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Recife de coral raro é achado em grandes profundidades por missão da Unesco

O recife que são animais, vale lembrar encontrado tem cerca de 3 km de extensão, com larguras entre 30 e 65 metros

Unesco/ Recife de Coral no Taiti / Foto: Alexis Rosenfeld, Unesco

Um grande e raro recife de corais em ótimo estado de saúde foi encontrado no Taiti por uma missão da Unesco. O achado é surpreendente, considerando que não se espera encontrar corais em áreas tão profundas quanto a em que esse foi observado, a mais de 30 metros de profundidade.

"É uma história positiva sobre recifes de corais", afirma à reportagem Julian Barbiere, chefe de política marinha da Unesco. "Isso não acontece com frequência hoje em dia", diz, destacando as perdas de cerca de metades dos recifes de corais no mundo, desde 1950.

O recife –que são animais, vale lembrar– encontrado tem cerca de 3 km de extensão, com larguras entre 30 e 65 metros. Os corais têm formatos de rosas gigantes, alguns chegando a 2 metros de diâmetro. Além do tamanho chamativo, as boas condições do coral se destacam.

Segundo a Unesco, trata-se de um dos maiores recifes de coral já observados na área oceânica conhecida como twilight zone, que representa profundidades oceânicas que vão de 30 até 120 metros –que ainda contam com alguma luz e, dessa forma, permitem o desenvolvimento dos corais, que são seres vivos.

O mais comum é que os corais sejam encontrados em profundidades de até 25 metros.
Barbiere afirma que a descoberta –possibilitada por avanços em equipamentos de mergulho, que permitem exploração mais prolongada e profunda– aponta que podem existir ainda mais corais desconhecidos a profundidades maiores.

Laetitia Hédouin, pesquisadora presente na expedição e cientista do CNRS (centro de pesquisa científica da França), destaca que corais da região onde o novo recife foi achado sofreram um significativo evento de branqueamento em 2019.

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"Esse recife não parece ter sido significativamente afetado. Nós cremos que recifes mais profundos podem estar mais protegidos da mudança climática", diz Hédouin.

A descoberta também mostra quão pouco o ser humano conhece do oceano, diz Barbiere. "Nosso trabalho na Unesco é facilitar a descoberta desse tipo de ecossistema, mas também, ao ficar sabendo que ele existe, ajudar os países a implementar medidas de proteção, por exemplo a partir de áreas marinhas protegidas."

Os corais têm grande importância para a biodiversidade marinha. Segundo estimativas, cerca de 25% das espécies de peixes do oceano dependem dessas estruturas vivas. Inúmeros animais se alimentam, reproduzem-se e encontram abrigo nos corais.

Esses seres vivos, portanto, tornam-se importantes para o turismo, para pesca, além de prevenir erosão no litoral por ondas e tempestades, e absorver carbono.

O grande problema é que os corais estão sob forte ameaça, principalmente por causa das mudanças climáticas. Aumentos de temperatura causam estresse e eventos de branqueamento –que podem levar à morte. No branqueamento, de forma geral, os corais perdem as algas fotossintetizantes que produzem alimento.

Segundo a Unep (programa ambiental das Nações Unidas), todos os corais do mundo podem sofrer branqueamento até o fim do século. O mais longo evento mundial de branqueamento é recente. Ocorreu de 2014 até 2017.

A missão ocorreu como parte da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, da ONU (Organização das Nações Unidas). Os pesquisadores ficaram cerca de 200 horas estudando os corais no local.

Além de Hédouin, o fotógrafo francês Alexis Rosenfeld, que se dedica à exploração oceânica pela campanha 1 Ocean, apoiada pela Unesco, liderou o time de mergulhadores, que também contava com pesquisadores do grupo de pesquisa ambiental Criobe.

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