'Caranguejo do Diabo' é altamente venenoso e não tem antídoto / Wikimedia Commons
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A morte de uma influenciadora digital nas Filipinas chamou atenção internacional para um animal pouco conhecido, mas extremamente perigoso: o chamado “caranguejo do diabo”.
A vítima foi Emma Amit, de 51 anos, criadora de conteúdo gastronômico, que consumiu o crustáceo por engano ao preparar um prato com frutos do mar.
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O caso ocorreu após ela pescar com amigas e cozinhar os ingredientes em leite de coco, sem perceber que havia incluído uma espécie tóxica.
Os sintomas apareceram no dia seguinte, com convulsões, perda de consciência e escurecimento dos lábios. Ela foi hospitalizada, mas não resistiu.
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Autoridades locais alertaram para o risco do animal, cuja ingestão pode provocar complicações graves e até fatais.
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O “caranguejo do diabo” é o nome popular do Zosimus aeneus, também chamado de caranguejo tóxico do recife.
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A espécie vive em áreas tropicais do Indo-Pacífico, especialmente em recifes e manguezais que vão da África do Sul ao Havaí, incluindo Austrália, Japão e Filipinas.
Por ser típico dessa região, o animal não existe no Brasil, já que o litoral brasileiro é banhado pelo Oceano Atlântico.
Apesar da aparência colorida e comum em ambientes costeiros, trata-se de um dos crustáceos mais perigosos para consumo humano.
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O risco está na carne do animal, que contém neurotoxinas extremamente potentes, entre elas: tetrodotoxina (TTX) e saxitoxina (STX).
Essas substâncias bloqueiam a transmissão dos impulsos nervosos, podendo causar paralisia progressiva. Em casos graves, a pessoa perde a capacidade de respirar, levando à insuficiência respiratória.
A toxicidade é tão alta que quantidades minúsculas podem ser letais — cerca de 1 micrograma por quilo de peso corporal já pode matar, dependendo da condição de saúde da vítima.
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Os sinais de envenenamento podem surgir rapidamente ou em poucas horas após a ingestão e incluem:
Não existe antídoto específico para o envenenamento causado pelo Zosimus aeneus. O tratamento é apenas de suporte médico, o que aumenta o risco de morte em casos graves.
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Segundo autoridades das Filipinas, até metade dos casos registrados pode resultar em morte. A maioria ocorre por ingestão acidental, quando o animal é confundido com espécies comestíveis.
Em algumas regiões onde ele é encontrado, há registros históricos de consumo deliberado da carne como forma de suicídio, justamente pela alta toxicidade.
No episódio envolvendo Emma Amit, a ingestão foi involuntária. Como acontece em muitos casos, o animal não foi identificado corretamente antes do preparo da refeição.
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A gravidade do envenenamento depende da quantidade ingerida, da concentração de toxinas no animal e das condições físicas da pessoa. Mesmo assim, especialistas alertam que o risco é sempre elevado.