Autoridades ‘cortam as asas’ da bebida favorita dos adolescentes e proíbem o consumo

A medida foi motivada por preocupações com os riscos que o consumo desses produtos representa à saúde dos jovens

As bebidas energéticas combinam diferentes estimulantes, como cafeína, guaraná e taurina, em concentrações muito elevadas

As bebidas energéticas combinam diferentes estimulantes, como cafeína, guaraná e taurina, em concentrações muito elevadas | Freepik

O governo britânico anunciou que a venda de bebidas energéticas será proibida para menores de 16 anos em todo o país. A medida foi motivada por preocupações com os riscos que o consumo desses produtos representa à saúde dos jovens, incluindo distúrbios do sono, ansiedade, problemas de concentração e aumento da obesidade infantil.

E como estamos falando sobre bebida, conheça também a queridinha dos jovens que pode elevar risco de câncer de intestino antes dos 50

O que muda

De acordo com o anúncio, lojas, cafés, restaurantes, sites e até mesmo máquinas automáticas não poderão vender energéticos que contenham mais de 150 miligramas de cafeína por litro a adolescentes abaixo de 16 anos.

Bebidas como chá, café e refrigerantes com menor teor de cafeína não entram na restrição.

A medida integra um pacote de ações do Partido Trabalhista, liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, voltado ao combate da ‘crise de obesidade infantil’ no país.

O governo também planeja proibir a publicidade de produtos ultraprocessados (‘junk food’) direcionada ao público infantil.

Por que os energéticos preocupam

As bebidas energéticas combinam diferentes estimulantes, como cafeína, guaraná e taurina, em concentrações muito elevadas. Segundo a pediatra Mônica Moretzsohn, da Sociedade Brasileira de Pediatria, o consumo pode provocar:

Problemas cardiovasculares, como aumento da pressão arterial, palpitações e taquicardia.

Distúrbios gastrointestinais, incluindo refluxo.

Efeitos psicológicos, como irritabilidade, ansiedade e insônia, que comprometem o aprendizado e o desenvolvimento neurocognitivo.

Prejuízos aos dentes e risco de obesidade, devido ao pH ácido e ao alto teor de açúcar.

Em casos extremos, o consumo excessivo pode levar a complicações graves. Em 2022, um caso relatado pelo médico Bernard Hsu mostrou que um homem de 36 anos desenvolveu pancreatite aguda após beber 12 latas de energético em apenas 10 minutos.

Jovens em maior risco

O consumo de energéticos entre adolescentes preocupa especialistas, sobretudo quando combinado com bebidas alcoólicas, prática comum em festas e baladas.

Segundo Moretzsohn, o energético pode mascarar os efeitos da embriaguez, fazendo com que o jovem consuma mais álcool sem perceber, aumentando o risco de intoxicação alcoólica.

‘Não existe limite seguro para crianças e adolescentes em relação a energéticos”, alerta a médica. ‘Mesmo pequenas quantidades podem ser prejudiciais à saúde, tanto pelo consumo regular quanto esporádico’.

Repercussão

O secretário de saúde britânico, Wes Streeting, destacou ao jornal The Guardian que muitos jovens ingerem, em uma única lata, quantidades equivalentes a um expresso duplo de cafeína. ‘Como podemos esperar que as crianças tenham bom desempenho escolar sob esse consumo?’, questionou.

Ainda não há data definida para a entrada em vigor da proibição, que deverá ser oficializada por meio de legislação secundária nos próximos meses.