento de câncer de mama e de outros tumores em estágios mais avançados da doença.

Segundo a Anvisa, a própria fabricante, a United Medical Ltda., comunicou o recolhimento voluntário do lote 148386. Isso ocorreu após identificar um desvio de qualidade relacionado à concentração do princípio ativo.

De acordo com a empresa, análises apontaram que o teor do medicamento estava abaixo do padrão aprovado pelos órgãos reguladores. Por isso, isso pode comprometer sua eficácia terapêutica.

Nesta quarta-feira (3), a Anvisa também mandou recolher lotes da água Crystal, após suspeita de contaminação pela bactéria pseudomonas aeruginosas. Esta é a mesma encontrada em produtos Ypê, no mês passado.

Remédio para pressão teve erro na embalagem

Outro produto suspenso é o maleato de enalapril 20 mg, medicamento amplamente utilizado no controle da hipertensão arterial e da insuficiência cardíaca.

Nesse caso, a Anvisa informou que houve um erro de rotulagem. Embora os comprimidos contenham a dosagem correta de 20 mg, as embalagens apresentam a informação equivocada de que o produto possui apenas 10 mg.

Por causa da inconsistência, a agência suspendeu os seguintes lotes: 0062/26M, 0063/26M, 0064/26M, 0088/26M, 0089/26M, 0358/26M, 0415/26M, 0506/26M e 0507/26M. A fabricante responsável é a Hipolabor Farmacêutica Ltda.

O que fazer se você possui um dos medicamentos

A recomendação da Anvisa é que pacientes interrompam imediatamente o uso dos lotes suspensos.

Quem estiver utilizando algum dos medicamentos afetados deve procurar orientação médica ou farmacêutica antes de substituir ou interromper definitivamente o tratamento.

A agência também recomenda contato com os canais de atendimento das fabricantes para obter informações sobre recolhimento e substituição dos produtos.

Além dos medicamentos, a Anvisa determinou o recolhimento do lote 8891/25 da Água para Infusão solução intravenosa, fabricada pela Indústria Farmacêutica S/A.

Segundo a agência, um laudo emitido pelo Instituto Adolfo Lutz apontou resultado insatisfatório em testes de controle de qualidade realizados no produto.

A determinação estabelece a proibição da venda, distribuição e utilização do lote em todas as regiões do Brasil.

Produto à base de óleo de pequi é proibido

Outra medida adotada pela Anvisa foi a apreensão de todos os lotes das chamadas Cápsulas de Óleo de Pequi. A empresa responsável pela produção é a R.T.K Indústria de Cosméticos e Alimentos Naturais Ltda..

A agência informou que o produto não possui registro, cadastro ou notificação junto ao órgão regulador. Além disso, declarou que a empresa fabricante não conta com autorização de funcionamento para produzir medicamentos.

A decisão impede a fabricação, a comercialização, a distribuição, a promoção e o uso do produto em qualquer região do país.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a adoção dessas medidas busca garantir a segurança dos consumidores.
Isso ocorre sempre que são identificados problemas capazes de comprometer a segurança, a eficácia ou a qualidade dos produtos.

Pacientes que utilizam medicamentos de uso contínuo devem verificar os números dos lotes. Em caso de dúvida, devem buscar orientação junto aos profissionais de saúde responsáveis pelo tratamento.

A lista completa das medidas sanitárias está disponível nas publicações oficiais da Anvisa e no Diário Oficial da União.