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Caça tecnológica: por que a Flórida está usando coelhos robôs para atrair serpentes?

Dispositivos simulam calor, odor e movimento de mamíferos para localizar predadores de 5 metros que devastam a fauna nativa

Luna Almeida

Publicado em 17/04/2026 às 10:30

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Os coelhos robóticos são projetados para enganar os sentidos apurados das pítons / Divulgação/Robert McCleery

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O ecossistema dos Everglades, no sul da Flórida, tornou-se o cenário de uma guerra tecnológica contra uma das espécies invasoras mais resilientes do planeta: a píton birmanesa. 

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Para enfrentar o avanço dessas serpentes, que podem ultrapassar os cinco metros de comprimento, cientistas começaram a implantar coelhos robóticos equipados com inteligência artificial. 

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O objetivo é utilizar a tecnologia para localizar os animais em áreas de difícil acesso, onde os métodos tradicionais de busca humana muitas vezes falham.

A invasão é considerada um dos desastres ambientais mais graves da história recente dos Estados Unidos. Sem predadores naturais e com uma capacidade reprodutiva alta, uma única fêmea pode botar dezenas de ovos, as pítons provocaram quedas drásticas nas populações de mamíferos nativos, como guaxinins, zorrinhos e linces. 

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Esse impacto gera um efeito em cascata, alterando desde a competição entre predadores até a dispersão de sementes por herbívoros, colocando em risco o equilíbrio biológico de toda a região.

Como funciona a "isca robótica"

Diferente de armadilhas passivas, os coelhos robóticos são projetados para enganar os sentidos apurados das pítons. A tecnologia reproduz os estímulos exatos que as serpentes buscam em uma caçada real:

Movimento: O robô simula o deslocamento errático de um pequeno mamífero na vegetação.

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Calor: Dispositivos internos emitem assinaturas térmicas que mimetizam o calor corporal de uma presa viva.

Odor: O sistema libera fragrâncias que atraem as serpentes pelo olfato, facilitando a identificação da presença do invasor em áreas remotas.

Essa abordagem permite que as equipes de campo sejam muito mais precisas na detecção. Ao identificar uma píton por meio do robô, os pesquisadores conseguem realizar a captura de forma estratégica, coletando dados valiosos sobre os padrões de deslocamento e ocupação da espécie no pântano.

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O limite das patrulhas

Embora programas como o Python Patrol e os concursos de caça de recompensas tenham retirado milhares de serpentes da natureza desde os anos 2000, essas ações sozinhas não conseguem conter a expansão. 

Especialistas alertam que o número de animais capturados representa apenas uma pequena fração da população total escondida nas profundezas dos Everglades.

A gestão ambiental do estado agora aposta em uma estratégia combinada. Além da remoção direta feita por caçadores treinados, a utilização de ferramentas de alta tecnologia é vista como essencial para realizar um monitoramento sistemático. 

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O registro de dados detalhados e a identificação de áreas de alta concentração são os elos fundamentais para ajustar as políticas de manejo.

A longo prazo, a proteção dos Everglades depende não apenas da tecnologia de ponta, mas também de leis mais rígidas sobre o comércio de espécies exóticas. 

Os coelhos robóticos com IA surgem como um complemento vital para os métodos tradicionais, oferecendo uma nova fronteira de esperança para a preservação da biodiversidade da Flórida contra um predador que não para de avançar.

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